Trabalhadores e clientes não toleram mais o clima de caos nas agências do Bradesco

Dia 10 de outubro foi a data que o Bradesco escolheu como dia Decisivo para o início do caos na migração das contas e sistemas do HSBC para o Bradesco. Esse é o dia de maior movimentação bancária e, em outubro, foi numa segunda feira. Clientes não conseguiram movimentar suas contas, funcionários e fornecedores deixaram de receber, cartões foram bloqueados e, nas agências, foi implantando um ambiente de terror para os funcionários.

No dia 01 de julho, o Bradesco concluiu a compra das operações do HSBC Brasil, com o pagamento de R$ 16 bilhões (valor ainda sujeito a ajuste pós-fechamento). Cinco milhões de clientes do HSBC foram incorporados pelo Bradesco. O patrocinador oficial das Olimpíadas investiu milhões em merchandising, mas parece não ter aplicado o suficiente no processo de incorporação do HSBC.

O horário bancário, que antes era das 10h às 16h, foi estendido das 9h às 17h, “à medida da necessidade”, ou seja, sem aviso prévio. Os funcionários do HSBC não tiveram horas de treinamento e simulações satisfatórias para entender e se adaptar ao novo sistema. Os bancários do Bradesco, que deveriam ser destacados para auxiliar na transição, eram em número insuficiente para conseguiram atender a funcionários e clientes diante de tantas turbulências.

O dirigente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, Valedecir Sebastião Senali, conta que somente os gerentes das agências do HSBC receberam treinamento no novo sistema do Bradesco. O curso durou duas semanas e três dias e não deu um panorama geral do sistema, somente nas funções específicas de gerência. Os outros funcionários não foram treinados.

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“Os bancários estão tendo crise de pânico”, relatou Valedecir Sebastião Senali.

“Se o tempo de atendimento ao cliente era de 10 minutos passou a ser de uma hora ou mais  porque o funcionário não consegue lidar com o sistema. Os clientes ficam irritados e reclamam, os bancários de desesperam e chegam a ter crises de pânico. Tem funcionário que chega a chorar”, relatou Senali. Ele faz parte da Comissão dos Empregados do HSBC.

No clima do “nada é tão ruim que não possa piorar”, os gerentes, cumprindo ordens da diretoria, ousaram pressionar mais ainda os funcionários pedindo o cumprimento de antecipação de metas. E para agigantar o caos, o Bradesco não pagou as diferenças residuais nos valores dos vales alimentação e refeição, que deveriam ter sido corrigidas referentes à data base de setembro.

Em reunião realizada nesta quarta-feira (26), na sede do Bradesco, em Osasco, a Comissão de Organização dos Empregados do Bradesco cobrou do banco soluções. No entanto, o banco pediu um prazo e disse vai que vai marcar nova reunião para a primeira quinzena de novembro. Foram discutidas com o banco, as seguintes pautas:  extrapolação da jornada de trabalho e horas extras, transgredindo a legislação e transformando as horas excedentes em banco de horas; bancários passando para comerciários com redução de jornada, salários e perda de benefícios; cobrança de metas durante a transição; fim do subsídio do plano de saúde para aposentados e a migração dos planos Unimed e Sulamérica para o Seguro Saúde Bradesco que, por sua vez, possui poucos profissionais credenciados fora das capitais; revogação dos direitos dos ex-funcionários do HSBC como a bolsa educação; aumento do custo da contribuição do funcionário para pagar o seguro de vida; proibição de dirigentes na entrega de material sindical nos departamentos; conta salário vinculada a conta corrente. E, para os clientes: o sistema está funcionando precariamente gerando inúmeros problemas.

O secretário geral da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito – FETEC-CUT-PR, Deonísio Shimidt, afirma que falta compromisso e clareza do Bradesco na hora de apontar as medidas efetivas que estão sendo tomadas pelo banco para sanear os problemas. A orientação é para que os bancários não deixem de denunciar suas condições de trabalho aos sindicatos.

“A Fetec não admite que os funcionários continuem a ser assediados no cumprimento de metas em meio a total falta de estrutura de trabalho. As agências do Bradesco que já operavam no limite destacaram funcionários para o HSBC tornando a situação insustentável em ambas as bandeiras de agências. Como é que ainda querem cobrar metas de funcionários com vendas de produtos, empréstimos e seguros se os trabalhadores não conseguem atender minimamente aos clientes? Há falta de clareza do Bradesco na solução dos problemas. A mesma clareza lhes sobra na hora de estabelecer metas com números intangíveis na situação de anarquia em que as agências se transformaram”, afirmou Schimidt.

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Deonísio Schimidt afirma que é intolerável a cobrança de metas meio ao caos.

Autor: Cinthia Alves

Fonte: FETEC-CUT-PR

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