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5/4/2006 - 10:33:07
Pouca valorização

Com 33 milhões de mulheres no participando do mercado de trabalho entre 1990 e 2004, elas agora representam 40% da população economicamente ativa em áreas urbanas da América Latina. Um recente estudo da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre os progressos na participação das mulheres na força de trabalho mostram resultados ambíguos em termos de acesso a empregos de qualidade, desemprego, remuneração e proteção social.

De acordo com o novo estudo da OIT, o serviço doméstico, que representa 15,5% de mulheres empregadas no sub-continente, está expandindo. "A segregação ocupacional que confina a maioria das mulheres ao níveis mais desprestigiados do mercado de trabalho continua a existir", afirma Maria Elena Valenzuela, co-autora do estudo.

Mas o estudo também destaca mais tendências positivas no mercado de trabalho latino americano. As mulheres agora representam cerca de 40% da população economicamente ativa nas áreas urbanas da América Latina. A taxa de participação feminina subiu de 39% em 1990 para 44,7% em 2002, enquanto a taxa masculina se manteve mais ou menos estável, em cerca de 74%.

"Por outro lado, as taxas de participação feminina na América Latina continuam muito baixas em comparação aos países da Comunidade Européia onde, em 2001, variavam entre 62,1% na França e 72,5% nos Estados Unidos", comentou Valenzuela. "Estas taxas variam enormemente de país a país na América Latina, entre 42% no Chile e 58% na Guatemala", disse ela.

Além disso, o desemprego é maior entre as mulheres do que entre os homens. Em 2004, cerca de 9,4 milhões de mulheres de áreas urbanas estavam desempregadas - 6,8 milhões a mais do que em 1990. Apesar do desemprego afetar ambos os sexos, o aumento é muito maior para as mulheres na força de trabalho: entre 1990 e 2004 a taxa de emprego urbano masculino cresceu de 5,3 para 9,1% enquanto a taxa feminina pulou de 6,5 para 13%.

O estudo atribui o "boom" na participação feminina no mercado de trabalho à melhor escolaridade, ao crescimento urbano, ao declínio nas taxas de fertilidade e aos novos padrões culturais que favorecem a autonomia das mulheres. Um aumento substancial no número de mulheres chefe de família, que varia de 19 a 31%, dependendo do país, também influíram.

A privatização de serviços públicos e os novos padrões de consumo criaram uma necessidade de maior renda e um aumento no número de "contribuidores" para cada domicílio. As repetidas crises econômicas têm acentuado a tendência para balancear o crescimento no desemprego masculino e a queda no rendimento real.

Apesar das novas oportunidades de trabalho em zonas de exportação e na economia informal, a maior parte do crescimento no emprego feminino derivam do rápido aumento nos empregos em áreas onde a maioria delas já trabalha, especialmente no setor de serviços.

Como resultado da crise econômica na América Latina, as mulheres pobres passaram a participar do mercado de trabalho em maior número e a distância entre a participação no mercado de trabalho entre mulheres pobres e o resto da população feminina se tornou menos marcada. Em 1990, o dado para mulheres pobres não era maior que 28,7%, enquanto para as mulheres de maior renda era de 50,7%. A distância reduziu consideravelmente em 2000, quando 39,3% das mulheres pobres e 54,6% das de maior renda estavam empregadas.

Por outro lado, as mulheres de menor renda familiar ainda tem um longo caminho a seguir antes de que possam ser consideradas completamente integradas ao mercado de trabalho. "Uma das razões porque tantas mulheres estão empregadas no serviço doméstico é precisamente porque as mulheres de média e alta renda familiar entraram no mercado de trabalho. Em outras palavras, muitas mulheres pobres só podem encontrar trabalho remunerado trabalhando para as que ganham mais", explica Valenzuela.

Cerca de metade das mulheres empregadas na América Latina em 2003 estavam no setor informal. A desigualdade de gênero juntamente com a discriminação etnica é comum: grande número de mulheres de grupos indígenas e de origem africana enfrentam desvantagens e várias formas de exclusão no mercado de trabalho.

No Brasil, por exemplo, 71% das mulheres negras trabalham no setor informal, uma proporção muito maior do que os homens negros (65%), mulheres brancas (61%) e homens brancos (48%). Na Guatemala, somente 10,6% das pessoas indígenas com alguma forma de emprego trabalham na economia formal comparado com 31,8% dos trabalhadores não-indígenas.

As diferenças de rendimento entre homens e mulheres são particularmente evidente no setor informal onde as mulheres recebem pouca coisa mais do que a metade da renda dos homens. O estudo afirma que mesmo no setor formal da economia a renda mensal de mulheres chega a somente 75% da masculina. As diferenças de renda entre os sexos na América Latina são maiores do que em outras regiões do mundo.

O estudo também confirma que as mulheres ainda tem uma desvantagem em termo de proteção social. A maioria das mulheres com mais de 65 anos na região não tem aposentadoria ou outra forma de pensão por que elas passaram toda a vida adulta em serviços domésticos não remunerados e cuidados com a casa.


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