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A categoria bancária e a Consciência Negra

Onde guardamos nosso preconceito hoje

Estamos nos aproximando do Dia da Consciência Negra, data na qual lembramos a morte do líder negro Zumbi dos Palmares, em  20 de Novembro de 1695, e costumo indagar a importância da comemoração, frente às oscilações a serem superadas.

Não são poucos os desafios, que um “ser humano normal” passa, entretanto alguns segmentos acabam sofrendo maior incidência, pelo grau de ignorância que ainda se encontram as nações.

Hoje pela manhã, como um cidadão normal, que demando produtos e serviços, fui a uma consulta odontológica, e ao olhar os materiais publicitários da clínica (quadros, folders, panfletos, brinquedos – para distraírem as crianças), observei a total inexistência de materiais que dialogassem com a diversidade étnica.

Desta forma, indaguei a atendente, se havia uma caixa de sugestões, a mesma respondeu que não havia, mas que poderia direcionar-lhe, que repassaria para o proprietário.

Destaquei que a clinica, não dialogava com a igualdade de oportunidades, a mesma não entendeu o termo, então especifiquei, prontamente veio à justificativa, que nunca havia percebido a cultura de privilégios imposta naquele ambiente, trazendo apenas imagens de pessoas com ascendência européia.

Esta situação, me fez refletir sobre a categoria bancária, a qual pertenço, atuante como dirigente sindical.

Temos diversos avanços em termos de mobilização, nas lutas pela igualdade de oportunidades e sabemos que muito temos a conquistar; mas reflito muitas vezes sobre outros ramos, que não tenham o mesmo grau de mobilização. Qual será a situação do povo negro? Será provavelmente mais crítico do que o segmento bancário?

Estas indagações são incógnitas, pois vivemos em uma pseudo democracia racial, onde não temos preconceitos – até que sejamos expostos a uma situação em que nossos privilégios sejam colocados em risco.

Os bancos representados pela FEBRABAN já utilizam a política de cotas, mas de forma excludente, pois conforme dados divulgados pela própria instituição, apenas 2,3% dos trabalhadores tem a pele preta, sendo 1/3 deste percentual composto por mulheres pretas.

Quando comparamos a escolaridade entre as etnias, identificamos que é idêntica, mas ao analisarmos a permanência, 66,5% dos negros têm até 3 anos de emprego, situação que explica o menor percentual de remuneração, que é de 84,1% dos rendimentos de um homem branco; consecutivamente a ascensão é respeitada de forma honrosa pelas cotas “invisíveis” do segmento bancário, que concentram nos cargos máximos de chefia 95,2% de pessoas não negras.

Estes dados do segmento bancário nos fazem analizar que precisamos fazer um mergulho histórico em nossa ancestralidade, reconhecendo nossas origens, e identificar onde podemos atuar como cidadãos para inibir estas praticas.

É imprescindível também identificarmos que em muitas situações em que dizemos não existirem preconceitos se faz necessário nos colocarmos no lugar do outro.

Se imagine como uma pessoa negra, deficiente, homossexual, mulher, imigrante, militante política, ou outros companheiros vulneráveis a preconceitos, procure se colocar no lugar do próximo, e sentir na pele, e vejamos só por hoje, onde guardamos os nossos preconceitos, e deixemos que a mobilização e o amor de Zumbi, Vivam em Nós!

Por Júlio César Silva Santos, que é advogado, funcionário do Itaú-Unibanco e dirigente sindical. Coordena o Coletivo Itaú e também o de Combate ao Racismo. É o representante do SEEB/SP na Secretária de Combate ao Racismo da CUT.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.fetecsp.org.br

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Contraf-CUT participa de debate sobre Consciência Negra em Brasília

A realidade de discriminação ainda enfrentada pelos negros foi tema do debate promovido pelo Sindicato dos Bancários de Brasília, na terça-feira (22) para lembrar o Dia da Consciência Negra. O coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Universidade de Brasília (UnB), professor Nelson Olokofá Inocêncio; a secretária de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Deise Recoaro; e o diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Cultural Palmares, Alexandro Reis, participaram das discussões, que foram intermediadas pelo diretor do Sindicato, Manoel Duque, que é integrante da CGROS (Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual) da Contraf-CUT.

Dados do Censo 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os pretos e pardos representam 52% da população brasileira. Apesar disso, são minorias dentro dos bancos.

Segundo Deise Recoaro, 81% dos bancários são brancos. Os 19% restantes dividem-se entre negros e negras. “Ainda assim, não vemos esses 19% realizando trabalhos de atendimento ao público”, disse. A diferença se vê também na remuneração: os negros recebem 84% do salário dos brancos.

Para Recoaro, existe uma “cota branca histórica” no mercado de trabalho que não é questionada. “Todo e qualquer tipo de discriminação racial é lucrativo para o sistema porque os salários pagos a negros e mulheres são mais baixos”, denunciou.

Com um resgate histórico sobre o assunto, o professor Nelson Inocêncio falou acerca das diversas estratégias utilizadas pelos negros para tentar se inserir na sociedade. “O processo de reconhecimento não foi da noite para o dia. Falar da consciência negra tem a ver com celebrar a identidade positiva que, durante muitos anos, era tida como algo negativo”, disse.

“É preciso realizar um trabalho de contra-hegemonia, enfrentar essa situação atroz do racismo que ainda existe no Brasil. A zona de conforto dos que não lutam para mudar esse quadro não vai ser perene, vai depender do que as pessoas querem. Se cada um fizer o seu papel nós teremos uma sociedade mais plural, com mais respeito ao próximo”, declarou.

A necessidade de se olhar a questão do racismo como um problema mundial foi destacada pelo diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Cultural Palmares, Alexandro Reis. Segundo ele, o tema também envolve questões econômicas, políticas e culturais profundas e que precisam ser tratadas.

Ações afirmativas, segundo Reis, são algumas das alternativas para se tratar esses problemas do Brasil, que já ocupa o 6º lugar na economia mundial e tem 1% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional – quase R$ 700 bilhões por ano – movimentado pela população negra.

“Esses números não podem passar despercebidos pelo mercado. É evidente que isso repercute na construção de políticas públicas. Não é preciso apenas permitir o acesso aos postos de trabalho, é necessário garantir a participação no processo de ascensão que ainda é muito pequena tanto nos bancos como em outras empresas”, frisou Reis.

Também fez parte da programação uma apresentação do grupo Abadá Capoeira.

Fonte: Contraf-CUT com Seeb Brasília.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.contrafcut.org.br

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31/10/2011

Nova manobra política boicota 20 de novembro

Deputados fazem de tudo para não se posicionar mediante feriado do Dia da Consciência Negra

Mais uma vez líderes do Movimento Negro do Paraná saíram indignados da Assembleia Legislativa. O projeto de lei (PL) 221/2011 que estabelece feriado em 20 de novembro – Dia da Consciência Negra – foi adiado por mais 10 sessões, graças a um requerimento aprovado por 33 votos contra 10. Apenas a bancada do PT e três deputados do PMDB votaram para que o projeto prosseguisse em votação. “Há um medo de vários parlamentares de se comprometer com a pauta do movimento negro, mas também não querem se indispor”, analisa Luiz Carlos Paixão, secretário de Imprensa da APP-Sindicato. Isso explica porque o projeto tem sido adiado há três sessões.

Da primeira vez, na segunda-feira passada, a alegação é que o projeto possuía um erro de digitação.Na quarta-feira, o presidente da casa Valdir Rossi suspendeu a plenária por falta de quórum após quinze minutos de espera, o que foi questionado e repudiado por vários deputados. No início da sessão de hoje, Marcilene Garcia de Souza, socióloga do Instituto de Pesquisa da Afrodescência (IPAD) falou sobre a importância do projeto e Marlei Fernandes de Carvalho, presidenta da APP, também foi à tribuna levar as pautas do servidores, o que devia ter sido feito na sessão suspensa do dia 26.

Desta vez, para fugir da votação, os deputados entregaram o documento alegando ser necessário mais tempo para analisar o assunto. “Esse requerimento é uma tentativa de não votar no projeto. Quem votar a favor está votando contra o movimento negro”, protesta o deputado Professor Lemos, autor do PL. O constrangimento foi tamanho que houve quem pedisse que a votação fosse secreta.

Alguns deputados se defendem alegando que preferem esperar a sanção ou não do feriado pela presidente Dilma. Mesmo com a aprovação nacional, os negros lutam pelo reconhecimento local. “A lei estadual é importante visto que na história do Paraná, infelizmente, tem se omitido a contribuição da população negra”, argumenta Luiz Carlos Paixão. “Nós voltaremos daqui a dez sessões com mais lideranças negras e esperamos a aprovação”, completa.

“Infelizmente os deputados perderam a oportunidade de colocar o Paraná na vanguarda, porque em muitos lugares já se reconhece a importância do negro na sociedade”, lamenta Elizamara Araújo, da Secretaria de Gênero e Igualdade Racial da APP.

A pauta está na assembleia desde 2009, foi reapresentada em fevereiro e obteve o parecer favorável de todas as comissões da casa. A data lembra o aniversário de morte de Zumbi dos Palmares e já é feriado em outros oito Estados. O dia 20 de novembro é celebrado nacionalmente desde 2003, estipulada pela Lei Federal 10.639/03, que também incluiu no calendário escolar a história da África e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro à História do país.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.appsindicato.org.br

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