• Bancos se recusam a estratificar casos de conflitos e diminuir tempo de apuração das denúncias.
    O Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT se reuniu com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na tarde de quinta-feira, 20 de julho, para tratar da plena implementação da clausula 58, que cria políticas de aprimoramento e fortalecimento de combate ao assédio moral no ambiente de trabalho. O movimento sindical cobrou ações dos representantes dos bancos, que informaram não ter ainda como estratificar os casos e diminuir tempo de apuração das denúncias.

    O instrumento, criado em 2010, prevê canais de denúncias por parte dos Sindicatos, que devem, antes de encaminhar aos bancos, fazer um tratamento do caso, certificando-se tratar realmente de assédio moral no trabalho, acompanhar todo o processo de apuração, dar retorno para a pessoa que denunciou e ter certeza que houve melhoria nas condições e no processo de trabalho.A cada semestre a Contraf-CUT e a Fenaban fazem uma avaliação do instrumento e os dados são apresentados e debatidos. Nas reuniões anteriores, os bancários reivindicaram a redução do prazo de apuração dos atuais 45 dias para 30 dias; a estratificação dos casos que transitaram pelo instrumento; e a criação de critérios de apuração a serem utilizados pelos bancos para determinar se uma denúncia é procedente ou improcedente.

    “Só conseguiremos trabalhar na prevenção de conflitos se conhecermos as causas. Temos de insistir nesse item. Incluir a cláusula na convenção foi o primeiro passo, agora temos de implementá-la efetivamente”, explicou Walcir Previtale, secretário de Saúde do Trabalhador da Contraf-CUT.

    Respostas
    A Fenaban apresentou dados estatísticos de 2011 a 2017, que comprovam um número crescente de denúncias procedentes no período, porém, informou que ainda não há possibilidade para a redução do tempo de apuração das mesmas. A Federação também informou que fará um levantamento das ações e que apresentará na próxima reunião, marcada para o dia 21 de setembro.

    Para Ademir Vidolin, secretário de Saúde da Fetec-CUT-PR, as denúncias de assédio moral que chagam ao Sindicato ainda trazem problemas recorrentes e a falta de respeito com os trabalhadores é frequente. São gerentes que batem na mesa e falam alto: “quem manda aqui sou eu e quem não estiver satisfeito que peça a conta”; gestores que chamam a atenção de funcionários na frente de cliente e de forma desrespeitosa; além de perseguição, desqualificação e isolamento de funcionários, entre outras. “Tudo isso demonstra que se faz urgente uma mudança de comportamento dos gestores, para que possamos dar um passo significativo rumo a um ambiente de trabalho saudável”, explica Vidolin.

    Contraf-CUT (Foto: Jailton Garcia/Contraf-CUT).