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Genêro - Art. Precarização das Relações...

 

Precarização das relações de trabalho

No Brasil, há um contingente muito grande de trabalhadores e trabalhadoras no mercado informal, sem garantias dos direitos trabalhistas e, na sua maioria, mulheres. Mesmo com esse crescimento da mão de obra feminina, o preconceito e a discriminação são fatores que impedem a admissão de mulheres.

A raça, a idade, o estado civil, e a boa aparência interferem no seu ingresso ao mercado de trabalho. O processo de precarização das relações de trabalho - já em curso - é utilizado, há muito, para trabalhos tidos como femininos: costura, limpeza e cozinha. Este processo se universaliza e tem levado ao incremento do trabalho em domicílio, contratado por empresas.

Esta é a relação que o empresário oferece para as mulheres com filhos, pois  obriga essas mulheres a dar conta, simultaneamente, à dupla jornada de trabalho,  sem ônus para quem as emprega. Mesmo havendo uma lei que garante aos filhos  das trabalhadoras o direito à creche, esta lei não é cumprida pelos empresários.  

 E, quando ofertada pelo poder público, o número de vagas é reduzida. Um  exemplo: a Secretaria da Saúde tem, hoje, cerca de 10 mil funcionários. 80% de  mulheres, embora homens também tenham filhos. A SESA/ISEP tem apenas uma  única creche com capacidade muito inferior ao número de vagas necessário.

Devemos considerar que a discriminação se torna mais visível quando analisamos os diferentes tipos de trabalho: os homens têm emprego em quase todos os ramos e cargos, já as mulheres estão concentradas nos serviços - como já falamos, na educação, na saúde, na indústria, em serviços domésticos etc - e, quando na indústria, em atividades similares às atividades domésticas.

Os homens, pela natureza do seu trabalho e pela variedade de opção de postos de trabalho, têm maior possibilidade de acesso à promoção. Mesmo quando a mulher não encontra barreira no ingresso ao trabalho em determinado setor, como o financeiro, por exemplo, onde as mulheres representam 47% da mão-de-obra ocupada, ela terá muitas dificuldades de ascender aos cargos de maior remuneração. Em 1999, 75% dos cargos de direção e gerências eram ocupados por homens, 89% dos cargos de operadoras de teleatendimento e digitação e 46% dos caixas e atendentes eram ocupados por mulheres.


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