A mais nova central sindical do país, a Central dos Servidores Públicos, não quer polemizar com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que tem 30% da sua base formada por servidores. Mas admite que a CUT vai se empenhar para descredenciá-la por estar mexendo com parte da base cutista. “Eles não querem perder poder político. Mas precisamos explorar um espaço que não foi explorado, na defesa dos servidores”, explica Reynaldo Puggi, presidente do sindicato nacional dos técnicos da Receita Federal (Sindtten), um dos três coordenadores provisórios da nova central.
A bandeira da defesa dos interesses dos servidores, segundo Puggi, nunca foi encabeçada pela central criada em 1983 e agora com seus integrantes no governo Lula, os cutistas teriam pouca autonomia por serem braço sindical do PT: “Que independência ao governo é essa? O braço político da CUT está no poder. Há um jogo de cartas marcadas.” Formada provisoriamente na quarta-feira passada, a Central dos Servidores Públicos diz já reunir 53 entidades. A lista completa não é divulgada até o congresso que vai oficializar a entidade em agosto. O Valor obteve uma lista com apenas 23 entidades (ver quadro). Puggi teme que com a divulgação neste momento, a CUT poderia iniciar uma desmobilização. As entidades filiadas à CUT, no entanto, deverão fazer consultas a suas bases para a desfiliação.
Nesta terça-feira, haverá uma paralisação nacional de servidores, mas a nova entidade diz não ser a favor da greve por ela pedir pela retirada da PEC 40 que trata da reforma da Previdência. A nova central se diz favorável a uma reforma na Previdência, mas não a que está na Câmara.
Os números parciais, apontados pela nova central são que a nova entidade já contaria com uma base de pelo menos um milhão de servidores. Segundo dados da CUT, em 2002, eram 22 milhões na base da CUT, sendo 6,6 milhões de servidores. Dados do IBGE de 2000, estimam um total de 8,7 milhões de servidores. A Central de Servidores Públicos reúne, no entanto, sindicatos independentes e sindicatos filiados a outras centrais.
A experiência de formar uma nova central não surgiu em outros países. O estopim se deu com a reforma da Previdência. “O valor que o Ministério da Previdência quer economizar com a reforma é de R$ 50 bi que não dá nem um terço do valor que é sonegado e que os procuradores não conseguem recuperar. Não se pode ter uma boa fiscalização, sem um Estado fortalecido”, argumenta.
A CUT argumenta que a Central dos Servidores Públicos é pouco representativa e reúne apenas uma categoria. Puggi rebate: “O serviço público tem uma gama de categorias tão ampla quanto à área privada. Temos engenheiros, médicos, professores, policiais, juízes…” Puggi diz ainda que a CUT quer denegrir a nova instituição: “Estamos vindo para ficar. Se não fôssemos representativos, a CUT não estaria preocupada”.
Até 1988, os servidores públicos estavam impedidos de filiar-se a sindicatos. “A CUT se especializou em criar sindicatos para servidores. Hoje é uma máquina de fazer deputados (61) e senadores (4). Mas a maioria está votando contra os trabalhadores. Professor Luizinho (PT-SP), vice-líder do governo é o chefe da tropa de choque”, critica.
Para o sindicalista, a CUT nunca representou o servidor público, pois surgiu voltada para o mercado e para fazer política de massa. “A CUT não tem a menor noção do serviço público”, reclama. “Desde o governo Collor, há um desmantelamento da máquina pública e os servidores são vistos como bode expiatórios.”
Puggi, que é simpatizante do PT, considera que o serviço público está sendo vilipendiado pelo partido. “Sou militante do PT desde 1988, sou eleitor deles, mas estou observando uma guinada no partido que está dando continuidade ao governo FHC -ao enriquecimento das instituições financeiras.”
O diálogo com os servidores, para Puggi, também não está acontecendo. “Para dialogar, o governo só deu ouvidos a quem faz parte do governo: a CUT.” E continua: “Que diálogo é esse? É um arremedo de diálogo e de democracia”. Puggi também acusa a CUT de querer administrar um fundo de pensão formado pelos servidores públicos que ganham acima do teto: “A CUT quer virar uma Previ da noite para dia”.
Jamil Nakad Junior, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 7 de julho de 2003• 11:46• Sem categoria
CENTRAL DE SERVIDORES PÚBLICOS TEME REAÇÃO DO GOVERNO E DA CUT
A mais nova central sindical do país, a Central dos Servidores Públicos, não quer polemizar com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que tem 30% da sua base formada por servidores. Mas admite que a CUT vai se empenhar para descredenciá-la por estar mexendo com parte da base cutista. “Eles não querem perder poder político. Mas precisamos explorar um espaço que não foi explorado, na defesa dos servidores”, explica Reynaldo Puggi, presidente do sindicato nacional dos técnicos da Receita Federal (Sindtten), um dos três coordenadores provisórios da nova central.
A bandeira da defesa dos interesses dos servidores, segundo Puggi, nunca foi encabeçada pela central criada em 1983 e agora com seus integrantes no governo Lula, os cutistas teriam pouca autonomia por serem braço sindical do PT: “Que independência ao governo é essa? O braço político da CUT está no poder. Há um jogo de cartas marcadas.” Formada provisoriamente na quarta-feira passada, a Central dos Servidores Públicos diz já reunir 53 entidades. A lista completa não é divulgada até o congresso que vai oficializar a entidade em agosto. O Valor obteve uma lista com apenas 23 entidades (ver quadro). Puggi teme que com a divulgação neste momento, a CUT poderia iniciar uma desmobilização. As entidades filiadas à CUT, no entanto, deverão fazer consultas a suas bases para a desfiliação.
Nesta terça-feira, haverá uma paralisação nacional de servidores, mas a nova entidade diz não ser a favor da greve por ela pedir pela retirada da PEC 40 que trata da reforma da Previdência. A nova central se diz favorável a uma reforma na Previdência, mas não a que está na Câmara.
Os números parciais, apontados pela nova central são que a nova entidade já contaria com uma base de pelo menos um milhão de servidores. Segundo dados da CUT, em 2002, eram 22 milhões na base da CUT, sendo 6,6 milhões de servidores. Dados do IBGE de 2000, estimam um total de 8,7 milhões de servidores. A Central de Servidores Públicos reúne, no entanto, sindicatos independentes e sindicatos filiados a outras centrais.
A experiência de formar uma nova central não surgiu em outros países. O estopim se deu com a reforma da Previdência. “O valor que o Ministério da Previdência quer economizar com a reforma é de R$ 50 bi que não dá nem um terço do valor que é sonegado e que os procuradores não conseguem recuperar. Não se pode ter uma boa fiscalização, sem um Estado fortalecido”, argumenta.
A CUT argumenta que a Central dos Servidores Públicos é pouco representativa e reúne apenas uma categoria. Puggi rebate: “O serviço público tem uma gama de categorias tão ampla quanto à área privada. Temos engenheiros, médicos, professores, policiais, juízes…” Puggi diz ainda que a CUT quer denegrir a nova instituição: “Estamos vindo para ficar. Se não fôssemos representativos, a CUT não estaria preocupada”.
Até 1988, os servidores públicos estavam impedidos de filiar-se a sindicatos. “A CUT se especializou em criar sindicatos para servidores. Hoje é uma máquina de fazer deputados (61) e senadores (4). Mas a maioria está votando contra os trabalhadores. Professor Luizinho (PT-SP), vice-líder do governo é o chefe da tropa de choque”, critica.
Para o sindicalista, a CUT nunca representou o servidor público, pois surgiu voltada para o mercado e para fazer política de massa. “A CUT não tem a menor noção do serviço público”, reclama. “Desde o governo Collor, há um desmantelamento da máquina pública e os servidores são vistos como bode expiatórios.”
Puggi, que é simpatizante do PT, considera que o serviço público está sendo vilipendiado pelo partido. “Sou militante do PT desde 1988, sou eleitor deles, mas estou observando uma guinada no partido que está dando continuidade ao governo FHC -ao enriquecimento das instituições financeiras.”
O diálogo com os servidores, para Puggi, também não está acontecendo. “Para dialogar, o governo só deu ouvidos a quem faz parte do governo: a CUT.” E continua: “Que diálogo é esse? É um arremedo de diálogo e de democracia”. Puggi também acusa a CUT de querer administrar um fundo de pensão formado pelos servidores públicos que ganham acima do teto: “A CUT quer virar uma Previ da noite para dia”.
Jamil Nakad Junior, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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