1 – Qual é a sua definição para Jornalismo Sindical?

O Jornalismo Sindical tem uma definição que vem de suas características próprias.

A primeira característica é que ele deixa claros quais são seus objetivos. Ou seja, deixa claro que tem lado, que defende uma classe e dentro dela dá especial atenção a um setor, ou seja, cada jornal se dedica prioritariamente a uma categoria específica. Não tem nenhuma postura de falsa neutralidade, de eqüidistância. Mas, é bom ter claro que isto exige muita seriedade, apresentar fatos, dados concretos e não fazer sermões, não contar lorotas ou inventar dados e fatos fantasiosos.

A segunda característica é que o jornal sindical não é vendido em bancas. Ou seja, ele chega, de graça, ao leitor que não está esperando aquele jornal, aquela notícia. O leitor não está louco para ler o jornal do sindicato. Quem está ansioso para que este jornal seja lido é a direção e os jornalistas do sindicato. Deste fato deriva como conseqüência imediata que o jornal sindical deve ser muito atrativo, bonito, chamativo. Deve chamar por sua pauta, por sua cara, por sua linguagem. Sem isso ele irá direto para lixo.

A terceira característica de um jornal sindical é que ele vai nas mãos de trabalhadores que, em sua imensa maioria, não lêem jornal diariamente. A não ser nos sindicatos de profissionais liberais ou de funcionários públicos de alto escalão, o trabalhador, em geral lê muito pouco.

Num estaleiro, numa Nestlé ou numa CSN, o índice de leitura de jornais não chega á média nacional de uns 5%. Entre professores do ensino fundamental e médio, pela experiência do nosso Núcleo de formadores em comunicação sindical, em todos os Estados do país, não passa dos 13 ou 14%. Por isso podemos dizer que o jornalismo sindical é um jornalismo que declara seu lado e tem um público muito especial. Além disso, exige uma arte e uma técnica especial.

2 – Como você julga o poder de alcance da imprensa sindical?

Enorme. O maior jornal da “grande imprensa” do Sergipe, hoje, outubro de 2005, não chega a 3000 exemplares. O jornal Tribuna Metalúrgica, dos Metalúrgicos de São Bernardo, durante mais de 15 anos teve uma tiragem diária de 120 mil. Hoje deve estar com 60 mil, devido à diminuição de trabalhadores na base.

No final da década de 1980, nos sindicatos de luta, havia seis jornais sindicais diários com uma tiragem semanal de 600 mil. Isto representa um poder de fogo tremendo. Há sindicatos que têm belíssimas revistas e produzem cartilhas e folhetos de todo tipo. Há até quem tenha um jornal mensal para as famílias dos trabalhadores, como o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.

Os anos 80/90 foram os anos da melhor fase da imprensa sindical. A fase do ascenso das lutas, quando o Brasil foi o campeão de greves no mundo: de 1978 a 1990. Depois a imprensa sindical refletiu o refluxo do movimento. Os jornais diários escassearam. Basta pensar no Sindiluta, dos Químicos de São Paulo, que era diário, chegou até a fazer a festa do numero 1000. Hoje, se não me engano, é quinzenal. E assim, deixaram de ser diários a Folha Bancária dos Bancários de São Paulo, o Diário Bancário dos bancários de Brasília, o BancáRIO do Rio de Janeiro. Seguram-se ainda o dos Metalúrgicos de São Bernardo e o dos Bancários da Bahia.

Durante este período a imprensa sindical teve um papel de imprensa contra-hegemônica na luta contra o neoliberalismo, num momento em que quase desapareceu toda a imprensa sindical.

Quem foi que fez a campanha contra as privatizações na época de ouro do neoliberalismo de FHC? Como foi feita a batalha contra a Reforma da Previdência, sem ser pelos jornais sindicais? Não entro no mérito, aqui, se ganhamos ou não. Mas a imprensa sindical cumpriu o papel da imprensa partidária que não existiu. Qual jornal de esquerda cumpriu este papel?

Na década de 90, houve belas publicações alternativas valiosíssimas, mas com uma tiragem muito restrita, como é o caso da Reportagem, a Caros Amigos, ou o Jornal dos Sem Terra. Todas com uma tiragem pequeníssima, insignificante, num país com, na época 185 milhões de pessoas. E sua periodicidade não permitia de fazer uma verdadeira disputa contra um inimigo que se comunicava todo dia, pelo rádio, pela televisão e por seus inúmeros jornais.

3 – Em que período surgiu e como se deu o desenvolvimento do Jornalismo
Sindical no Brasil?

O Jornalismo dos trabalhadores nasceu com o começo da industrialização, no final do século XIX. Os primeiros imigrantes tiveram a influência do anarquismo que era muito vivo, naquela época, na Itália e Espanha e Portugal. Estes, desde o nascimento das primeiras fábricas, sempre deram muita importância à formação político-ideológica. Por isso, num tempo em que o único instrumento de comunicação era o jornal, foram feitas centenas de jornais operários no nosso país. A historiadora e fanática da comunicação dos trabalhadores, Adelaide Gonçalves, da UFCE, nos fala de mais de 500 jornais operários entre 1875 e 1930. Esta foi a fase do jornalismo operário de cunho anarco-sindicalista.

Em seguida veio a imprensa hegemonizada pela nova tendência política nascida com a revolução Bolchevique: o comunismo. Os comunistas deram muita importância à comunicação. E comunicação, ainda era o jornal. Deram mais importância à imprensa partidária, mas esta era muito usada nos bairros e fábricas das grandes cidades. Só para ter uma idéia, em 1946 o PCB possuía 8 jornais diários espalhados pelo país.

O jornalista e escritor Bernardo Kucinski diz que a Imprensa Alternativa dos anos da Ditadura militar foi a continuadora da imprensa operária e comunista. Finalmente, com o fim da Ditadura floresce uma nova imprensa sindical, nos sindicatos que tinham se libertados dos interventores e pelegos da tradição varguista.

De 1980 a 2002 vivemos a fase de ouro da imprensa sindical no Brasil, que alcançou uma tiragem recorde, em 1992, de 30 milhões por mês de publicações regulares. Nos sindicatos da CUT, que eram os únicos que investiam sistematicamente em comunicação, chegou-se a seis jornais sindicais diários.

4 – Quem são os destinatários do Jornalismo sindical?

Os destinatários do Jornalismo Sindical são trabalhadores que em sua maioria tem uma baixa escolaridade. Os dados do MEC são trágicos. Nosso país tem uma média de escolaridade de pouco mais de seis anos. Ou seja, a maioria dos destinatários da imprensa sindical tem 4 ou 5 ou 6 anos de escola. Dados do MEC, de 2002, diziam que no Brasil somente 19% da população tinha terminado o segundo grau. Ou seja, 81% não tinham chegado nem a este patamar.

Este fato determina grandemente toda a realidade da imprensa sindical. Deve determinar o tamanho dos artigos, o formato do jornal, suas características de apresentação e, sobretudo a sua linguagem. Ou seja, fazer jornal para quem quer ler, é uma coisa. Fazer jornal para os engenheiros do Rio de Janeiro é totalmente diferente de fazê-lo para os trabalhadores civis nas Forças Armadas. Fazer jornal para os professores da UFF é totalmente diferente de fazê-lo para quem não compra o jornal nunca e é a clássica vítima da rede Globo ou das suas concorrentes, que são do mesmo naipe, embora inferiores em qualidade técnica e alcance. Uma coisa é fazer um jornal para um jovem conectado à Internet, durante 24 horas por dia. Outra é fazê-lo para um trabalhador que nunca ligou um computador.

5 – Quais as maiores mudanças que você observa que ocorreram no jornalismo sindical?

Politicamente foi a transformação da década de 90. O triunfo do neoliberalismo e novas práticas sindicais.

Do ponto de vista técnico foi a introdução da editoração eletrônica que permitiu de fazer jornais muito mais bonitos e mais rapidamente.

Além da editoração eletrônica foi importantíssima a introdução da Internet. Mas isto não foi automático. A Internet permitiu que se fizessem boletins eletrônicos, como é o caso da CUT/RJ que foi a primeira entidade sindical a ter um boletim diário, o Rápido, que foi o exemplo para vários outros e que durou até o fechamento daquele departamento de comunicação, em final de maio de 2007. Mas, ainda hoje, há outros sindicato que mantêm o computador na sala do tesoureiro, que fica com as chaves no bolso.

Mas, sempre houve grandes mudanças na comunicação dos trabalhadores. Há cem anos, quando começou a industrialização no Brasil, o único instrumento de comunicação, além da voz e do contato pessoal, era a imprensa. Daí o grande número de jornais operários que apareceram naquela época.

Depois de 1922, com a criação do Partido Comunista nasceram muitos novos jornais e revistas a serviço da luta e da organização da classe, dentro da nova visão política dos comunistas. O fato mais significativo desta época de ouro da imprensa comunista é representado pelos 8 jornais do Partido que, em 1946, chegaram a existir. Em todas as grandes capitais do país existia um jornal do partido.

Durante os anos de 30 a 60, nos quais foram introduzidos o rádio e depois a televisão, a burguesia sempre cuidou de não permitir que a esquerda possuísse e usasse estes poderosíssimos instrumentos de comunicação de massa.

Até hoje, a imprensa é o grande instrumento de comunicação dos sindicatos. Mas, será que deve continuar sendo assim? No século XXI, há novas técnicas, novas tecnologias e novos veículos de comunicação que precisam ser conquistados pelos trabalhadores e seus sindicatos.

Nos últimos 25 anos, saímos de uma ditadura militar, fizemos milhares de greves, construímos centrais sindicais e partidos de esquerda. Organizamos fortes movimentos sociais, elegemos vereadores, deputados, senadores, governadores e até presidente da República. Mas, não conseguimos construir uma comunicação alternativa capaz de atingir milhões de trabalhadores. Não criamos nosso sistema de mídia. Nosso, dos trabalhadores, da esquerda como um todo.

Uns se limitam a xingar a santíssima trindade da direita, o verdadeiro partido da burguesia representado pela Globo, Folha e Veja. Outros se limitaram a mendigar a simpatia e um espaçozinho desses senhores da mídia nacional, se iludindo que esses inimigos de classe poderiam ficar mansos se nós, também, nos mostrássemos mansos.

Assim, quando o tacape neoliberal se abateu sobre a cabeça dos trabalhadores, retirando empregos e direitos, nos pegou desprevenidos, e não conseguimos enfrentar a forte propaganda ideológica que foi feita. Vide o tratamento dispensado às estatais e aos servidores públicos transformados em responsáveis por todas as mazelas do País.

E não parou mais. Para além dos votos na eleição presidencial, a ideologia dominante mantém sua hegemonia que lhe permite vencer um plebiscito sobre o desarmamento, como um eventual sobre a pena de morte. A visão hegemônica continua associando pobre a bandido e assim se justifica qualquer chacina contra os moradores das periferias.

Justifica-se até o caveirão, blindado da repressão policial carioca para matar pobres e negros e garantir a continuidade do tráfico. Esta mesma visão hegemônica que, sobretudo, aceita como natural, sem sinais de indignação concreta, a estrutura profundamente injusta desta sociedade com a pior distribuição de riqueza do mundo. A consagração desta visão hegemônica veio com o sucesso, na segunda metade de 2007, do filme Tropa de elite.

6 – Como você vê a disputa de hegemonia nas eleições presidenciais de 2006?

No final do ano de 2006, muitos começaram a refletir sobre a grande lição da última eleição presidencial. Sobre a queda das ilusões, para muitos, com a neutralidade e imparcialidade da mídia. Qualquer criança entendeu que Folha, Estadão, Zero Hora, Veja, Isto é O Globo e A Globo têm lado. O lado da classe deles.

Todos estes veículos de mídia defendem os transgênicos, a Monsanto, o latifúndio, o modelo econômico exportador e um salário mínimo que continue mínimo. Todos sempre são contra qualquer greve, apóiam a repressão a camelôs e facilmente se esqueceram do escândalo da loja Daslu, onde uma calça jeans da Dolce e Gabbana custa R$ 5.250,00. Todos apóiam o roubo das terras dos índios, todos se descabelam com o caos nas filas dos aeroportos muito mais que com o caos nos hospitais do Rio de Janeiro onde se tropeça, nos corredores, em cadáveres e pessoas ainda vivas. Mas, todos se disfarçam de neutros. Fazem de conta que não tem lado. A única publicação da chamada grande imprensa que declarou ter lado, foi a Carta Capital.

A lição de 2006 foi muito rica. Muitos a aprenderam. Viram que as classes continuam existindo e a luta de classe continua existindo mais cruel do que nunca. Ela mostra sua cara, seja apoiando o caveirão para manter o controle sobre a classe trabalhadora nas favelas do Rio de Janeiro, seja apoiando o exército invasor de Bush no Iraque.

7 – Qual o papel da mídia sindical nesse quadro?

Logo lembramos da lição de Lênin, em 1901, no longo artigo intitulado “Por onde começar”. Sua lição estava e está clara: “O ponto de partida para a ação, o primeiro ponto para a criação da organização que desejamos (…) deve ser a criação de um jornal para toda a Rússia. Sem ele não será possível realizar o trabalho de propaganda e agitação (…)”. Essa é a lição do líder da primeira revolução proletária do século XX. Mas, esta não é só uma lição comunista. Já no Japão, na década de 1870, quando aquele país começava sua industrialização, a burguesia criou vários jornais. No editorial do Nº 1 de um desses jornais criado em 1875, o Johji Shimbum, há uma frase extremamente esclarecedora da importância que aquela burguesia dava à difusão de suas idéias: “Um partido sem jornal é como um exército sem armas”.

Deixando os exemplos internacionais podemos aprender com nossa história. No Brasil, em 1919, os anarquistas chegaram a criar dois jornais diários: A Plebe, no Rio de Janeiro e A Hora Social, no Recife. Já falamos dos 8 jornais diários do Partido Comunista, em 46. Lembremos a seqüência desta linha do tempo com os 150 jornais da imprensa alternativa dos anos da ditadura. Com o fim desta, a safra destes jornais alternativos parou.

Quem cumpriu o papel de imprensa alternativa de 1980 a 2002 foi a imprensa sindical. A disputa contra-hegemônica, quando foi feita, aconteceu graças á imprensa sindical. E não foi só através dos veículos escritos. Muitos sindicatos começaram experiências bem sucedidas com programas de rádio, de televisão e, ultimamente, através de páginas na Internet e boletins eletrônicos.

Na batalha da informação a imprensa sindical teve um papel determinante. Foi nas suas páginas, sobretudo, que se combateu o projeto neoliberal implantado desde o governo Collor.

8 – O jornalismo sindical é ideológico. De que maneira, nele convivem ideologia e objetividade?

O jornalismo empresarial é profundamente ideológico. Para mim, o jornalismo da Veja, ou da Folha de S. Paulo, ou do Globo, são totalmente ideológicos. Ou seja, têm lado. O lado da classe dominante hoje no Brasil. Não há nada de mais ideologizado e, conseqüentemente editorializado, do que a Veja. Basta ver como noticiou o 6º Fórum Social Mundial acontecido em Caracas em fim de janeiro de 2006. No número saído imediatamente após o termino do evento que reuniu umas duzentos mil pessoas na capital da Venezuela, a Veja, simplesmente não deu uma notícia. Só colocou um artigo, como um editorial, para atacar o seu maior inimigo do momento, o Hugo Chavez. Um artigo de ideologia purinha, destilada, com todo o ódio que a revista nutre pela esquerda.

Esta revista é um panfleto da direita conservadora do país. Defende sua visão de mundo, escondendo fatos, esquecendo pura e simplesmente, criminalizando os movimentos sociais ao gosto de sua ideologia. Com essas artimanhas os fatos ficam totalmente distorcidos. E ai? A imprensa sindical vai repetir o que a mídia da direita faz?

Por princípio a imprensa sindical tem um lado: o lado dos assalariados, dos desempregados, dos excluídos, do povo que não irá nunca à Daslu ou a Miami. Esse é o lado da esquerda. Mas, nem por isso pode repetir o comportamento da direita. O jornalismo sindical deve dizer claramente qual é o seu lado, mas fazer isso com fatos, dados, entrevistas. Sem isso cairá no discurso vazio, no panfleto, igual aos panfletos que a direita escreve, disfarçados de jornais e revistas luxuosas, vendidas em bancas e enviadas para casa dos assinantes.

9- Qual foi o impacto das transformações no mundo do trabalho no jornalismo sindical?

Foi enorme. A passagem do antigo fordismo, de muitas fábricas, á situação de hoje onde, nas grandes empresas reina o sistema japonês, o chamado toyotismo, mudou completamente a realidade do mundo do trabalho. Uma coisa eram os bancos, em 1985, com mais de um milhão de bancários. Outra são os bancos automatizados de hoje, onde, no Brasil inteiro, não chegam a trabalhar 380 mil bancários. O mesmo pode-se dizer de uma Volkwagem que chegou a ter 48 mil trabalhadores, em 1980, e hoje não chega nem à metade. Muitos dos ex-metalúrgicos da Voks simplesmente caíram no trabalho informal, outros caíram na terceirização com perda de antigos direitos. Sua relação com os sindicatos mudou. E com isso a imprensa sindical também mudou. Estas mudanças exigem dos sindicatos uma compreensão do que é transitório e do que é permanente. E o que é permanente é a exploração do trabalho. É a divisão entre os que vivem da venda da sua força produtiva e os que vivem do trabalho alheio. Os que vivem do trabalho e os que vivem da exploração deste trabalho. O desafio da imprensa sindical é mostrar a realidade da exploração e a conseqüente necessidade de luta e reação, nas novas situações de hoje.

10 – Em que estágio se encontra o Jornalismo Sindical brasileiro?

O jornalismo sindical brasileiro, se comparado a de outros paises vai muito bem. Não só pelo volume, mas pela diversificação de veículos, e pela amplidão de sua pauta. Claro, que não é geral esta situação. Há sindicatos que fazem jornais unicamente voltados para seu umbigo. Jornais corporativos que não servem quase para nada. Mas há muito outro que fazem um jornalismo sindical como um substituto de um jornalismo alternativo. Na década de 90 o país viveu a anestesia do encantamento neoliberal. Milhares de jornalistas da imprensa empresarial passaram de mala e cuia para o lado do neoliberalismo triunfante. Vivemos a época do pensamento único, do Consenso de Washington. Era o coro de consenso em cima das privatizações, da redução do Estado e da flexibilização dos direitos dos trabalhadores.

Quem cumpriu o papel de imprensa alternativa nesta década, foi a imprensa sindical. Nesta época quem denunciou o projeto neoliberal de FHC, Malan e Cia foi a imprensa sindical com seus milhões de jornais regulares (diários, bissemanais, semanais,quinzenais ou mensais). Quem denunciou a destruição dos serviços públicos na Saúde, na Educação e em todos os serviços públicos, foi a imprensa sindical. Basta ver que há sindicatos que chegam a gastar mais de 30% do seu orçamento com a comunicação. No resto da América Latina a comunicação sindical está longe de alcançar o peso que esta tem em nosso país.

11- Como você avalia a luta de sindicatos pela democratização dos meios de comunicação?

Fraquíssima. Não estamos fazendo esta luta seriamente. Os sindicatos, na sua imensa maioria, não tem compreensão da importância desta luta. Quem disse que as atuais concessões de rádio e televisão são eternas? Quem disse que são públicas? Quem disse que são intocáveis?

E quem disse que o MST não pode ter um canal de televisão aberto. Nada de a cabo, fechado. Quem disse que a as centrais sindicais não podem ter seu canal? E A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS)? E o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) por que não tem seu canal de TV e sua rádio de alcance em todo o Norte e Nordeste? E por que a Comissão Pastoral da Terra não pode ter seu canal? E tudo isto financiado e facilitado abertamente com recursos públicos, como a senhora Rede Globo é e sempre foi.

Porque não se exige do governo uma Medida Provisória neste sentido. A lei se muda. As leis só mudam com muita pressão. E o movimento sindical não está fazendo pressão para mudar a lei profundamente antidemocrática das concessões de rádio e TV no nosso País. E pressão não é discurso de deputado e nem um projeto de lei, é gente na rua, dias e noites. É trabalhador em greve. Depois virão os discursos na Câmara e os projetos-lei. Aí vêm até as Medidas Provisórias.

Ao lado do esforço para construir nossa imprensa é necessário fazer um grande movimento de massas para impor a democratização na distribuição dos canais de rádio e TV. Democratizar as chamadas ironicamente, de “concessões públicas”, que de público não tem nada. Elas são propriedades absolutamente particulares. Privadíssimas.

O ano de 2007 foi o ano da renovação destas concessões. A situação não mudou. Não se mexeu nas vacas sagradas das concessões de rádio e televisão. Quem disse que a Globo deve ser intocável? Quem disse que a Record ou o SBT são intocáveis?

Mas, mudanças profundas nos grandes “aparelhos ideológicos” da burguesia, só poderão vir com milhões de pessoas nas ruas. Sem isso, o velho sistema das sesmarias dadas de graça, pelo rei de Portugal a seus donatários continuará na sua versão moderna das “concessões de rádios e TVs”.

12 – Qual o papel da imprensa sindical na crise sindical presente.

Hoje, com o governo Lula, os sindicatos estão frente ao clássico dilema do que fazer com um governo que eles ajudaram, e muito, a eleger e uma situação mundial que empurra este governo, saído dos sindicatos, a aplicar as regras do jogo do Consenso de Washington, isto é do FMI.

Como agir seja qual for a linha adotada frente a este governo? Há uma série de atitudes a serem tomadas para convencer milhares e milhões destas escolhas e aplicar sua política.

Por isso podemos enumerar alguns pontos básicos de atuação dos sindicatos, no domínio da comunicação.

1 – Politizar a pauta dos nossos jornais, boletins eletrônicos ou programas de rádio ou TV. Um jornal voltado para seu próprio umbigo não serve para quase nada. Não faz disputa de hegemonia nenhuma.

2 – Voltar a aumentar o volume, isto é a freqüência dos nossos jornais e programas. Qual a razão de um jornal sindical deixar de ser diário e passar a ser semanal, ou até quinzenal? Certamente não é por problemas econômicos.

3 – Não ficar presos somente ao velho Gutemberg. Usar e abusar da Internet: páginas e boletins eletrônicos.

4 – Lutar para democratizar as concessões de rádio e TV.

5 – E vamos abrir os olhos para avançar no uso do rádio, sob todas as formas: da rádio comunitária às rádios comerciais. Hoje, quem melhor faz isso é o MST, que atinge mais de mil rádios diariamente.

É preciso que toda a esquerda e os sindicatos de esquerda dentro disso, avancem rapidamente, porque o inimigo, vimos a lição, é forte e sabe usar todas as armas. A luta de classe continua e ela se vence com força organizada e com o convencimento.

Isto é, com força e com uma comunicação que comunique e convença. É isso que nos ensina Gramsci quando nos diz que a hegemonia é o resultado da “coerção e do convencimento”.

É lugar comum dizer que os sindicatos, nestes anos, estão em crise. Com certeza. Mas, para qualquer hipótese, os sindicatos precisam renovar sua comunicação. Estudar, aperfeiçoar, politizar e aumentar enormemente seu poderio.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.piratininga.org.br.

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