Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

Os Correios tiveram lucro líquido de R$ 614 milhões no primeiro semestre de 2020 e até o final do ano com as entregas de Natal e outras encomendas, a previsão é que chegue a R$ 1,5 bilhão.  Apesar deste imenso lucro, o governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL) insiste na privatização de um dos serviços mais importantes para a população brasileira, especialmente para os moradores de pequenos municípios, distantes das metrópoles sem acessos a serviços bancários, à internet e outros meios de comunicação.

Para defender o direto da população a essas políticas públicas, em defesa da soberania nacional e da manutenção dos direitos dos 100 mil trabalhadores e das trabalhadoras dos Correios, que ganham em média de R$ 1.700,00 a R$ 1.900,00 mensais, que quase 70% da categoria estão em greve há 28 dias, completados nesta segunda-feira (14).

Sem aceitar as negociações feitas pela ministra Kátia Arruda, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a direção dos Correios demonstra mais uma vez que quer privatizar a empresa a qualquer custo, acredita Amanda Corsino, secretária da Mulher da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) e presidenta do sindicato da categoria, em Brasília.

“Esta greve não é só dos trabalhadores dos Correios, ela é do conjunto da classe trabalhadora que sabe que o governo tem a intenção fazer da estatal uma das primeiras a serem privatizadas. Se isso acontecer vai se abrir uma nova era de privatizações no nosso país, por isso nós temos que lutar e resistir contra a privatização dos Correios para evitar também o desmonte das outras empresas públicas”, declara Amanda.

Por entender este contexto que entidades, sindicatos e parlamentares se uniram na última sexta-feira (11) num Dia Nacional de Luta em Defesa dos Correios e de Apoio à Greve dos Trabalhadores. Na mesma data ocorria  a audiência de conciliação promovida pelo TST, mas a direção da empresa se recusou a negociar qualquer cláusula e as propostas da ministra Kátia Arruda.

Na audiência de conciliação, conta Amanda Corsino, a ministra tentou várias vezes negociar. Primeiro sugeriu que houvesse um acordo em torno das cláusulas sociais, entre elas o direito das mulheres amamentarem seus filhos duas vezes ao dia e manter políticas contra o assédio moral e sexual, entre outras. A empresa se recusou. Kátia Arruda então perguntou se os Correios não poderiam aceitar manter os direitos conquistados anteriormente, sem reajustes salariais. Diante na nova negativa, sugeriu que apenas as cláusulas econômicas fossem a julgamento. Mais uma vez a direção se negou a ceder em favor dos trabalhadores. Diante do impasse, a ministra marcou o julgamento da greve para a próxima segunda-feira (21).

“A empresa de prontidão respondeu que não tinha acordo, que a proposta dela era manter apenas nove cláusulas, retirando 70 itens de acordos coletivos anteriores e que iria seguir a legislação vigente. Isto de certa forma chocou a ministra que afirmou que seguir a legislação trabalhista é obrigação, não concessão de direitos”, afirma Amanda.

Fonte: CUT

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