Debates são preparatórios e elegem os delegados do Paraná para o 31° Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil

O histórico de luta e de organização dos trabalhadores bancários, para avaliar o atual contexto das relações de trabalho diante de crise econômica, política e sanitária, tendo como catalisadora a pandemia do coronavírus, foi o cenário traçado nas análises de conjuntura e debates realizados no Encontro Estadual dos trabalhadores do Banco do Brasil, organizado pela Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-CUT-PR) no último sábado, 27 de junho.

O encontro foi realizado em ambiente virtual, pela plataforma zoom, com a participação de bancários do BB de todo o Paraná, e transmitido ao vivo pelo facebook do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários, Financiários e Empresas do Ramo Financeiro de Curitiba e região (acesse o vídeo no final da matéria). Como parte da construção da pauta de reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários 2020, o Encontro Estadual elegeu os 14 delegados do Paraná, mais o delegado nato, para representação no 31° Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil, que acontece nos dias 10 e 12 de julho. A delegação tem paridade de gênero e proporcionalidade entre o número de sindicalizados nas bases dos sindicatos.

Reflexão sobre o contexto de 2020

“Nós convidamos aqui os presentes para reflexão sobre o luto no país pelas mais de 50 mil mortes causadas pela pandemia”, disse Ana Smolka, dirigente sindical do BB, durante a abertura do encontro. Smolka retomou alguns pontos sobre perdas de direitos para a categoria bancária no período pós golpe de 2016, especialmente com o enxugamento da categoria, potencializado pelos planos de demissão voluntária dos diversos bancos, públicos e privados, sem reposição de trabalhadores.

A dirigente também situou, durante a abertura, o contexto político na prisão sem provas do ex-presidente Lula, a greve geral em 2019, as reformas trabalhista e da previdência, a lei que permitiu a terceirização irrestrita de todas as atividades-fim, e a implantação do teletrabalho, permitido pela reforma trabalhista e que “da noite para o dia foi implantado na categoria bancária”, referindo-se sobre os meses de pandemia, para ela “o pior momento desde o fim do século passado”.

Ana Smolka lembrou que nesse período foram duas Convenções Coletivas de Trabalho, com mais de 900 medidas provisórias assinadas sem debate com a sociedade pelo governo. Que as lutas são pelo emprego, democracia, saúde, “pela garantia de continuar vivo”.

Importância da mesa única de negociação

É nesse cenário, que os trabalhadores bancários organizam em 2020 mais uma campanha salarial, em que a mesa unificada aparece, mais ainda, como fundamental para as negociações. Essa é a avaliação do presidente da FETEC-CUT-PR, Deonísio Schmidt, que também representa o Paraná no Comando Nacional dos Bancários nas negociações com os bancos. “A conjuntura já era difícil antes da pandemia e o país avança com velocidade surpreendente rumo às privatizações. E o Banco do Brasil e a Caixa estão incluídos neste processo”, afirma.

“Nós vamos enfrentar a defesa dos bancos públicos no meio da campanha salarial e talvez esse seja o momento mais importante da história para se manter a mesa única”, alerta Deonísio. “É estratégia importante os 450 mil bancários de todo o país entrarem e saírem juntos”, diz, referindo-se à mesa de negociação para assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho.

Deonísio resume a conjuntura das negociações em duas lutas centrais: defesa da mesa única e defesa dos bancos públicos. Para ele, é preciso fortalecer a defesa da função primordial na gestão pública brasileira: de que os bancos BB e Caixa fomentam programas sociais e populares. Para ele, os setores mais atacados pelo governo, que são a organização dos trabalhadores, incluindo os servidores públicos, devem dar um basta no governo.

“Não somente em Bolsonaro, mas na linha de corte de direitos e de privatizações, também representada por Maia”, afirma, referindo-se ao deputado presidente da Câmara Federal, lembrando que a influência dos bancários nos Senadores para derrubarem alterações na jornada previstas nas MPs 905 e 936 só foram possíveis porque a categoria é fortemente organizada em todo o país.

Situação dos trabalhadores na pandemia

Deonísio afirmou que o contexto da pandemia é grave no Paraná, em que o número de casos e mortes se multiplicou no mês de junho, e criticou a postura do prefeito de Curitiba, Rafael Greca, que responsabiliza o povo, mas mantém o comércio aberto. “É preciso fechar o comércio as estruturas industriais, medidas mais firmes. Não podemos ficar reféns do grande empresariado, precisamos pressionar os governos”.

O Sindicato dos Bancários de Curitiba está produzindo um boletim diário sobre as confirmações e suspeitas, acompanhe aqui.

Importância dos bancos públicos

A representante do Paraná nas negociações com o BB, Ana Paula Busato, que assumiu neste mês a secretaria de imprensa do Sindicato de Curitiba, afirmou que a defesa do BB como banco público é a pauta principal da campanha salarial. “Quando a gente pensa num projeto de sociedade, no papel de financiamento da agricultura familiar, como ferramenta para financiar políticas públicas, para uma sociedade justa e igualitária. A luta é contra Paulo Guedes, para que o banco exerça realmente o papel de fomentar políticas públicas”, defende.

“Não tenho dúvidas do desmonte acontecendo dentro do banco, da precarização do trabalho, da venda fragmentada. Mesmo sem vender o CNPJ, o que resta do banco para a sociedade?”, questiona. A dirigente também lembrou dos ataques ao BB com o achatamento de salários e as demissões voluntárias sem reposição, que são medidas que também enfraquecem a organização dos trabalhadores.

A dirigente também falou sobre a importância do fortalecimento do papel da comunicação do Sindicato no contexto da pandemia, para possibilitar “sonhar com outra sociedade, não por essa colocada agora, que é racista, machista e homofóbica”, destacou.

O papel histórico do Banco do Brasil também foi abordado pelo deputado estadual Tadeu Veneri, que é ex-funcionário do BB e foi convidado para a análise de conjuntura promovida no encontro. Veneri abordou a construção de pertencimento dos funcionários com o banco, afirmando que esse histórico e esse perfil dos trabalhadores do BB, foi se alterando conforme o banco também se modificou, e é preciso resgatar esse entendimento, da importância do BB para a sociedade.

“O papel desse banco talvez seja seu principal ponto de sustentação na sociedade e nós deixamos de contar essa história”, disse Veneri, lembrando que a pandemia expôs a precariedade da segurança alimentar no país, em que as famílias em situação de miserabilidade contam com ações de solidariedade de diversas entidades para não passarem fome, e que o BB fomenta a agricultura, especialmente a agricultura familiar. “É preciso contar a história do BB para a população”.

Tadeu Veneri cita o ano de 1995, quando foi realizado PDV no mês de julho, como um marco da mudança de perfil do BB, em que houve um processo de disfunção dos funcionários.

Conjuntura política adversa

O deputado também mensurou a situação política do país. Para ele, o movimento sindical e, talvez, a sociedade como um todo, considerou que os 12 anos de governos Lula-Dilma tivessem promovido uma “realidade imutável”, mas o governo Bolsonaro age com o caos e o confronto permanente, com agressão à democracia pela via democrática, com uma doutrina de guerra, em que o inimigo deve ser eliminado.

“São ameaças permanentes de controle, que não conseguimos fazer enfrentamento”. Para Veneri, o governo Bolsonaro, especialmente em sua dimensão militarizada, também encara as mortes da pandemia como “perdas de guerra”.

Para ele, o insistente discurso relacionado à ameaça do comunismo tem relação com o desmonte das empresas públicas, como se a Caixa, o BB, os Correios, a Petrobrás, sendo locais de organização dos trabalhadores, fossem onde o comunismo se organiza, resultando num momento para discutir a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza.

O desafio, portanto, é construir espaços para diálogo que não sejam monitorados em tempo integral, pois “hoje estamos perdendo liberdades individuais em nome de pseudo segurança”.

Efeitos da conjuntura econômica e o teletrabalho

O diretor da FETEC Pablo Diaz, funcionário do BB, traçou uma retomada histórica a partir de conceitos de teorias econômicas e relacionadas às revoluções industriais, para situar como o teletrabalho chega em 2020 como realidade na categoria, antecipada pela pandemia.

Ele chama a atenção que se o mundo for visto como construção social e relação histórica, fica mais fácil entender e refletir sobre a quem serve a tecnologia. “A revolução tecnológica é constante e que produz sempre insegurança, que destrói relações sociais”, pondera.

Pablo explica que as raízes do que hoje é o teletrabalho foi começada com a instalação de call centers, na Índia, possibilitados por cabeamento óptico submerso, caracterizando a era informacional. “E a experiência em home office é via disseminação da internet com fibra óptica”, situa, caracterizando um movimento de inclusão digital ilimitado, mas se você tiver pacote de dados, se puder pagar.

O dirigente retomou algumas projeções que foram feitas em 2015 para o setor bancário, demonstrando que tudo se concretizou muito rapidamente: automação, acesso ao banco pelo celular, redução do número de agências, que seriam abertas somente para serviços técnicos, com bancos adquirindo empresas de tecnologias para diminuir custos.

Para Pablo, “a grande catalisadora da precarização do trabalho é a pandemia”, em que os bancos se aproveitam da “oportunidade da crise”, em que a ordem é precarizar. “Somos país periférico em desintegração, não tem novidade sobre o que vai acontecer. A última resistência está nos sindicatos”.

Durante as manifestações dos participantes, a situação do home office no Banco do Brasil foi comentada, com as especificidades sobre uso de equipamentos pessoais, cobrança de jornada, monitoramento em tempo integral por dispositivos do banco. Situações que os sindicatos denunciam e cobram mudanças cotidianamente e que precisam do apoio e participação de todos os trabalhadores, para fortalecer a organização e pressionar por mudanças.

Representantes do Paraná para o Congresso Nacional do BB

CEBB – delegada nata

Ana  Paula Araujo Busato

Curitiba

Ana Luiza Smolka
Cinara Correa de Freitas Tonatto
Michaela Ceranto
Patricia Carbornal da Cruz
Tânia Dalmau Leyva
Rafaela Carolina Pichelli
Silene Aparecida Paulino de Souza
Alessandro Greco Garcia
Dalton Luiz Bilbao
Pablo Sergio Mereles Ruiz Diaz
Wagner Guilhermo Cunha

Londrina

Laurito Porto de Lira Filho

Cornélio Procópio

Luiz Botelho Filho

Campo Mourão

Luis Marcelo Legnani

 

O Encontro Estadual do BB foi transmitido ao vivo pelo facebook. Acesse aqui para assistir.

O que pode melhorar no seu ambiente de trabalho? Preencha a Consulta aos Bancários e ajude a construir a Campanha Nacional dos Bancários 2020.

Fonte: SEEB Curitiba

Escreva um comentário

Rua XV de novembro, 270, sala 510, Centro, Curitiba-PR, CEP 80020-310, Fone (41)-33229885, Fax (41)-33245636, fetec@fetecpr.org.br