Em todo o mundo, o dia 28 de junho representa a luta por direitos LGBTI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e pessoas Intersex), que une milhões de pessoas, em todos os continentes, confrontando Estados, leis e costumes conservadores nas instituições.

Celebrando os 50 anos da Rebelião de Stonewall, a Parada LGBTI+ em São Paulo teve tom político reforçado, em 2019, por eleição de Bolsonaro / Foto: Paulo Pinto / FotosPublicas

A data é comemorada a partir da revolta de Stonewall Inn, em 1969, na cidade de Nova Iorque. Na época, batidas policiais em locais frequentados pela comunidade LGBTI eram corriqueiras. Quando um desses procedimentos ocorreu no bar Stonewall Inn, uma revolta que durou alguns dias se iniciou, tendo como epicentro o bairro de Greenwich Village. O movimento é considerado um marco político dos direitos civis e teve um impacto internacional.

“Foi um movimento liderado, principalmente, por drag queens, pessoas trans, negras e latinas, pobres, que mais ocupavam o bar, na época, assim como gays afeminados. Hoje se a gente tem uma série de conquistas para o movimento, mas quem ainda tem ficado para trás é a população trans. O Brasil é país onde mais se mata pessoas trans no mundo. Nos EUA, onde estou estudando atualmente, este índice nos últimos meses também tem sido assustador”, comentou Luiza Ferreira Lima, antropóloga, doutoranda do programa de pós-graduação em antropologia social da USP

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A questão de diversidade sexual, direitos humanos e as pautas LGBTI+ estão dentro do fluxo de tensões e disputas de projetos, ora conservadores e ora progressistas, da política brasileira.

João Filipe Cruz, militante LGBT, mestrando em sociologia (USP) e pesquisador do Núcleo de Sociologia, Gênero e Sexualidade (NÓS/USP), identifica avanços interessantes na forma de organização dos movimentos.

“O que  a gente entende hoje por movimento LGBTI+ é composto por uma grande variedade de grupos com diferentes formas de organização, de atuação e segmentos sociais que os compõem. Nesse sentido, tem se fortalecido os chamados coletivos com formato menos hierárquico e menos formal”, explica Cruz.

Entre os avanços, são destaques a união estável e a criminalização da homofobia, consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). São avanços que ajudam a mudar um pouco a sociedade, na avaliação de Cruz.

“Por exemplo, ao mesmo tempo em que temos um ativismo religioso conservador, exercido por fundamentalistas religiosos, a gente também tem a existência de grupos religiosos inclusivos”, afirma.

Juca Guimarães
Edição: Rodrigo Chagas
Brasil de Fato

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