Brasília (AF) – O colégio de líderes da Câmara dos Deputados decidiu ontem instalar na próxima terça-feira uma CPI para apurar a remessa ilegal de cerca de US$ 30 bilhões para o exterior, por meio do Banestado (Banco do Estado do Paraná), entre 1996 e 1999.
Derrubada na semana passada no Senado por meio de articulação comandada pelo Planalto – que temia prejuízos ao trâmite das reformas –, a CPI será presidida pelo PSDB e relatada pelo PT (os nomes ainda não foram definidos). O autor do requerimento de instalação, que contou com 171 assinaturas, é o deputado Eduardo Valverde (PT-RO).
Pesaram para o recuo do governo a repercussão negativa do empenho utilizado para o sepultamento da CPI no Senado e o fato de o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), já ter negado a abertura de outras CPIs defendidas por integrantes da base aliada, como a que investigaria o caso dos fiscais do Rio de Janeiro e a relacionada ao grampo telefônico de políticos da Bahia.
A Polícia Federal já investiga o esquema de lavagem que enviava dinheiro por meio de contas CC-5 (de não-residentes) de Foz do Iguaçu a 137 contas da agência do Banestado em Nova Iorque. Segundo a PF, há nomes de políticos envolvidos na movimentação suspeita.
Escândalos
Na reunião ocorrida ontem entre os líderes dos partidos na Câmara e o deputado João Paulo, vários presentes defenderam que a CPI não seja usada como fábrica de escândalos para a imprensa.
“Entendo que talvez estejamos exagerando na criação de CPIs e tenho receio em relação a algumas delas. Por isso, vamos tomar cuidado na indicação dos membros para não transformá-las em show para a imprensa”, disse o deputado José Carlos Aleluia (BA), líder do PFL na Casa.
De acordo com o deputado Nelson Pellegrino (BA), líder da bancada do PT, a CPI não se aterá somente ao caso do Banestado. “A minha avaliação é a de que o caso está sendo bem apurado pelos trâmites normais (PF). A CPI serve como salvaguarda caso esses trâmites não funcionem”, afirmou.
Fonte: Gazeta do Povo
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