Foto: Tiago Nhandewa

O pedagogo Tiago Nhandewa, da etnia Guarani-Nhandewa, lançou seu primeiro livro, Quando eu caçava tatu e outros bichos. Se o objetivo inicial da obra era dar destaque à literatura indígena, a pandemia da covid-19 fez o escritor indígena mudar seu propósito: reverter o valor arrecadado para ajudar sua aldeia no combate à doença.

De acordo com ele, na Terra Indígena Araribá há quatro aldeias e não houve contágio, já que há um protocolo interno. Entretanto, a Fundação Nacional do Índio (Funai) não dá o aparato necessário para os povos tradicionais. “O livro servirá para ajudar a comunidade na prevenção e combate, comprando kits de higiene”, afirma Tiago à jornalista Marilu Cabañas.

O escritor indígena conta que já estava decidido, desde o início da elaboração do livro, que o lucro da venda seria destinado a projetos sociais na sua comunidade. “Eu sou professor há 16 anos e observo que as escolas possuem poucos livros de autoria indígena. Desde então, quis fazer algo para somar e promover novos escritores”, explica.

A obra registra contos e memórias de aventuras de meninos indígenas. As histórias se passam em um determinado tempo e realidade nas aldeias onde autor mora e passou sua infância. A obra também procura quebrar estereótipos relacionados à cultura indígena.

“O livro vai além das histórias, trazendo o contexto mais do século 21. Por exemplo, não fazemos mais as caçadas, pela nova dinâmica da sociedade. Então, esse cenário retrata essa realidade que vivi, mas mostrando também o entorno das aldeias, com a monocultura do eucalipto e cana de açúcar. Essas áreas foram restringidas e tiraram nosso acesso para além das áreas demarcadas”, afirma.

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