Para Marinho, recuo na aposentadoria integral é ceder à pressão dos altos salários: ‘Não se pode favorcer uma casta em detrimento do restante dos servidores’
O recuo do governo no caso da aposentadoria integral dos servidores desagradou uma velha aliada, a Central Única dos Trabalhadores (CUT). “O governo está errado em manter a integralidade. É ceder a uma pressão dos altos salários”, disse o presidente da entidade, Luiz Marinho, ao fim da audiência na comissão especial da Câmara que analisa a reforma da Previdência.
As declarações foram dadas por Marinho antes de deixar a Câmara e reunir-se com os líderes da base aliada na casa oficial do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Para ele, a manutenção da aposentadoria integral atenderá os altos salários recebidos no Judiciário e Legislativo. “Precisamos de um serviço público fortalecido em sua íntegra e não de uma casta favorecida em detrimento do restante.”
Marinho defendeu a proposta da CUT de estabelecer teto universal, de R$ 4,8 mil (20 salários mínimos) tanto para o funcionalismo público quanto para a iniciativa privada. Para ele, um juiz que ganha R$ 17 mil mensais tem como planejar seu futuro contribuindo para um fundo de pensão para complementar sua aposentadoria. “Defendemos a integralidade da aposentadoria, mas só até o teto de R$ 4,8 mil”, afirmou Marinho.
Já o vice-presidente da Social Democracia Sindical (SDS) e presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, João Domingos dos Santos, diz que a proposta de manutenção da integralidade da aposentadoria pode ser só uma forma de o governo esvaziar a greve. “Vejo com desconfiança a proposta, até porque isso pode ser apenas para desmobilizar a greve.” Mas é totalmente favorável à proposta.
Concessão para evitar
o risco de esfacelamento
O governo decidiu ceder e negociar a reforma da Previdência ao concluir que, se mantivesse uma posição intransigente, correria o risco de esfacelar sua base de apoio no Congresso. Tanto o PT quanto os partidos aliados mostravam-se sensíveis aos argumentos de que a essência da reforma era a permissão para que os grandes grupos financeiros nacionais e internacionais passassem a controlar os fundos de pensão. “Com essa mudança na reforma, que mantém a aposentadoria integral, o governo terá o apoio incondicional do PC do B”, festejou a deputada Jandira Feghali (RJ) da tribuna da Câmara.
“Fizemos pressão interna muito forte e conseguimos provar ao governo que havia pontos extremamente prejudiciais ao País”, disse o deputado Walter Pinheiro (PT-BA), um dos líderes do movimento.
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Por Mhais• 10 de julho de 2003• 13:57• Sem categoria
CUT: ‘GOVERNO ERRA EM BENEFICIAR CASTA DE ALTOS SALÁRIOS’
Para Marinho, recuo na aposentadoria integral é ceder à pressão dos altos salários: ‘Não se pode favorcer uma casta em detrimento do restante dos servidores’
O recuo do governo no caso da aposentadoria integral dos servidores desagradou uma velha aliada, a Central Única dos Trabalhadores (CUT). “O governo está errado em manter a integralidade. É ceder a uma pressão dos altos salários”, disse o presidente da entidade, Luiz Marinho, ao fim da audiência na comissão especial da Câmara que analisa a reforma da Previdência.
As declarações foram dadas por Marinho antes de deixar a Câmara e reunir-se com os líderes da base aliada na casa oficial do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Para ele, a manutenção da aposentadoria integral atenderá os altos salários recebidos no Judiciário e Legislativo. “Precisamos de um serviço público fortalecido em sua íntegra e não de uma casta favorecida em detrimento do restante.”
Marinho defendeu a proposta da CUT de estabelecer teto universal, de R$ 4,8 mil (20 salários mínimos) tanto para o funcionalismo público quanto para a iniciativa privada. Para ele, um juiz que ganha R$ 17 mil mensais tem como planejar seu futuro contribuindo para um fundo de pensão para complementar sua aposentadoria. “Defendemos a integralidade da aposentadoria, mas só até o teto de R$ 4,8 mil”, afirmou Marinho.
Já o vice-presidente da Social Democracia Sindical (SDS) e presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, João Domingos dos Santos, diz que a proposta de manutenção da integralidade da aposentadoria pode ser só uma forma de o governo esvaziar a greve. “Vejo com desconfiança a proposta, até porque isso pode ser apenas para desmobilizar a greve.” Mas é totalmente favorável à proposta.
Concessão para evitar
o risco de esfacelamento
O governo decidiu ceder e negociar a reforma da Previdência ao concluir que, se mantivesse uma posição intransigente, correria o risco de esfacelar sua base de apoio no Congresso. Tanto o PT quanto os partidos aliados mostravam-se sensíveis aos argumentos de que a essência da reforma era a permissão para que os grandes grupos financeiros nacionais e internacionais passassem a controlar os fundos de pensão. “Com essa mudança na reforma, que mantém a aposentadoria integral, o governo terá o apoio incondicional do PC do B”, festejou a deputada Jandira Feghali (RJ) da tribuna da Câmara.
“Fizemos pressão interna muito forte e conseguimos provar ao governo que havia pontos extremamente prejudiciais ao País”, disse o deputado Walter Pinheiro (PT-BA), um dos líderes do movimento.
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