Valor Econômico
Cristiane Perini Lucchesi, De São Paulo
Os bancos brasileiros têm US$ 2 bilhões de vencimentos de dívida externa somente em dezembro, em relação aos US$ 400 milhões em novembro e US$ 709 milhões em outubro, segundo levantamento do Valor Data. No total de empresas financeiras e não-financeiras, vencem US$ 2,5 bilhões daqui a dois meses no exterior, um recorde mensal para este ano. Os especialistas acreditam que em dezembro, como aconteceu neste mês de outubro, os bancos não devem lançar eurobônus para rolar a dívida, o que vai significar forte fluxo de saída de recursos no país no último mês do ano.
Mas, os analistas não vêem razões para preocupações. Mesmo se a saída de dólares de dezembro for amplificada pelo tradicional movimento de limpeza dos balanços dos bancos internacionais de risco Brasil, que acontece sazonalmente em dezembro e que implica redução de linhas de financiamento de curto prazo. Isso porque a sobra de dólares tem sido tanta neste ano que, apesar de o Tesouro ter retirado aproximadamente US$ 17 bilhões em dólar à vista e futuro -dívida cambial- do mercado, a moeda americana apresenta queda de 19,97% até agora.
“Se sentir alguma pressão indesejada no câmbio, o que eu não acredito, o Banco Central tem a opção de elevar o cupom cambial e assim estimular a emissão de bônus dos bancos nacionais”, afirma o diretor do Bradesco, José Guilherme Lembi de Faria. Desde o final de julho, os grandes bancos deixaram de emitir eurobônus por causa justamente da queda do chamado cupom cambial -o rendimento dos investimentos indexados ao dólar no mercado interno brasileiro- em velocidade maior do que a redução no custo dos eurobônus emitidos pelos bancos.
Os bancos brasileiros só buscam dólares para capital de giro por meio de eurobônus quando conseguem captar no exterior pagando juros menores do que o cupom cambial -os juros que vão receber no mercado interno de títulos do governo ou que servem como base no empréstimo a empresas. Ontem, para se ter uma idéia, o cupom cambial de vencimento em um ano -medido pelo Forward Rate Agreement, o FRA da Bolsa de Mercadorias & Futuros- estava em 2,62% ao ano. O Banco Votorantim emitiu para liquidação em 6 de agosto um eurobônus de US$ 50 milhões para vencimento em um ano e pagou 3,375% ao ano. Os investidores já consideraram, na época, o rendimento apertado.
Alguns grandes bancos nacionais chegaram a considerar o prazo de três anos para emissão de eurobônus durante todo o mês de setembro, mas sempre que seus diretores da área internacional iam às telas dos computadores constatavam que o cupom cambial não compensava. “O cupom ficou favorável em setembro apenas durante meia hora”, conta Lembi de Faria.
O Bradesco começa hoje visita aos investidores para emitir títulos de US$ 300 milhões de vencimento em dez anos, com cobertura de risco político. Mas não pensa em lançar eurobônus tão já. Também o Banco do Brasil não descarta fazer novas captações neste ano, de um ou mais tipos, segundo o diretor Augusto Braúna. Após os títulos de vencimento em um e dois anos, “está na hora de esticar prazos dos bônus plain vanilla dos bancos”, diz Braúna. Bônus plain vanilla, no jargão do mercado, são aqueles sem seguros ou garantias.
“Há muita gente correndo para lançar títulos antes dos feriados de Natal”, diz o diretor da BCP Securities, Samy Podlubny. Segundo ele, quem lançar papéis no mercado externo depois da segunda semana de dezembro terá dificuldades de vendê-los, principalmente se parte da emissão for para pessoa física, como acontece no caso dos eurobônus dos bancos brasileiros. “Ou o banqueiro que mostra o papel ao investidor estará de férias ou o próprio investidor estará esquiando ou em Cancún”, brinca.
Por isso, até mesmo as empresas não-financeiras que tentarem rolar dívidas que vencem em dezembro deverão fazê-lo com antecedência, em novembro. Em outubro, os bancos quitaram US$ 709 milhões em dívida externa, enquanto as empresas rolaram US$ 205 milhões.
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Por Mhais• 8 de fevereiro de 2003• 09:32• Sem categoria
VENCIMENTO RECORDE DE US$ 2,5 BI DE BANCOS E EMPRESAS EM DEZEMBRO
Valor Econômico
Cristiane Perini Lucchesi, De São Paulo
Os bancos brasileiros têm US$ 2 bilhões de vencimentos de dívida externa somente em dezembro, em relação aos US$ 400 milhões em novembro e US$ 709 milhões em outubro, segundo levantamento do Valor Data. No total de empresas financeiras e não-financeiras, vencem US$ 2,5 bilhões daqui a dois meses no exterior, um recorde mensal para este ano. Os especialistas acreditam que em dezembro, como aconteceu neste mês de outubro, os bancos não devem lançar eurobônus para rolar a dívida, o que vai significar forte fluxo de saída de recursos no país no último mês do ano.
Mas, os analistas não vêem razões para preocupações. Mesmo se a saída de dólares de dezembro for amplificada pelo tradicional movimento de limpeza dos balanços dos bancos internacionais de risco Brasil, que acontece sazonalmente em dezembro e que implica redução de linhas de financiamento de curto prazo. Isso porque a sobra de dólares tem sido tanta neste ano que, apesar de o Tesouro ter retirado aproximadamente US$ 17 bilhões em dólar à vista e futuro -dívida cambial- do mercado, a moeda americana apresenta queda de 19,97% até agora.
“Se sentir alguma pressão indesejada no câmbio, o que eu não acredito, o Banco Central tem a opção de elevar o cupom cambial e assim estimular a emissão de bônus dos bancos nacionais”, afirma o diretor do Bradesco, José Guilherme Lembi de Faria. Desde o final de julho, os grandes bancos deixaram de emitir eurobônus por causa justamente da queda do chamado cupom cambial -o rendimento dos investimentos indexados ao dólar no mercado interno brasileiro- em velocidade maior do que a redução no custo dos eurobônus emitidos pelos bancos.
Os bancos brasileiros só buscam dólares para capital de giro por meio de eurobônus quando conseguem captar no exterior pagando juros menores do que o cupom cambial -os juros que vão receber no mercado interno de títulos do governo ou que servem como base no empréstimo a empresas. Ontem, para se ter uma idéia, o cupom cambial de vencimento em um ano -medido pelo Forward Rate Agreement, o FRA da Bolsa de Mercadorias & Futuros- estava em 2,62% ao ano. O Banco Votorantim emitiu para liquidação em 6 de agosto um eurobônus de US$ 50 milhões para vencimento em um ano e pagou 3,375% ao ano. Os investidores já consideraram, na época, o rendimento apertado.
Alguns grandes bancos nacionais chegaram a considerar o prazo de três anos para emissão de eurobônus durante todo o mês de setembro, mas sempre que seus diretores da área internacional iam às telas dos computadores constatavam que o cupom cambial não compensava. “O cupom ficou favorável em setembro apenas durante meia hora”, conta Lembi de Faria.
O Bradesco começa hoje visita aos investidores para emitir títulos de US$ 300 milhões de vencimento em dez anos, com cobertura de risco político. Mas não pensa em lançar eurobônus tão já. Também o Banco do Brasil não descarta fazer novas captações neste ano, de um ou mais tipos, segundo o diretor Augusto Braúna. Após os títulos de vencimento em um e dois anos, “está na hora de esticar prazos dos bônus plain vanilla dos bancos”, diz Braúna. Bônus plain vanilla, no jargão do mercado, são aqueles sem seguros ou garantias.
“Há muita gente correndo para lançar títulos antes dos feriados de Natal”, diz o diretor da BCP Securities, Samy Podlubny. Segundo ele, quem lançar papéis no mercado externo depois da segunda semana de dezembro terá dificuldades de vendê-los, principalmente se parte da emissão for para pessoa física, como acontece no caso dos eurobônus dos bancos brasileiros. “Ou o banqueiro que mostra o papel ao investidor estará de férias ou o próprio investidor estará esquiando ou em Cancún”, brinca.
Por isso, até mesmo as empresas não-financeiras que tentarem rolar dívidas que vencem em dezembro deverão fazê-lo com antecedência, em novembro. Em outubro, os bancos quitaram US$ 709 milhões em dívida externa, enquanto as empresas rolaram US$ 205 milhões.
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