Audiência pública na Assembleia Legislativa do Paraná debateu feminicídio e violência doméstica

Foto: Dálie Felberg/Alep

“Não podemos esperar que aconteça com nossa família e nossos filhos para demonstrar nossa indignação”, afirmou a bancária Cristiane Zacarias, que representou o movimento sindical na audiência pública “Feminicídio, Violência Doméstica e os Aspectos Sociais nas Vítimas Indiretas”, realizada no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná, na última terça-feira, 12.

“O enfrentamento à violência contra a mulher também deve ser feito pela sociedade. A gente não vê esse debate nas escolas, nas creches, nos postos de saúde. A educação é essencial. É inconcebível que não se possa falar de gênero na escola, que a criança não saiba que a mãe não pode apanhar do pai”, declarou Cristiane.

A dirigente realizou sua fala em memória da menina Rachel Genofre e de Marielle Franco, reafirmando que o governo Bolsonaro incita a violência de gênero quando diz que a mulher é inferior e quando diz que um filho seu não namoraria uma mulher negra.

As reflexões e contribuições trazidas à audiência foram no sentido de chamar a atenção para as demais vítimas de feminicídio, além das mulheres assassinadas: as filhas e filhos das vítimas. Esse histórico de violência, que não fica restrito ao crime, foi demonstrado com os relatos de Gilmar Quintilhano e de sua mãe, Dalzira Maria Aparecida, que criou as sete crianças órfãs do feminicídio de Alice Quintilhano, que ocorreu há mais de 40 anos. Gilmar era um bebê de 1 ano e 7 meses quando a mãe foi assassinada a marteladas pelo pai. Seus irmãos souberam do crime por uma notícia na TV e eles foram criados por familiares que já convivam em oito pessoas, sem qualquer auxílio e acolhimento.

“Tive que trabalhar o feminicídio sem gerar o ódio, com as crianças crescendo sabendo quem era o pai e quem era a mãe, que morreu por um homem que não sabia respeitar a mulher na sociedade”, disse Dalzira. Os reflexos na vida de Gilmar foram o alcoolismo e as dificuldades em relacionamentos. Sua recuperação após quatro décadas de dependência se materializaram na criação do Instituto Alice Quitilhano, em homenagem à memória de sua mãe e que presta auxílio a familiares de vítimas de crimes contra mulheres.

A audiência pública foi uma proposição do deputado estadual Ariolson Chiorato (PT), junto às deputadas Luciana Rafagnin (PT), Cantora Mara Lima (PSC), Cristina Silvestri (PPS), Goura (PDT) e Professor Lemos (PT), que anunciou a criação, no dia 3 de dezembro, da Frente Parlamentar dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres.

A audiência pública também teve a participação da vereadora em Curitiba Noemia Rocha (MDB), que apresentou dados de atendimento à mulher vítima de violência no município. Desde 2017, foram atendidas pela Casa da Mulher Brasileira 37 mil mulheres.

A procuradora do Ministério Público Mariana Seifert Bazzo, uma das autoras do livro “Crimes contra Mulheres – Lei Maria da Penha, Crimes Sexuais e Feminicídio”, apresentou dados históricos sobre como a mulher é vista na sociedade pela filosofia, pelo direito e pela imprensa e como a legislação penal e civil sobre gênero não avança ou demora a avançar e que isso reflete nas estatísticas dos assassinatos de mulheres.

Também participaram da audiência a pedagoga Maria Isabel Correa, Presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher; o professor Uipirangi Câmara, doutor e mestre em Ciências da Religião; a assessora técnica da assessoria de Direitos Humanos e Políticas para as Mulheres da Prefeitura de Curitiba, Gléri Bahia Mangger; a psicóloga e diretora Psicossocial do Instituto Alice Quintilhano, Claudia Aline Alves de Lima; e a diretora jurídica do Instituto Alice Quintilhano, Gessika Cristiane Bonetto.

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Acesse aqui o vídeo com a íntegra da audiência

Por Paula Zarth Padilha
FETEC-CUT-PR

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