O dia 28 de fevereiro é dedicado à Prevenção das LER (Lesões por Esforços Repetitivos) e dos DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho).

A data faz parte do calendário internacional de lutas em defesa da saúde da Classe Trabalhadora, englobando doenças que mais afetam trabalhadores de vários países do mundo não só pelos avanços tecnológicos, mas principalmente pela forma de organização do trabalho.

No Brasil, a categoria bancária é uma das mais atingidas pelas LER/DORT, com índices alarmantes. Segundo dados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), estas doenças atingem o bancário 150% a mais do que trabalhadores de outras categorias profissionais. Esta constatação foi baseada no número de bancários e bancárias afastados do trabalho nos últimos anos por complicações relacionadas a tendinites, bursites e outras lesões.

O aumento das LER/DORT também está relacionado à ampliação da jornada, do volume de trabalho e da sobrecarga de serviços decorrentes da redução do quadro de funcionários nos bancos devido aos processos constantes de reestruturações, que têm como único propósito o corte de despesas operacionais.

Entre janeiro e setembro de 2020, os bancos fecharam mais de 10 mil postos de trabalho no País e desativaram cerca de 1.500 agências. Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), muitos bancários e bancárias foram colocados no sistema de teletrabalho, aumentando a sobrecarga para os que ficaram na linha de frente.

Estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) revela que a incorporação de novas ferramentas de gestão, a forte pressão quanto ao tempo para atingirem seus resultados, o aumento do controle, o prolongamento da jornada e da competitividade nos bancos resultaram em um maior número de adoecimento na categoria.

Some-se a isso as doenças psicológicas, como estresse, síndrome do pânico, esquizofrenia e depressão, que dificilmente são relacionadas e reconhecidas como doenças do trabalho, embora sejam resultantes das constantes cobranças pelo cumprimento de metas e assédio moral praticado pelos gestores.

Texto: Armando Duarte Jr.

Fonte: Vida Bancária

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