Rua XV de novembro, 270, sala 510, Centro, Curitiba-PR, CEP 80020-310, Fone (41)-33229885, Fax (41)-33245636, fetec@fetecpr.org.br
 
 
publicado em 29 de julho de 2003 às 10:49:
PF INFILTRA AGENTES EM MOVIMENTOS SOCIAIS

IURI DANTAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília

A Polícia Federal e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) infiltraram agentes em movimentos sociais e nas milícias armadas de fazendeiros e identificaram os nomes de lideranças, a localização dos acampamentos e a forma de agir de sem-terra e ruralistas. Com isso, avalia o governo, já seria possível “estrangular” os grupos a qualquer momento.

Segundo a Folha apurou, a questão agrária acendeu a chamada “luz amarela” no Ministério da Justiça, Abin e PF. Segundo o jargão dos serviços de inteligência, isso significa que um eventual conflito poderia acontecer.

A “tensão social” é acompanhada com apreensão pelo núcleo duro do governo –grupo de ministros mais ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ontem, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, conversou por cerca de 45 minutos com o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, a quem disse, segundo sua assessoria, que não é hora de intervir diretamente, mas de “acentuar os trabalhos de inteligência”.

Ou seja, o governo não quer agir agora porque avalia que isso provocaria um aumento da tensão no campo. Ao mesmo tempo, quer estar preparado para uma resposta rápida caso seja preciso.

O ministro conversa diariamente com Lacerda. O presidente Lula não fala com o delegado, mas recebe informes periódicos de Bastos. Segundo um policial federal ouvido pela Folha, caberia ao ministro a ordem para que a PF começasse a agir mais ostensivamente no campo.

Infiltração e escutas

Para obter informações do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e das milícias de fazendeiros, os órgãos de inteligência infiltram agentes, realizam interceptações telefônicas e cruzam as bases de dados da PF e da Abin. Os mapas de localização são feitos utilizando tecnologia GPS (via satélite) e fotos aéreas.

Um exemplo citado pelo governo é a região do Pontal do Paranapanema (SP). Está disponível para o ministro da Justiça um levantamento dos sete principais locais de tensão na área.

No caso dos fazendeiros, a PF já instaurou alguns inquéritos e aguarda resposta, da Justiça, para os pedidos de mandado de apreensão de armas ilegais. Os policiais sabem onde e com quem estão as armas, além de ter identificado material de colecionadores, que não pode ser apreendido.

Ou seja, o trabalho para “estrangular” as ações desses grupos já está feito. Bastaria começar operações de busca e apreensão de armas e levar as lideranças à Justiça para conter as iniciativas dos sem-terra, sem-teto e fazendeiros.

A ação da inteligência da PF está concentrada nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Alagoas e Pernambuco.

O ponto mais delicado para a inteligência é a ação dos sem-teto em São Paulo, liderados pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). Ao invadirem propriedades estaduais, não cometem crime federal, e até a presença ostensiva da PF não poderia ser justificada. Como não dizem que estão “ausentes”, a Folha apurou que a superintendência de São Paulo acompanha a movimentação à distância.

O governo intensificou as ações de inteligência da PF por causa dos recentes “atos hostis”, como os discursos feitos por João Pedro Stedile, do MST, as invasões e o aumento de acampados no Pontal e a invasão de prédios e de um terreno da Volkswagen pelo MTST, em São Paulo.

deixe seu comentário

 
últimas notícias
15 de Março de 2019
  Ação contra MP dos sindicatos vai ao plenário do STF
15 de Março de 2019
  22 de março é dia de ir às ruas para lutar pela aposentadoria
13 de Março de 2019
  Manifesto contra a Reforma da Previdência (PEC 06/2019)
11 de Março de 2019
  Com governo em queda, Bolsonaro espalha fake news para agredir jornalista
8 de Março de 2019
  Dieese: as mulheres, outra vez, na mira da reforma da Previdência
  © Copyright 2011. Todos os direitos reservados.
WebmaniaBR® - Ideias em códigos