Nesta terça-feira, 6 de julho, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários, Financiários e Empresas do Ramo Financeiro de Curitiba e Região completa 89 anos de fundação. A história do Sindicato está intimamente ligada às mudanças sociais, econômicas e culturais do Brasil e, neste ano de 2021, apesar do momento crítico, o Sindicato celebra sua existência e revisita os diversos desafios que a conjuntura de reformas e pandemia nos apresentou no último período, ainda não superadas.

Neste último ano, que vivemos esse trágico período de pandemia, iniciamos também uma nova gestão sindical, que teve que adaptar seu planejamento e sua forma de atuar às adversidades que as consequências da doença causaram na vida de toda a população, com reflexos no mundo do trabalho.

Nossa forma de estar presente junto à classe trabalhadora se alterou na medida em que os locais de trabalho também começaram a se confundir com os locais de vivência de todos nós: metade da categoria bancária e financiária foi colocada em home office como medida de isolamento social e a outra metade continua atuando na linha de frente do atendimento presencial.

Em defesa da vida, mas em atenção às readequações necessárias por melhores condições de trabalho, o Sindicato se reestruturou para estar presente de maneira virtual, por diversos canais, na vida e no trabalho de todas e de todos, para o que fosse preciso. Nos aproximamos na distância, nas relações e interações sociais mediadas, nos utilizamos de todas as ferramentas disponíveis, para focar nesse principal objetivo que é atender nossa base nas diversas dificuldades e enfrentamentos, que longe de estarem superados, são nossa força para lutar.

O Sindicato se norteou, então, para atender todos os aspectos das relações trabalhistas que se atravessaram na vida de todos nós nesses meses de pandemia, que se avançam pela passagem dos anos. Apesar das restrições nas nossas atividades de cultura, formação, esporte e lazer, que eram também nossa fonte de inspiração e trocas para as ações sindicais, nós substituímos por uma atuação conjunta com outras entidades, no sentido de amparar a sociedade e as pessoas mais afetadas pela pandemia. Um desses exemplos é o engajamento na Campanha Resistindo com Solidariedade, que arrecada recursos para repassar alimentos e produtos de higiene e limpeza para famílias em situação de vulnerabilidade. Também externalizamos nossa solidariedade às vítimas da pandemia.

Nossa dedicação contra os retrocessos e na garantia de direitos só tem aumentado. Por ocasião do prolongamento da pandemia, nos dedicamos a alavancar cinco importantes pontos de atuação, que envolvem todas as secretarias, todo nosso corpo diretivo, todos os nossos funcionários e toda a nossa estrutura: as lutas pela manutenção de direitos, através das mesas de negociação permanente; contra as demissões no período de calamidade pública; pela readequação dos locais de trabalho, em respeito ao distanciamento, ao uso de máscaras e álcool gel, o acesso à testagem em massa, rápido diagnóstico e sanitização em casos de positivados entre colegas, medidas que intensificaram também as ações de fiscalização; a luta pela vacina para todos e mais acentuadamente, pela inclusão de trabalhadores do sistema financeiro no Plano Nacional de Imunização, em que empenhamos articulações sindicais, políticas, formais, burocráticas e de mobilização, e ainda estamos incansáveis nesse objetivo até que ele seja atingido; e por fim, a centralidade no diálogo com a população, para humanizar essas relações sobre a importância da prestação desse serviço presencial pelas categorias bancária e financiária, mas também esclarecendo que todos e todas podem contribuir se quando possível, não estar dentro das agências, deixando essas ocorrências a cargo da essencialidade.

Nosso pano de fundo nessas ações continuaram sendo o acolhimento em saúde emocional, suporte jurídico, as orientações sobre os direitos de todos e todas. Acontece que com a pandemia, um outro processo que já estava previsto, mas para o futuro, de repente se acelerou: as mudanças nas condições de trabalho, a transição para o home office, a tendência para que o serviço presencial seja cada vez mais escasso nos bancos e financeiras.

Todas essas alterações denotam também o que de nossas adequações para a ação sindical na pandemia nós levaremos para o cenário pós-pandêmico. E é por isso que o Sindicato tem se dedicado a entender as transformações no mundo do trabalho para também se readequar no sindicalismo.

Para celebrar os 89 anos da entidade, a direção do Sindicato convida para um evento virtual que traz reflexões sobre o sindicalismo do futuro. A live será realizada na noite desta terça, 6 de julho, a partir das 19 horas, com a presença de Juvândia Moreira, presidenta da Contraf-CUT, e do assessor sindical Clemente Ganz Lucio, ex-coordenador do Dieese, com transmissão pelo Facebook e YouTube do Sindicato.

Nesse caminho dos novos rumos do movimento sindical, não nos furtamos de defender que as lutas travadas no mundo do trabalho são atravessadas e estruturadas pelas pautas inclusivas de combate ao racismo, à misoginia e ao preconceito com a diversidade. Estamos em 2021 mas ainda encontramos resistência de toda a sociedade com essas questões, por isso é nosso dever enquanto instituição reforçar essa mobilização junto à base.

Em respeito à memória e trajetória de todos que vieram antes de nós, vamos caminhar juntos para o futuro do sindicalismo no país, atrelado ao que mais emergente vemos esvair pelas nossas mãos: a conjuntura política e econômica, que em crise sanitária, afeta ainda mais, e de maneira mais dolorosa, a vida de toda a população.

Se o Sindicato tem uma história construída com emoções, olhares e ações, é nossa responsabilidade conduzir a classe trabalhadora para esse futuro do mundo do trabalho.

Fonte: Seeb Curitiba

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