Foto: EBC/STJ

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Martins, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso às mensagens entre procuradores da operação Lava Jato. O objetivo é apurar a intenção da força-tarefa em investigar a movimentação patrimonial de ministros sem autorização judicial.

De acordo com mensagens reveladas na Operação Spoofing, que teve seu acervo compartilhado com a defesa do ex-presidente Lula, os procuradores da Lava Jato Deltan Dallagnol e Diogo Castor de Mattos falavam sobre fazer uma “análise patrimonial” dos ministros por meio da Receita Federal.

O advogado Fabiano Silva dos Santos, mestre em Direito e professor universitário, diz que o caso envolvendo STJ e Lava Jato como “grave“. “É de extrema gravidade ver que procuradores de primeira instância pretendiam investigar ministros do Superior Tribunal de Justiça do nosso país. E me parece, pelas trocas de mensagens, que eles tinham informações privilegiadas de dentro da Receita Federal para ‘ameaçar’ ministros via matérias na mídia”, disse, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, nesta quinta-feira (4).

Mensagens no TCU

A presidenta do Tribunal de Contas da União (TCU), Ana Arraes, também apresentou ao STF um pedido para ter acesso a mensagens vazadas para analisar o possível conflito de interesses por parte do ex-juiz federal Sergio Moro, pelo fato de ter se tornado sócio-diretor da Alvarez & Marsal, empresa administra a recuperação judicial da Odebrecht.

Para o advogado, as práticas ilegais da operação Lava Jato contra seus alvos sempre foram denunciadas, mas as mensagens vazadas explicitaram a parcialidade de Sergio Moro. “Ele não era o juiz, mas o chefe da força-tarefa da investigação, atuando em conluio com todos os procuradores. Esse pessoal criou uma república paralela indo além dos limites da nossa Constituição”, afirmou.

Na avaliação dele, a operação não teria o mesmo êxito sem o apoio da mídia comercial. “A Lava Jato sempre foi alicerçada no marketing, porque nunca houve técnica jurídica. Se houve corrupção nas empresas, ela precisa ser combatida, mas não podemos utilizar o processo penal para perseguir pessoas. O apoio da grande imprensa continua até hoje e não noticiam as coisas como são”, criticou.

Fonte: RBA

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