O projeto político de Bolsonaro em deixar a população mais carente em situação próxima da miséria segue com força total. A inflação acumulada para famílias com renda muito baixa, menor do que R$ 1.808,79 por mês,  até setembro, foi de 10,98%, ante os 10,25% registrados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Isso significa que pessoas nesta faixa de renda sofrem muito mais com a inflação em comparação com as classes mais abastadas. Para efeito de comparação, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou que a inflação para as pessoas carentes foi de 2,07% maior do que para as pessoas inseridas na classe que ganham acima de R$ 17.764,49.

O resultado disso podemos ver nos telejornais. Pessoas disputando para levar ossos e carcaças para poder ter algum tipo de proteína em sua alimentação, que ficam sem condição de pagar por uma moradia decente, entre outros pontos.

Para o presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-CUT-PR), Deonísio Schmidt, uma combinação de fatores fez com que o Brasil  voltasse para um tempo que há muito estava esquecido. “Estamos regredindo a passos largos para um passado que estava superado. Voltamos a conviver com inflação, fome, desemprego, entre outros males. Essa tragédia anunciada iniciou com o impeachment da presidenta Dilma, passou pelo desastre do golpista Temer, continuou com a armação da Lava Jato ao tirar Lula da disputa e agora culmina com a necropolítica do governo atual. Será preciso muito trabalho e um governo alinhado com as trabalhadoras e trabalhadores para rever este quadro”, avalia.

Carestia

De todos os problemas atuais no Brasil, talvez o que mais chame a atenção é a fome. Se há alguns anos as pessoas mais carentes conseguiam fazer as três refeições diárias, hoje o cenário é outro. Com a inflação nas alturas, o termo carestia voltou a aparecer. Para o economista e secretário de formação da Fetec Pablo Diaz a situação atual tende a piorar. “Acredito que o titereiro seja o Paulo Guedes, ministro da economia e guru do ditador chileno Pinochet, e a marionete seja Bolsonaro, uma vez que o presidente demonstra que não tem qualquer traço de inteligência e segue cegamente o ministro. Essa turma toda não esconde que quer deixar a população carente subjugada, com fome e sem direitos. Infelizmente, eles vêm obtendo êxito. A carestia (termo que indica encarecimento do custo de vida) é apenas a ponta do iceberg. Vem mais chumbo contra os trabalhadores por aí”, acredita.

Diaz aponta também que a “dolarização” na Petrobras vem contribuindo sensivelmente para o aumento da carestia. “Grande parte da carestia está atrelada ao dólar. A Petrobras, que está entregue aos estrangeiros, vende em dólar para uma população que ganha em real. Quando sobe o combustível, sobe o frete e o custo de produção pro agricultor, que precisa importar defensivo agrícola, porque se fechou tudo aqui no Brasil, inclusive a nossa de amônia aqui em Araucária. Estão desindustrializando para importar. Isso é burrice ou alguém está ganhando muito. Guedes aumentou consideravelmente seu patrimônio neste período, como vimos recentemente. A carestia é para o povo. Não para ele”, salienta.

Dados do Ipea

De acordo com o Ipea, os itens que mais subiram para as famílias de renda muito baixa:

. carne, com alta de 24,9%,

. aves e ovos (+26,3%),

. leite e derivados (+9%).

. reajustes de 28,8% da energia, e

. do botijão de gás, de 34,7%.

Já para as famílias de renda mais alta, o que pesou foi:

. 42% de alta nos combustíveis,

. 56,8% de reajuste nas passagens aéreas,

. 14,1% dee alta nos transportes por aplicativo, e

. 12,1% dos aparelhos eletrônicos.

De acordo com o Indicador de Inflação por Faixa de Renda do Ipea, foi registrada aceleração da taxa de inflação para todas as faixas de renda no mês de setembro, mas a inflação foi mais acentuada para as famílias de renda muito baixa (1,30%), comparativamente à apurada no grupo de renda mais elevada (1,09%).

Confira aqui a íntegra do estudo.

Faixas de renda:

. rendimento muito baixo: R$ 1.808,79 por mês

. rendimento baixo, entre R$ 1.808,79 e R$ 2.702,88,

. renda média, entre  R$ 2.702,88 e R$ 4.506,47,

. mais ricos, renda mensal de R$ 17.764,49.

Texto: Flávio Augusto Laginski, com informações da CUT

Fonte: Fetec

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