No dia 4 de setembro, a Organização Internacional do Trabalho (OIT – www.oit.org.br) divulgou pesquisa na qual revela que dos 106 milhões de jovens entre 15 e 24 anos na América Latina, 10 milhões estão desempregados e 22 milhões não estudam ou trabalham regularmente. É como se praticamente todos os moradores do Chile (16 milhões de habitantes) e do Equador (14 milhões) estivessem desempregados.

Some-se a mais um dado alarmante da pesquisa da OIT, que aponta outros 31 milhões de jovens trabalhando na informalidade, e tem-se o quadro da precariedade com que a AL enfrentará o século 21.

“Em todo o mundo homens e mulheres jovens, quando têm oportunidade, realizam importantes contribuições como trabalhadores produtivos, empresários, consumidores, membros da sociedade civil e agentes de mudanças”, declarou o diretor-geral da OIT, Juan Somavia, que advertiu: “Condenados ao desemprego, a empregos informais ou a condições de emprego precárias, os jovens costumam encontrar-se em meio a um círculo vicioso de pobreza que afeta a auto-estima, gera desalento e limita suas esperanças”.

Os problemas com a falta de emprego refletem também na qualidade de vida e até no sistema imunológico. Pesquisa publicada na revista Psychosomatic Medicine (nº 69, de 2007) observou 200 trabalhadores (100 deles desempregados) com idade entre 29 e 45 anos durante quatro meses. Aqueles que permaneceram constantemente desempregados apresentaram valores do sistema de defesa mais baixos do que os empregados. Entretanto, quando algum desses participantes alcançou o emprego, esses níveis tornaram-se significativamente maiores, demonstrando uma substancial recuperação da função do sistema imunológico (de 44% antes do emprego, para 72%, com a sua aquisição).

Alternativas

Uma das campanhas da OIT encampadas pelo movimento sindical cutista diz respeito à criação de empregos decentes, isto é, com remuneração justa, respeito às leis trabalhistas do país e ao meio ambiente. Para isso, é necessário, segundo a OIT, uma articulação de fatores que passa pelo incentivo à educação de qualidade, aumento da produtividade e medidas governamentais como menores alíquotas de Previdência Social para quem está ingressando no mercado de trabalho entre outros.

Em relação ao Brasil, o relatório aponta o Prouni como uma das iniciativas positivas no combate às desigualdades sociais e à capacitação de jovens para o mercado de trabalho. O estudo segmentado do Brasil ainda não está concluído pela OIT.

“Os jovens que procuram emprego são conscientes das exclusões que sofrem por motivos de gênero, procedência geográfica, raça, aparência, origem étnica, idade e até políticos. Para se obter um posto de trabalho ou progredir na empresa, fazem–se diferenças entre trabalhadores com rendimento semelhante e aplicam–se procedimentos discriminatórios que classificam as pessoas por critérios não relacionados ao desempenho profissional”, conclui o estudo. Aliás, discriminação de trabalhadores é algo que as empresas brasileiras conhecem bem.

Algumas conclusões do estudo

Dos 106 milhões de jovens na América Latina e no Caribe, em 2005, 48 milhões trabalhavam, 10 milhões estavam desocupados e aproximadamente 48 milhões em condição de inativos. Ao mesmo tempo, cerca de 49 milhões de jovens estavam estudando, o que – considerando apenas estas duas variáveis – gera diversas situações:

• os jovens que estudam e trabalham são 13 milhões,

• os inativos que estudam são 32 milhões e

• os desempregados que estudam são quatro milhões.

De outro ponto de vista:

• os que trabalham e não estudam são 35 milhões,

• os desempregados que não estudam são seis milhões e

• os inativos que não estudam são 16 milhões.

Por Norian Segatto.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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