O BNP Paribas quer ter no Brasil um peso compatível com sua importância no mercado internacional. Apesar de ter sido um dos raros bancos estrangeiros que cresceu no ano passado, aumentando em 80% os ativos totais, de R$ 3,04 bilhões para R$ 5,4 bilhões, o BNP Paribas está apenas no 26 º lugar no ranking. No exterior, porém, é o oitavo com 40 bilhões de euros em valor de mercado e 700 bilhões de euros em ativos totais. Está presente em 90 países e tem 85 mil empregados. No ano passado, lucrou 4 bilhões de euros, dos quais só 0,3% no Brasil.
“O problema é que não tínhamos estrutura para oferecer mais serviços aos clientes. Agora, só não temos banco de rede”, disse o presidente do BNP Paribas no Brasil, Bernard Mencier, apressando-se em completar que a matriz francesa não tem planos de entrar no varejo bancário brasileiro. “Não temos equipe para isso. Andamos passo a passo, olhando as oportunidades dia a dia e vendo se podemos aproveita-las”, afirmou.
Mas, o BNP Paribas já tem um pé no varejo, embora adormecido. Opera timidamente no Brasil a financeira do grupo, Cetelem, há seis anos, antes mesmo que outros bancos estrangeiros acordassem para esse negócio como o Citigroup e o HSBC.
Mencier tem um diagnóstico claro de onde outros bancos estrangeiros falharam no mercado brasileiro e porque acabaram saindo do País. “A estratégia errada dá resultado rápido no Brasil”, afirmou. Na sua avaliação, acertaram os que entraram no varejo adquirindo bancos com uma ampla carteira de clientes e boa saúde financeira. Quem comprou bancos com poucos clientes não conseguiu atraí-los e pagar os custos e investimentos. “O varejo bancário brasileiro é bem organizado e competitivo. Atende só a a população que tem salário e cadastro, com uma qualidade e variedade digna dos holandeses.”
Já os bancos de atacado estrangeiros erraram quando resolveram entrar no Brasil com apenas algumas linhas de negócio e se deram mal quando a turbulência do ano passado afetou os resultados. Para evitar essa armadilha, Mencier disse ter usado no Brasil a estratégia da “centopéia, que tem várias pernas”, cada uma com três a seis linhas de negócio.
As quatro pernas principais são a divisão de empresas, a tesouraria, a de clientes institucionais e a de administração de fortunas. A divisão de empresas, comandada por Debora Vieitas, responde por 30% dos resultados e faz financiamentos estruturados para o desenvolvimento e o comércio como financiamento de bens de capital com garantia das export credit agencies (ECA) como a francesa Coface e a alemã Hermes. Outros 30% vêm da tesouraria, pilotada por Carlos Calabrezi, que trabalha com todos os produtos de mercado como hedge e emissões para bancos, seguradoras e empresas. Há área de clientes institucionais, que cuida de bancos, seguradoras e administradoras de recursos, dirigida por Marcelo Giufrida, que passou de R$ 900 milhões para R$ 7 bilhões em dois anos e contribui com 20% do resultado; e a de private banking que administra R$ 1,5 bilhão em fortunas e responde pelos 20% restantes.
Mencier está feliz com os resultados: o lucro passou de R$ 9 milhões em 2000 para R$ 49,5 milhões em 2001, quando assumiu a presidência, para R$ 44,9 milhões em 2002 e estava previsto em R$ 90 milhões neste ano. Mas, essa marca já foi superada.
Os lucros estão sendo reinvestidos e o patrimônio triplicou a partir de 2000 para R$ 326,5 milhões em dezembro passado.
Segundo Mencier, há espaço para crescer mais em serviços de qualidade para a pessoa jurídica como a assessoria em investimento no exterior e o financiamento de projetos de grande porte. “As grandes empresas vão demandar serviços para equilibrar as receitas em dólar e moeda estrangeira. Vão continuar precisando financiamento para crescer, adquirir outras empresas e securitizar exportações, por exemplo. Queremos nos firmar como um dos bancos estrangeiros mais importantes no Brasil.”
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 8 de julho de 2003• 09:25• Sem categoria
BNP PARIBAS QUER SER NO BRASIL UM DOS MAIORES BANCOS ESTRANGEIROS
O BNP Paribas quer ter no Brasil um peso compatível com sua importância no mercado internacional. Apesar de ter sido um dos raros bancos estrangeiros que cresceu no ano passado, aumentando em 80% os ativos totais, de R$ 3,04 bilhões para R$ 5,4 bilhões, o BNP Paribas está apenas no 26 º lugar no ranking. No exterior, porém, é o oitavo com 40 bilhões de euros em valor de mercado e 700 bilhões de euros em ativos totais. Está presente em 90 países e tem 85 mil empregados. No ano passado, lucrou 4 bilhões de euros, dos quais só 0,3% no Brasil.
“O problema é que não tínhamos estrutura para oferecer mais serviços aos clientes. Agora, só não temos banco de rede”, disse o presidente do BNP Paribas no Brasil, Bernard Mencier, apressando-se em completar que a matriz francesa não tem planos de entrar no varejo bancário brasileiro. “Não temos equipe para isso. Andamos passo a passo, olhando as oportunidades dia a dia e vendo se podemos aproveita-las”, afirmou.
Mas, o BNP Paribas já tem um pé no varejo, embora adormecido. Opera timidamente no Brasil a financeira do grupo, Cetelem, há seis anos, antes mesmo que outros bancos estrangeiros acordassem para esse negócio como o Citigroup e o HSBC.
Mencier tem um diagnóstico claro de onde outros bancos estrangeiros falharam no mercado brasileiro e porque acabaram saindo do País. “A estratégia errada dá resultado rápido no Brasil”, afirmou. Na sua avaliação, acertaram os que entraram no varejo adquirindo bancos com uma ampla carteira de clientes e boa saúde financeira. Quem comprou bancos com poucos clientes não conseguiu atraí-los e pagar os custos e investimentos. “O varejo bancário brasileiro é bem organizado e competitivo. Atende só a a população que tem salário e cadastro, com uma qualidade e variedade digna dos holandeses.”
Já os bancos de atacado estrangeiros erraram quando resolveram entrar no Brasil com apenas algumas linhas de negócio e se deram mal quando a turbulência do ano passado afetou os resultados. Para evitar essa armadilha, Mencier disse ter usado no Brasil a estratégia da “centopéia, que tem várias pernas”, cada uma com três a seis linhas de negócio.
As quatro pernas principais são a divisão de empresas, a tesouraria, a de clientes institucionais e a de administração de fortunas. A divisão de empresas, comandada por Debora Vieitas, responde por 30% dos resultados e faz financiamentos estruturados para o desenvolvimento e o comércio como financiamento de bens de capital com garantia das export credit agencies (ECA) como a francesa Coface e a alemã Hermes. Outros 30% vêm da tesouraria, pilotada por Carlos Calabrezi, que trabalha com todos os produtos de mercado como hedge e emissões para bancos, seguradoras e empresas. Há área de clientes institucionais, que cuida de bancos, seguradoras e administradoras de recursos, dirigida por Marcelo Giufrida, que passou de R$ 900 milhões para R$ 7 bilhões em dois anos e contribui com 20% do resultado; e a de private banking que administra R$ 1,5 bilhão em fortunas e responde pelos 20% restantes.
Mencier está feliz com os resultados: o lucro passou de R$ 9 milhões em 2000 para R$ 49,5 milhões em 2001, quando assumiu a presidência, para R$ 44,9 milhões em 2002 e estava previsto em R$ 90 milhões neste ano. Mas, essa marca já foi superada.
Os lucros estão sendo reinvestidos e o patrimônio triplicou a partir de 2000 para R$ 326,5 milhões em dezembro passado.
Segundo Mencier, há espaço para crescer mais em serviços de qualidade para a pessoa jurídica como a assessoria em investimento no exterior e o financiamento de projetos de grande porte. “As grandes empresas vão demandar serviços para equilibrar as receitas em dólar e moeda estrangeira. Vão continuar precisando financiamento para crescer, adquirir outras empresas e securitizar exportações, por exemplo. Queremos nos firmar como um dos bancos estrangeiros mais importantes no Brasil.”
Fonte: Valor Econômico
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