Evento aconteceu no dia 29 de junho e foi preparatório para 30º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB) e 35º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef).

(Fotos: Joka Madruga/SEEB Curitiba).

Foi realizado no último sábado, 29 de junho, o Encontro Estadual de Trabalhadores e Trabalhadoras do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. O evento reuniu bancários de todo o estado do Paraná para debater a importância dos bancos públicos e preparar propostas que serão encaminhadas para o 30º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB) e para o 35º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef).

A abertura contou a presença da deputada federal Erika Kokay (PT-DF), que realizou uma ampla análise de conjuntura, apontando as semelhanças do atual governo Bolsonaro com o período de privatizações de empresas públicas na década de 1990. “Nós já enfrentamos um período agudo de privatizações, sob lógica de “estado mínimo” para o provo brasileiro e do “estado generoso” para com as elites. E sabemos que a intenção de privatização começa justamente com a retira de direitos dos trabalhadores”, resumiu.

Na sequência, a deputada elencou os principais movimentos que indicam a redução de custos como preparação para favorecer as privatizações, tais como: plano de demissão voluntária, reestruturações na carreira e na ascensão profissional, cortes nos planos de saúde e previdência, venda de ativos e abertura para o mercado privado. “Ou seja, estamos sofrendo ataques por um modelo econômico que não favorece o capitalismo produtivo, pelo contrário, favorece apenas o capital financeiro e improdutivo”, resumiu Erika.

Para ela, o capital rentista (improdutivo e financeiro) não tem relação com o mundo do trabalho, já que não tem compromisso com a produção. Se não produz, não emprega; não tem preocupação com a infraestrutura, nem com os insumos; e não favorece o crédito produtivo, não precisando, portanto, dos bancos públicos. “O resultado é um cenário de desemprego estrutural e informalidade, como o que estamos vivenciando, com mais de 30 milhões de trabalhadores em situação de desalento, desemprego e subemprego”, justificou.

“Temos um governo que não consegue esconder sua intenção privatista, que tem um ministro da economia dono de um banco privado. E, por mais que não se fale abertamente em privatização dos bancos públicos, faz-se uma privatização por dentro”, sentenciou Erika Kokay, enumerando os principais indícios: saída da Caixa do Conselho Curador do FGTS; destruição da carteira de ativos de terceiros; possibilidade de leilão da Lotex; esqueletização da Caixa e do BB; não valorização dos trabalhadores dos bancos públicos; inclusão de pessoas do mercado nos Conselhos de Administração; e desqualificação das empresas públicas, estimulando e fortalecendo a concorrência.

Ao final, a deputada federal falou dos principais pontos da Reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro e que tramita na Câmara, destacando os riscos do sistema de capitalização e as maldades com as mulheres, as pessoas com deficiência e os trabalhadores rurais. “Trata-se de uma proposta extremamente cruel, que vai atacar as pessoas de baixa renda, aprofundar as desigualdades e desconstruir a Seguridade Social e a proteção social estabelecida constitucionalmente”, resumiu.

Banco do Brasil 
Após a primeira parte do Encontro Estadual, os funcionários do BB se dedicaram a debater as condições de trabalho e a organização do movimento de representação dos trabalhadores, além de temas relacionados à saúde, à previdência, à Caixa de Assistência (Cassi) e à Caixa de Previdência (Previ). O debate contou com a presença da diretora de Planejamento da Previ, Paula Goto, e do ex-diretor eleito da Cassi William Mendes.

“Tivemos um dia bastante rico, com um amplo debate da conjuntura política, além da oportunidade de discutir e melhorar nossa comunicação e organização dos trabalhadores”, avalia Ana Paula Busato, representante do Paraná nas negociações com o BB. Ao final do dia, foram elaboradas as propostas que serão encaminhadas nacionalmente e eleitos os delegados para o 30º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB), que acontece nos dias 01 e 02 de agosto, em São Paulo.

Caixa Econômica Federal
Os representantes dos empregados da Caixa também realizaram debates sobre condições de trabalho, saúde e previdência, elaborando propostas para serem encaminhadas ao 35º Congresso Nacional dos Empregados da Caixa Econômica Federal (Conecef), que será realizado em São Paulo, entre os dias 01 e 02 de agosto. O foco das discussões foram o Saúde Caixa e a Fundação dos Economiários Federais (Funcef). Ao final, foram eleitos os delegados estaduais para o Conecef.

“Nos debates, ficou clara a importância da defesa e do fortalecimento do papel da Caixa como empresa 100% pública. A venda de ativos já anunciados – Caixa Seguridade, Caixa Cartões, Lotex e participações no IRB e Petrobras (venda de ações) –, a perda de assento no Conselho Curador do FGTS e as Resoluções CGPAR 23 (saúde) e 25 (previdência complementar) são sinais claros dos inúmeros ataques, que pretendem retirar a sustentabilidade e o equilíbrio financeiro da empresa”, avalia João Paulo Pierozan, representante dos bancários do Paraná nas negociações com a Caixa.

Fonte: SEEB Curitiba

Autor: Renata Ortega

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