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Por 13:46 Notícias

BANCOS LUCRAM 10 VEZES MAIS QUE EMPRESAS

Alta dos juros que descapitalizou indústrias e agravou o desemprego fez a festa das instituições financeiras
Vicente Nunes
Da equipe do Correio
A combinação de juros altos e tarifas cada vez mais caras levou os principais bancos brasileiros a registrar lucros fabulosos nos primeiros três meses do ano. Com rentabilidade média superior a 20% — para cada R$ 100 de patrimônio, os bancos embolsaram, limpinhos, cerca de R$ 20 —, as instituições financeiras tiveram ganho dez vezes maior que os 2% contabilizados, na média, pelas principais empresas brasileiras.
Com lucro líquido de R$ 830 milhões, o Banespa, o banco mais lucrativo do primeiro trimestre, superou em nove vezes o lucro da Sadia (R$ 86 milhões), uma das maiores empresas de alimentos do país. ‘‘A cada ano que passa, os lucros dos bancos se multiplicam, independentemente se o Brasil está em crise ou não’’, afirmou Christiani Reinaldim, analista-chefe do setor de empresas da Consultoria Global Invest.
Segundo banco mais rentável, o Itaú teve lucro de R$ 714 milhões. Só para ter uma idéia, isso representa mais do que a soma de gigantes como a Souza Cruz (R$ 202 milhões), a Gerdau (R$ 287 milhões) e a Suzano (R$ 155 milhões) juntas. A comparação com empresas do setor produtivo vale também para o Bradesco, maior banco do país, que teve lucro de R$ 507 milhões, para o Banco do Brasil e para o Unibanco que, apesar da queda de 1,8% em seu resultado, teve lucro de R$ 218 milhões. ‘‘Essas comparações explicitam as distorções existentes no país entre o setor financeiro e o setor produtivo’’, disse Carlos Antonio Magalhães, vice-presidente da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec).
‘‘Nos últimos oito anos, registrou-se uma grande transferência de renda das empresas para os bancos. Os juros altos descapitalizaram as indústrias e abarrotaram o caixa dos bancos. O resultado disso foi a quebradeira de muitas empresas e o fechamento de muitos postos de trabalho’’, acrescentou Magalhães.
Impressionado com os resultados dos bancos, o vice-presidente da Abamec se deu ao trabalho de analisar os balanços de 30 instituições financeiras e das 400 maiores empresas do país. Ficou perplexo com o que encontrou. Enquanto a rentabilidade média dos bancos foi de 13,22% ao ano nos últimos oito anos, o ganho médio anual das empresas ficou, no mesmo período, em 1,56%. Ou seja, a rentabilidade dos bancos, nos últimos oito anos, foi 747% maior que a das empresas. ‘‘Olhando para esses números, fica mais fácil entender porque muitos empresários desistiram de seus negócios para viver de juros. O rendimento médio do setor produtivo, de 1,56%, foi inferior ao da caderneta de poupança, de 6% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR)’’, destacou o analista.
Pelas contas de Magalhães, dos 30 bancos analisados por ele, 83% contabilizaram lucro entre 1995 e 2002, a era Fernando Henrique Cardoso. Das 400 empresas, pouco mais da metade, 57%, conseguiu fechar os balanços com lucro, principalmente pelo alto índice de endividamento. ‘‘Não vejo muitas mudanças em 2003. A queda do dólar está dando um alívio para muitas empresas, mas nada que as faça igualarem seus lucros aos dos bancos’’, sentenciou.
PRODUTORES DE LUCROS
O quadro abaixo mostra o quanto os maiores bancos brasileiros lucraram (em R$ milhões) no primeiro trimestre do ano e como seus rendimentos superaram os ganhos de várias empresas somadas.
BANESPA – 830
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) – 406
Usiminas – 362
Ipiranga Distribuidora – 35
Total das empresas – 803
ITAÚ – 714
Aracruz – 319,70
Souza Cruz – 202,20
Suzano – 155
Total das empresas – 676,9
BRADESCO – 507
Gerdau – 287
Cosipa – 132
Telemig Celular Part. – 44,31
Total das empresas – 463,31
BANCO DO BRASIL – 479
Votorantim C P – 229,38
Sadia – 86
Tele Nordeste Celular -33
Tele Celular Sul – 28,66
Total das empresas – 377,04
UNIBANCO – 218
Klabin – 63
Tele Sudeste Celular – 29,90
Embratel – 11
Copesul – 10,77
Total das empresas – 114,67
Fonte Correio Braziliense

Por 13:46 Sem categoria

BANCOS LUCRAM 10 VEZES MAIS QUE EMPRESAS

Alta dos juros que descapitalizou indústrias e agravou o desemprego fez a festa das instituições financeiras

Vicente Nunes
Da equipe do Correio
A combinação de juros altos e tarifas cada vez mais caras levou os principais bancos brasileiros a registrar lucros fabulosos nos primeiros três meses do ano. Com rentabilidade média superior a 20% — para cada R$ 100 de patrimônio, os bancos embolsaram, limpinhos, cerca de R$ 20 —, as instituições financeiras tiveram ganho dez vezes maior que os 2% contabilizados, na média, pelas principais empresas brasileiras.

Com lucro líquido de R$ 830 milhões, o Banespa, o banco mais lucrativo do primeiro trimestre, superou em nove vezes o lucro da Sadia (R$ 86 milhões), uma das maiores empresas de alimentos do país. ‘‘A cada ano que passa, os lucros dos bancos se multiplicam, independentemente se o Brasil está em crise ou não’’, afirmou Christiani Reinaldim, analista-chefe do setor de empresas da Consultoria Global Invest.

Segundo banco mais rentável, o Itaú teve lucro de R$ 714 milhões. Só para ter uma idéia, isso representa mais do que a soma de gigantes como a Souza Cruz (R$ 202 milhões), a Gerdau (R$ 287 milhões) e a Suzano (R$ 155 milhões) juntas. A comparação com empresas do setor produtivo vale também para o Bradesco, maior banco do país, que teve lucro de R$ 507 milhões, para o Banco do Brasil e para o Unibanco que, apesar da queda de 1,8% em seu resultado, teve lucro de R$ 218 milhões. ‘‘Essas comparações explicitam as distorções existentes no país entre o setor financeiro e o setor produtivo’’, disse Carlos Antonio Magalhães, vice-presidente da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec).

‘‘Nos últimos oito anos, registrou-se uma grande transferência de renda das empresas para os bancos. Os juros altos descapitalizaram as indústrias e abarrotaram o caixa dos bancos. O resultado disso foi a quebradeira de muitas empresas e o fechamento de muitos postos de trabalho’’, acrescentou Magalhães.

Impressionado com os resultados dos bancos, o vice-presidente da Abamec se deu ao trabalho de analisar os balanços de 30 instituições financeiras e das 400 maiores empresas do país. Ficou perplexo com o que encontrou. Enquanto a rentabilidade média dos bancos foi de 13,22% ao ano nos últimos oito anos, o ganho médio anual das empresas ficou, no mesmo período, em 1,56%. Ou seja, a rentabilidade dos bancos, nos últimos oito anos, foi 747% maior que a das empresas. ‘‘Olhando para esses números, fica mais fácil entender porque muitos empresários desistiram de seus negócios para viver de juros. O rendimento médio do setor produtivo, de 1,56%, foi inferior ao da caderneta de poupança, de 6% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR)’’, destacou o analista.

Pelas contas de Magalhães, dos 30 bancos analisados por ele, 83% contabilizaram lucro entre 1995 e 2002, a era Fernando Henrique Cardoso. Das 400 empresas, pouco mais da metade, 57%, conseguiu fechar os balanços com lucro, principalmente pelo alto índice de endividamento. ‘‘Não vejo muitas mudanças em 2003. A queda do dólar está dando um alívio para muitas empresas, mas nada que as faça igualarem seus lucros aos dos bancos’’, sentenciou.

PRODUTORES DE LUCROS

O quadro abaixo mostra o quanto os maiores bancos brasileiros lucraram (em R$ milhões) no primeiro trimestre do ano e como seus rendimentos superaram os ganhos de várias empresas somadas.

BANESPA – 830
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) – 406
Usiminas – 362
Ipiranga Distribuidora – 35
Total das empresas – 803

ITAÚ – 714
Aracruz – 319,70
Souza Cruz – 202,20
Suzano – 155
Total das empresas – 676,9

BRADESCO – 507
Gerdau – 287
Cosipa – 132
Telemig Celular Part. – 44,31
Total das empresas – 463,31

BANCO DO BRASIL – 479
Votorantim C P – 229,38
Sadia – 86
Tele Nordeste Celular -33
Tele Celular Sul – 28,66
Total das empresas – 377,04

UNIBANCO – 218
Klabin – 63
Tele Sudeste Celular – 29,90
Embratel – 11
Copesul – 10,77
Total das empresas – 114,67

Fonte Correio Braziliense

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