O chefe do Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros do Banco Central (BC), Ricardo Liao, revelou ontem, em depoimento a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional do Banestado que um suspeito de atividades terroristas teria utilizado as contas CC-5 a partir de Foz do Iguaçu, para enviar dinheiro ao exterior. Segundo Liao, o BC pediu às instituições do sistema financeiro nacional que identificassem pessoas listadas pelo governo dos Estados Unidos como suspeitas de terrorismo internacional entre as usuárias de contas CC-5. A partir desse pedido, foi encontrado, por aproximação, o nome de um árabe que usaria as contas supostamente para operação de exportação de frangos.
As listas apresentadas pelas autoridades norte-americanas no Brasil foram elaboradas pela CIA, a agência de inteligência norte-americana, e pelo FBI, a polícia federal daquele país, com ajuda do Banco Central dos EUA (Federal Reserve). Porém, informou Liao, a identificação não pôde ser feita com maior precisão por falta de indicadores numéricos, como, por exemplo, o número da carteira de identidade.
Durante a reunião de ontem, o senador Romeu Tuma (PFL-SP) registrou que a CPI dos Precatórios já havia identificado irregularidades na utilização de contas CC-5, que movimentavam recursos incompatíveis com os recursos do mercado de sacoleiros em Ciudad del Leste, no Paraguai. O presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MS), informou que solicitou a distribuição dos relatórios de CPIs anteriores, como a dos Bancos, a do Judiciário e, inclusive, a do Futebol. Antero acredita que a CPI do Banestado vai “fechar uma série de colchetes deixados abertos pelas comissões anteriores”. O deputado Gilberto Nascimento (PSB-SP) anunciou que vai pedir a Antero a convocação do juiz de Cascavel (PR) que examinou o inquérito sobre o assunto movido por procuradores naquela cidade.
Rota O chefe do Departamento de Capitais Estrangeiros e Câmbio do Banco Central, José Maria de Carvalho, revelou ontem à CPI detalhes de esquema destinado a promover a evasão de divisas do país. Segundo ele, as pessoas interessadas em fazer remessas ilegais se utilizaram de dispositivo de circular do Banco Central publicada em 1996, que permitia a saída de reais de Foz do Iguaçu para Ciudad Del Este, no Paraguai.
Agências na cidade paranaense de quatro bancos autorizados pelo BC – Banestado, Banco Araucária, Bemge e Banco Real – recebiam depósitos em reais, que poderiam ser sacados para utilização em compras no comércio do outro lado da Ponte da Amizade. As normas do Banco Central permitiam o retorno de recursos pelos comerciantes paraguaios para depósito em Foz do Iguaçu.
Troca – Neste ponto específico, de acordo com o depoimento, se deu a fraude: correntistas brasileiros, que haviam sacado valores muito altos em Foz Iguaçu, traziam os recursos de volta ao Brasil, simulando que o dinheiro havia sido utilizado no comércio no Paraguai. A operação era completada com a troca dos reais por dólares e o envio para paraísos fiscais.
De acordo com José Maria de Carvalho, a movimentação de recursos elevados, incompatíveis com dados cadastrais dos correntistas, chamaram a atenção do Banco Central.
FONTE: JORNAL DO ESTADO
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Por Mhais• 4 de julho de 2003• 16:05• Sem categoria
“TERRORISTA” PODE TER USADO CC-5
O chefe do Departamento de Combate a Ilícitos Cambiais e Financeiros do Banco Central (BC), Ricardo Liao, revelou ontem, em depoimento a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Congresso Nacional do Banestado que um suspeito de atividades terroristas teria utilizado as contas CC-5 a partir de Foz do Iguaçu, para enviar dinheiro ao exterior. Segundo Liao, o BC pediu às instituições do sistema financeiro nacional que identificassem pessoas listadas pelo governo dos Estados Unidos como suspeitas de terrorismo internacional entre as usuárias de contas CC-5. A partir desse pedido, foi encontrado, por aproximação, o nome de um árabe que usaria as contas supostamente para operação de exportação de frangos.
As listas apresentadas pelas autoridades norte-americanas no Brasil foram elaboradas pela CIA, a agência de inteligência norte-americana, e pelo FBI, a polícia federal daquele país, com ajuda do Banco Central dos EUA (Federal Reserve). Porém, informou Liao, a identificação não pôde ser feita com maior precisão por falta de indicadores numéricos, como, por exemplo, o número da carteira de identidade.
Durante a reunião de ontem, o senador Romeu Tuma (PFL-SP) registrou que a CPI dos Precatórios já havia identificado irregularidades na utilização de contas CC-5, que movimentavam recursos incompatíveis com os recursos do mercado de sacoleiros em Ciudad del Leste, no Paraguai. O presidente da CPI, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MS), informou que solicitou a distribuição dos relatórios de CPIs anteriores, como a dos Bancos, a do Judiciário e, inclusive, a do Futebol. Antero acredita que a CPI do Banestado vai “fechar uma série de colchetes deixados abertos pelas comissões anteriores”. O deputado Gilberto Nascimento (PSB-SP) anunciou que vai pedir a Antero a convocação do juiz de Cascavel (PR) que examinou o inquérito sobre o assunto movido por procuradores naquela cidade.
Rota O chefe do Departamento de Capitais Estrangeiros e Câmbio do Banco Central, José Maria de Carvalho, revelou ontem à CPI detalhes de esquema destinado a promover a evasão de divisas do país. Segundo ele, as pessoas interessadas em fazer remessas ilegais se utilizaram de dispositivo de circular do Banco Central publicada em 1996, que permitia a saída de reais de Foz do Iguaçu para Ciudad Del Este, no Paraguai.
Agências na cidade paranaense de quatro bancos autorizados pelo BC – Banestado, Banco Araucária, Bemge e Banco Real – recebiam depósitos em reais, que poderiam ser sacados para utilização em compras no comércio do outro lado da Ponte da Amizade. As normas do Banco Central permitiam o retorno de recursos pelos comerciantes paraguaios para depósito em Foz do Iguaçu.
Troca – Neste ponto específico, de acordo com o depoimento, se deu a fraude: correntistas brasileiros, que haviam sacado valores muito altos em Foz Iguaçu, traziam os recursos de volta ao Brasil, simulando que o dinheiro havia sido utilizado no comércio no Paraguai. A operação era completada com a troca dos reais por dólares e o envio para paraísos fiscais.
De acordo com José Maria de Carvalho, a movimentação de recursos elevados, incompatíveis com dados cadastrais dos correntistas, chamaram a atenção do Banco Central.
FONTE: JORNAL DO ESTADO
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