“Grande desafio da CUT é educação previdenciária para todos os trabalhadores, desde a juventude”

Presidente da CUT de 2003 a 2005 e hoje prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho fala da importância dos 30 anos da Central e do desafio de ir além do local de trabalho e ouvir as ruas

Escrito por: Luiz Marinho*

Dirigir a CUT é um desafio enorme para qualquer um. É um desafio coordenar as ações de várias categorias em um País de dimensões continentais como o nosso. Mas acredito que todos os que passaram pela Central nesses 30 anos, desde aquele frio 28 de agosto de 1983, aqui em São Bernardo do Campo, cumpriram muito bem o seu papel.

Eu assumi a direção da CUT na metade de 2003, um momento importante para os trabalhadores. Tínhamos o desafio de buscar manter o equilíbrio entre a atuação junto ao primeiro governo do presidente Lula e a luta por algumas questões que pudessem ficar como legado positivo para os trabalhadores.

E acredito que conseguimos deixar grandes marcas: implementamos um vigoroso programa de comunicação; concebemos, conceituamos  e consolidamos o empréstimo consignado, que acabou virando uma política pública que fez diferença na economia, principalmente no bolso dos trabalhadores; e conceituamos a política de correção permanente do salário mínimo, que depois eu consolidei quando assumi o Ministério do Trabalho.

Hoje, os desafios são outros e bem diversos para dirigentes e filiados à Central. Ao completar 30 anos, a CUT precisa exercer seu papel de protagonista nas lutas por direitos que vão além do ambiente de trabalho, como transporte/mobilidade urbana, saúde, educação e cultura e lazer. Esse é o momento de ouvir o que querem dizer as ruas, incorporar suas ideias.

Por conta dos governos do presidente Lula e da presidenta Dilma, a Central hoje tem uma participação mais ativa nos vários fóruns de decisão do poder público e está no centro da mesa de negociações de questões extremamente importantes para a classe trabalhadora: como o Plano Brasil Maior, o Inovar-Auto e os vários conselhos automotivos. Mas é preciso mais.

Temos a tarefa de apontar no sentido de fazer a transição para o mundo de hoje e de amanhã. Precisamos interferir no processo de inovação tecnológica e no novo modelo de desenvolvimento que se apresenta.

Por fim, creio que o grande desafio que se coloca para a CUT é a necessidade de um processo de educação previdenciária para os trabalhadores, desde a juventude. O País caminha muito rápido em um processo no qual as pessoas vivem mais.  E se faz necessário criar nos trabalhadores uma cultura previdenciária de longo prazo. Que tenhamos a capacidade de colocar a CUT em sintonia com os dias de hoje e inserir os trabalhadores nessa nova realidade do País.

*Luiz Marinho foi presidente da CUT Nacional entre 2003 e 2005, ministro do Trabalho de 2005 a 2007 e da Previdência Social de 2007 a 2008 no governo Lula. Hoje exerce seu segundo mandato como prefeito de São Bernardo do Campo pelo PT

Artigo colhido no sítio http://www.cut.org.br/destaques/23636/grande-desafio-da-cut-e-educacao-previdenciaria-para-todos-os-trabalhadores-desde-a-juventude

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“Presidir a CUT foi uma das melhores experiências que vivenciei como sindicalista”

Presidente da Central de 1994 e 1997, o deputado Vicentinho afirma, em artigo exclusivo para os 30 anos, que a CUT aproximou o sindicalismo brasileiro das lutas sociais

Por Vicentinho

Tive a honra de presidir a maior Central Sindical da América do Sul, por dois mandatos consecutivos, em 1994 e 1997. Foi uma das melhores experiências que vivenciei como sindicalista. Minha militância no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, do qual também fui presidente, ajudou muito. Tudo o que aprendi ali contribuiu para que pudéssemos concretizar as lutas aprovadas no congresso da CUT e consolidar os objetivos preconizados no estatuto da central.

Pudemos perceber, naquele momento, a necessidade de aproximarmos o sindicalismo brasileiro das lutas sociais, notadamente sobre a questão racial e da mulher trabalhadora, por exemplo. Assim, criamos as comissões nacionais para tratar desses temas no âmbito da CUT, o que se mostrou extremamente correto, haja vista o quanto evoluímos nessas questões.

A CUT nasce sob o signo da defesa intransigente da classe trabalhadora. São 30 anos de significativas lutas e conquistas. Avançamos em nossas convicções de organização sindical e inovamos ao propor o fim do imposto sindical, para acabar com sindicatos de fachada e conter as falsas representações.

Avançamos quando nos inserimos nas discussões sobre a organização internacional da classe e investimos pesadamente na formação sindical, abrindo escolas de formação e proporcionando cursos para os nossos dirigentes e base.

Participamos ativamente das diversas comissões que envolvem os temas nacionais e as políticas de Estado. Nossa presença no Conselho Curador do FGTS e do FAT são exemplos da nossa representatividade.

Lutamos por muitos anos pelo reconhecimento oficial da nossa existência e representatividade, o que só foi conquistado com o advento do governo popular e democrático. No Parlamento, com muita dignidade, fui o relator da proposta de reconhecimento das Centrais Sindicais.

Com as conquistas dos últimos anos devemos continuar apoiando o desenvolvimento do nosso País com a garantia de políticas públicas de crescimento com inclusão social, distribuição de renda e geração de empregos. Mas não nos esqueçamos das bandeiras de lutas que ainda tremulam em nossas mãos, como a redução da jornada de trabalho (sem redução de salários), o fim do trabalho escravo (com punição exemplar a quem o pratica), a regulamentação da terceirização (sem a precarização das condições de trabalho e salários), o fim do fator previdenciário (com instituição de justas regras), entre outros temas de fundamental relevância.
Viva a classe trabalhadora!


Viva a CUT!

*Vicentinho é deputado federal pelo PT de São Paulo

Artigos colhidos no sítio http://www.cut.org.br

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