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Demissões no Banestado-Itaú

(27/03/2001)

Base sindical Funcionários do banco Seguradora e corretora Terceirizados Estagiários Outros Total
Apucarana 21 . 6 . . 27
Arapoti 12 . 1 . . 13
Campo Mourão 14 . . . . 14
Cornélio Procópio 16 . . . . 16
Curitiba 326 60 143 . . 529
Gauarapuava 12 . . . . 12
Londrina 48 . 52 3 4 107
Paranavaí 18 . 1 2 . 21
Toledo 8 . . 9 1 18
Umuarama 15 . 5 . 21 41
Cascavel 10 . . . . 10
Cianorte 7 . . . 1 8
Goioerê 1 . . . 2 3
Foz do Iguaçu 8 .. . . . 8
Maringá 40 . . . . 40
Paranaguá 3 . . . . 3
Pato Branco 15 . . . . 15
Ponta Grossa 20 . . . . 20
Telêmaco Borba 4 . .. . . 4
União da Vitória 4 . . . . 4
ABC Paulista 4 . . . . 4
Bauru 2 . . . . 2
Campinas 1 . 1 1 . 3
Campo Grande . . 1 . . 1
Chapecó 1 . . . . 1
Florianópolis 2 . . . . 2
Guarulhos 1 . . . . 1
Rio de Janeiro 9 . . . . 9
São Paulo 2 . . . . 2
Uberaba 1 . .. . . 1
Total 625 60 210 15 29 939

Fonte: Sindicatos.
Elaboração: FETEC - PR

Perfil dos demitidos do Banestado
Dieese - Subseçaõ FETEC/PR

Uma pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - DIEESE - na Subseção da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná - FETEC -, com o apoio do Departamento Jurídico do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, evidenciou algumas características dos funcionários do Banestado demitidos desde a privatização do banco, em Curitiba e região.

A pesquisa consistiu num questionário que foi preenchido pelo funcionário demitido no momento em que realizava a rescisão do contrato de trabalho no Departamento Jurídico do Sindicato. O preenchimento foi voluntário e alguns questionários não puderam ser aproveitados em razão da insuficiência ou inconsistência das informações.

Algumas pesquisas foram realizadas por telefone, já que quando do seu início um número grande de funcionários já havia se desligado do banco. No total foram aproveitados cerca de 160 questionários, o que representou praticamente a metade dos empregados já demitidos em Curitiba e região até o dia 27 de março de 2001 (ver tabela anexa ao final com um quadro das demissões em todo o país).

A tabulação geral dos questionários mostrou o seguinte quadro:

1) dos funcionários demitidos 68% trabalhavam nos departamentos, enquanto 32% estavam nas agências. Este dado mostra o esforço do Itaú em demitir nos setores que geram imediata sobreposição de atividade após a compra de um banco, como em geral ocorre com as áreas administrativas. Portanto, caso não sejam criadas garantias em relação ao emprego, a maioria dos processos de privatização, fusão ou aquisição resulta em demissões, como evidenciam as diversas experiências no setor bancário (ver tabela ao final com vários casos).

2) A maioria dos demitidos (96%) tinha mais de 10 anos de banco, sendo que 49% trabalhavam no banco a mais de 15 anos. Nas demissões o banco preservou os funcionários com menos tempo de banco e salário médio menor. As demissões dos funcionários com até 10 anos de banco atingiu apenas 4% do total, ao mesmo tempo em que representavam cerca de 25% do quadro de funcionários no momento da privatização.

3) Aproximadamente dois em cada três funcionários demitidos são casados, enquanto apenas 18% são solteiros. Em decorrência deste perfil, 81% dos demitidos tinham filhos sendo que destes, os filhos menores de 18 anos eram maioria (79%), o que indicava uma situação de dependência financeira em relação ao funcionário demitido.

4) entre os demitidos 54% representava a única fonte de renda na casa em que morava. Mesmo onde não era a única fonte de renda, observa-se que a sua renda tinha um grande peso na renda do domicílio, sendo que 90% dos que foram demitidos tinha renda que representava mais de 50% da renda da casa. Este indicador dá a noção do efeito na renda familiar nos casos de demissão desses trabalhadores.

5) A maior parte dos empregados demitidos tinha idade acima de 36 anos (83%), sendo que em 56% dos casos a idade era 41 anos ou mais, indicando uma dificuldade adicional para os que enfrentarão o mercado de trabalho. O grau de escolaridade dos que foram demitidos era variado, indicando que as demissões atingiram desde aquele que tinha apenas o primeiro grau àqueles com curso de pós-graduação.

Os demitidos do Banestado, segundo idade    
Faixa de idade número percentual
20 a 30 anos 2 1%
31 a 35 anos 25 16%
36 a 40 anos 42 27%
41 à 50 anos 60 38%
mais 50 anos 28 18%
Total 157 100%

6) Entre os funcionários desligados 55% não esperavam ser demitidos após a privatização, apesar da intensa campanha realizada pelos sindicatos tendo na perspectiva de demissões um dos principais argumentos. Pelo fato da maioria não acreditar que haveria demissão após a privatização é que se verifica uma grande indefinição a respeito do futuro, onde 36% ainda não haviam decidido o que fariam após o desligamento. O segundo maior contingente estava procurando emprego, enquanto 11% já estavam trabalhando. A alternativa de abrir um empresa, tornar-se sócio ou ainda atuar como profissional liberal foi destacado por apenas 15% dos demitidos.

 

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