A Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-CUT/PR) segue na luta contra o sucateamento do Banco do Brasil. A federação está enviando aos deputados federais do Paraná uma carta explicando o porquê de o BB ser importante e de como uma possível privatização afetaria bastante o nosso Estado.

De acordo com o presidente da Fetec, Deonísio Schmidt, o material busca conscientizar os parlamentares sobre a importância do banco para o País. “O Banco do Brasil é o banco da agricultura familiar. Responde por quase 60% do crédito agrícola, entre outros. Estejam certos que se o BB for privatizado, o preço dos alimentos, que já é alto graças à inoperância deste desgoverno, vai subir consideravelmente. Entendemos que é nosso dever alertar os deputados e mostrar os prejuízos que teremos já a curto prazo”, explica.

Deonísio ainda ressalta que este processo de sucateamento vai causar transtornos para quem é correntista do BB. “A reestruturação prevê fechamento de agências, demissões de cinco mil trabalhadoras e trabalhadores e outras questões. Certamente teremos filas nos bancos e funcionárias e funcionários esgotados. Todos vão perder”, salienta.

Confira abaixo a carta enviada pela Fetec aos deputados federais do Paraná

“Defender o Banco do Brasil é defender o futuro do Brasil”

 

A Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Estado do Paraná (FETEC-CUT-PR), entidade que representa os sindicatos de bancários de Curitiba, Londrina, Umuarama, Apucarana, Paranavaí, Guarapuava, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Toledo e Arapoti vem a vossa excelência manifestar profunda preocupação com o futuro de uma das mais importantes empresas públicas brasileiras, o Banco do Brasil.

A direção da empresa, por meio de seu presidente André Brandão, anunciou no dia 11 de janeiro deste ano, processo de reestruturação, fechando 112 agências, transformação de 244 em postos de atendimento, sete em áreas de negócios, demissão de mais de cinco mil trabalhadores.

O deputado por São Paulo Kim Kataguiri apresentou na Câmara dos Deputados o PL 461/2021 que altera a Lei 9.491 de 1997 propondo a inclusão do Banco do Brasil no Programa Nacional de desestatização. Nos preocupa, neste projeto de lei, a falta de olhar estratégico e do compromisso para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. O Banco do Brasil é responsável por quase 60% de todo o crédito agrícola disponível; financia a agricultura familiar, responsável pela produção de 70% de todos os alimentos consumidos pelos brasileiros; financia o agronegócio, responsável por 43% das exportações brasileiras.

A nosso ver, este processo de reestruturação é uma etapa para a privatização, deixando principalmente os agricultores paranaenses e brasileiros reféns dos bancos privados, que têm por objetivo central, e a qualquer custo, o maior lucro no menor espaço de tempo possível, com juros e custos de serviços maiores, tornando a produção e por consequência o preço dos alimentos mais caros, contribuindo para o aumento da fome e da insegurança alimentar.

A demissão de mais de cinco mil bancários e bancárias, a retirada compulsória de parte significativa da renda de outros milhares, impactará diretamente na economia. O efeito multiplicador com a perda da renda destes trabalhadores, refletirá em outros ramos do sistema produtivo, o que será sentido ao longo do tempo, podendo perdurar por mais de 20 anos. Salientamos que estes postos de trabalho não serão repostos, precarizando o atendimento.

Neste sentido, solicitamos a vossa excelência a manifestação contrária a estas medidas, fazendo intermediação com a direção do Banco do Brasil e junto a presidência da República no sentido de recusa à reestruturação, bem como o pedido de retirada do PL 461/2021.

 

Honrados,

 

FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES EM EMPRESAS DE CRÉDITO DO ESTADO DO PARANÁ

Deonisio Venceslau Schmidt

Presidente

 

Texto: Flávio Augusto Laginski

Fonte: Fetec

 

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