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publicado em 11 de Março de 2019 às 11:39:
Com governo em queda, Bolsonaro espalha fake news para agredir jornalista

INCENDIÁRIO

Presidente usa postagem de site conservador que divulgou gravação de conversa da repórter em inglês, mas falas não têm a ver com as legendas. Ataque à imprensa se dá em meio a denúncias e descrédito
ALAN SANTOS/PR

Bolsonaro fake news

Em mais um espisódio desastroso, Bolsonaro provoca ataque contra jornalista e contra a imprensa, espalhando notícias falsas

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro usou sua conta oficial no Twitter para compartilhar uma acusação falsa publicada pelo site Terça Livre contra uma repórter do jornal O Estado de S.Paulo (Estadão) e atacar a imprensa mais uma vez. Segundo o site, em uma gravação, que teria sido obtida por um jornalista francês, a jornalista Constança Rezende teria dito que “a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”. A frase, no entanto, não aparece nas gravações divulgadas pelo próprio site.

Terça Livre – ligado a ativistas conservadores e simpatizantes de Jair Bolsonaro e tem seu nome frequentemente ligado a divulgação de fake news – divulgou trechos de uma conversa telefônica de Constança sobre as investigações de denúncias contra Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente.

Em seu Twitter, Bolsonaro afirmou que Constança Rezende “diz querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente” e lembra que Constança é filha do jornalista Chico Otavio, repórter do O Globo. O presidente conclui: “Querem derrubar o governo com chantagens, desinformações e vazamentos”.

Chico Otávio, citado pelo presidente, investiga a atuação dos grupos milicianos no Rio de Janeiro.

Logo após o tuíte, grupos governistas promoveram uma série de postagens nas quais acusam o Estadode “mentir” na cobertura do caso Fabrício Queiroz e ameaçando a imprensa em geral. A repórter também foi vítima de ataques e ofensas e cancelou sua conta no Twitter.

Estadão publicou um texto em seu blog de checagem de fake news, com o título “Site bolsonarista distorce entrevista de repórter do Estado o e promove desinformação”.

Na gravação, Constança não fala em “intenção” de arruinar o governo ou o presidente. A conversa, em inglês, tem frases truncadas e com pausas e apenas trechos selecionados foram divulgados. Além disso, as legendas inseridas não correspondem ao que é ouvido na gravação.

Na nota publicada em seu site, o Estado diz que “em determinado momento, a repórter avalia que ‘o caso pode comprometer’ e ‘está arruinando Bolsonaro’, mas não relaciona seu trabalho a nenhuma intenção nesse sentido”.

Negativo

O ataque feito com base em fake news por Bolsonaro contra a jornalista Constança Rezende foi duramente criticado. O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) disse que o presidente comete a agressão em meio às denúncias sobre o suposto envolvimento dos filhos com milícias do Rio de Janeiro, suspeitas de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), e ao escândalo das candidaturas laranjas de seu partido, o PSL.

O jornalista Ricardo Noblat também expôs indignação com o caso. “Raro o governante que convive bem com uma imprensa livre e crítica. Mas nunca na história deste país desde o fim da ditadura militar um presidente atacou tanto a imprensa como esse que mal completou 100 dias no cargo”, disse sobre a fake news divulgada para agredir jornalistas.

“Bolsonaro tornou-se corresponsável por ataques, ameaças e agressões à repórter Constança Rezende após divulgar informação falsa a seu respeito, lançando uma onda de ódio contra ela. Sendo qualquer outra pessoa fazendo isso, já seria inacreditável”, afirmou o jornalista Leonardo Sakamoto.

Relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf ) mostrou que o ex-assessor do filho do presidente, Fabrício Queiroz, movimentou R$ 1,2 milhão em sua conta entre 2016 e 2017. A movimentação inclui repasse de dinheiro para a primeira-dama, Michele Bolsonaro. Em depoimento ao Ministério Público, ele admitiu que recebia parte dos salários de outros servidores do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio, e usava os recursos para contratar outros funcionários. Fonte: Rede Brasil Atual

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