Foto: Tarso Sarraf

O Brasil registra mais um dia, nesta quinta-feira (13), de elevado número de mortos pela covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, foram 1.262 novas vítimas, totalizando 105.463 desde o início do surto no país, em março. Já o número oficial de infectados chegou a 3.224.876, com acréscimo de 60.091 no último período.

Os dados foram consolidados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e divulgados no início da noite de hoje. Esses números possuem grande defasagem, de acordo com a ciência. A subnotificação é realidade reconhecida até mesmo por autoridades, já que o Brasil é um dos países do mundo que menos testa para a covid-19.

vírus segue letal no Brasil que tem média diária acima de mil mortos há mais de 10 semanas. Não existe perspectiva de a doença retroceder, já que pouco ou nada tem sido feito pelas autoridades. “Faço questão de reforçar. Não importa se estamos na primeira ou segunda onda e sim que continuamos perdendo vidas. Um dia, a história nos ajudará a entender o papel do Judiciário, das autoridades sanitárias, dos políticos e da classe empresarial na configuração desta tragédia sanitária e humanitária”, afirma o epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Números da covid-19 no Brasil, de acordo com o Conass

Descaso do governo

Enquanto isso, o governo Bolsonaro insiste que “a vida tem que seguir”, enquanto o país soma cada vez mais mortes. O presidente da República segue em sua pregação da cloroquina como medicamento capaz de curar a covid-19. O medicamente é ineficaz, de acordo com estudos reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Ministério da Saúde está sem ministro desde o dia 15 de maio, com o militar Eduardo Pazuello sem experiência anterior na área de saúde pública, ocupando o cargo interinamente. Sua principal medida até aqui foi a mudança na divulgação das mortes. O ministério passou a dar destaque ao número de recuperados da infecção.

“É uma abominação celebrar o número de recuperados. ‘Temos 10 filhos que sobreviveram a balas perdidas’. Não é um número do qual uma família se orgulharia. Nem deixariam de lado o que aconteceu com o 11º”, disse o epidemiologista e divulgador científico Atila Iamarino sobre a postura do governo.

Brasil no mundo

O Brasil é epicentro da pandemia no mundo desde o fim de junho, quando passou a registrar média de mortos acima de mil por dia. Em números totais, o país está atrás apenas dos Estados Unidos. Sozinho, o Brasil tem quase o dobro de mortos dos 11 países que compõem a América do Sul.

Outros países, que adotaram medidas mais severas de isolamento social, já vivem outra realidade. No primeiro epicentro da covid-19, a cidade de Wuhan, na China. até mesmo as máscaras já começam a ser deixadas de lado, com a doença controlada.

Outro caso de sucesso é a Nova Zelândia. São 1.579 casos registrados desde o início do surto, com 22 mortes. A baixa letalidade tem relação com as boas práticas do governo, comandado pela primeira-ministra Jacinda Ardern. Após mais de 100 dias sem contágio no país, um novo lockdown foi decretado em Auckland, após apenas quatro novos casos.

“A cidade de Auckland, Nova Zelândia, surpreendeu o mundo, positivamente, ao decretar lockdown, após a confirmação de quatro casos novos, deixando claro que para manter o vírus sob controle é necessário lutar permanentemente e, acima de tudo, ter o princípio da precaução como maior aliado, especialmente quando não há vacina e/ou medicação específica disponível de forma ágil e universal”, finaliza Jesem.

Fonte: CUT

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