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BANCOS DEVEM FAZER PROPOSTA PELO LLOYDS NO BRASIL ATÉ O FINAL DO MÊS

O mais antigo banco estrangeiro no Brasil está mesmo fazendo as malas. O inglês Lloyds TSB, que chegou aqui há 140 anos, colocou à venda todos os seus ativos no país e o processo está andando. No final deste mês os interessados farão ofertas indicativas de preço ao JP Morgan, assessor financeiro da operação.
A chamada “non-bidding offer” serve apenas como uma pré-qualificação e não vale como proposta concreta. Só continua no leilão, com direito a acessar o “data room” do Lloyds, quem cumprir essa etapa.
Fontes envolvidas na operação informaram ao Valor que já se apresentaram como interessados Bradesco, Itaú, Unibanco, ABN-AMRO e Citibank. O HSBC, alvo de especulações, ainda não se candidatou. Mas nada impede que isso aconteça.
Consultado, o Lloyds não quis comentar o assunto. Há duas semanas, quando uma reportagem do jornal inglês Financial Times noticiou a provável venda das operações no Brasil, a informação foi considerada apenas um boato pela filial brasileira. Tudo indica, no entanto, que a transação é comandada diretamente pela matriz.
O grande alvo de cobiça é a financeira Losango, que figura entre as maiores do país e tem uma marca forte. Sua carteira de empréstimos e financiamentos está em R$ 2 bilhões e o número de clientes, em 14 milhões. O pacote inclui ainda a tesouraria do banco e a área corporate, que atende empresas médias e grandes.
Em outubro de 2001, a instituição britânica vendeu o seu private bank e a Lloyds Asset Management para o banco Itaú. Na época, tratava-se da 16ª maior gestora de recursos de terceiros do mercado, com um patrimônio de R$ 5,2 bilhões. Mas a redução das margens nesse negócio começou a comprometer o retorno do acionista. Apenas 8% do lucro da filial brasileira na época vinha das operações vendidas ao Itaú. O banco das famílias Setubal e Villela, por sinal, esquentou a briga com o Bradesco no ranking de gestão de fundos ao adquirir a carteira da LAM.
O Lloyds é o 19º maior banco do país por ativos, com um total de R$ 8,09 bilhões ao final do primeiro trimestre, segundo o Banco Central. A notícia da venda de suas operações brasileiras chega a causar estranheza em pessoas próximas ao banco, já que a rentabilidade exibida é elevada. No ano passado, com um lucro de R$ 346 milhões, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido foi de 37,7%.
Os motivos que levaram à decisão de deixar o país seriam mesmo outros. Desde o colapso argentino, os bancos com exposição na região têm sido penalizados pelos investidores. Segundo uma fonte que acompanha o processo, o Lloyds teria concluído que, embora muito rentável, a operação brasileira é pequena dentro do conglomerado para justificar o desgaste. Maior instituição de varejo britânica, o banco registrou um lucro global antes dos impostos de 2,6 bilhões de libras em 2002.
Um analista brasileiro de um banco europeu considera que a compra da Losango teria mais valor para uma instituição que ainda não tenha uma operação forte de crédito ao consumidor. “Isso porque a tendência é que seja atribuído um preço à marca da financeira, que é reconhecida”, diz o analista.
Ele cita que o Bradesco incorporou a Finasa, outra marca tradicional na área, quando adquiriu o Banco Mercantil de São Paulo, enquanto o Itaú ficou com a Fináustria, que pertencia ao BBA. O Unibanco tem a Fininvest e o ABN, a Aymoré.
Por outro lado, tanto o Citibank quanto o HSBC decidiram explorar o segmento de “consumer finance” este ano. Em abril o Citi abriu a Citifinancial, começando do zero. O raciocínio pode ser válido, mas, quando se trata de ganhar “market share” no setor bancário, nem sempre a lógica tem predominado.
Vanessa Adachi, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico

Por 09:30 Sem categoria

BANCOS DEVEM FAZER PROPOSTA PELO LLOYDS NO BRASIL ATÉ O FINAL DO MÊS

O mais antigo banco estrangeiro no Brasil está mesmo fazendo as malas. O inglês Lloyds TSB, que chegou aqui há 140 anos, colocou à venda todos os seus ativos no país e o processo está andando. No final deste mês os interessados farão ofertas indicativas de preço ao JP Morgan, assessor financeiro da operação.

A chamada “non-bidding offer” serve apenas como uma pré-qualificação e não vale como proposta concreta. Só continua no leilão, com direito a acessar o “data room” do Lloyds, quem cumprir essa etapa.

Fontes envolvidas na operação informaram ao Valor que já se apresentaram como interessados Bradesco, Itaú, Unibanco, ABN-AMRO e Citibank. O HSBC, alvo de especulações, ainda não se candidatou. Mas nada impede que isso aconteça.

Consultado, o Lloyds não quis comentar o assunto. Há duas semanas, quando uma reportagem do jornal inglês Financial Times noticiou a provável venda das operações no Brasil, a informação foi considerada apenas um boato pela filial brasileira. Tudo indica, no entanto, que a transação é comandada diretamente pela matriz.

O grande alvo de cobiça é a financeira Losango, que figura entre as maiores do país e tem uma marca forte. Sua carteira de empréstimos e financiamentos está em R$ 2 bilhões e o número de clientes, em 14 milhões. O pacote inclui ainda a tesouraria do banco e a área corporate, que atende empresas médias e grandes.

Em outubro de 2001, a instituição britânica vendeu o seu private bank e a Lloyds Asset Management para o banco Itaú. Na época, tratava-se da 16ª maior gestora de recursos de terceiros do mercado, com um patrimônio de R$ 5,2 bilhões. Mas a redução das margens nesse negócio começou a comprometer o retorno do acionista. Apenas 8% do lucro da filial brasileira na época vinha das operações vendidas ao Itaú. O banco das famílias Setubal e Villela, por sinal, esquentou a briga com o Bradesco no ranking de gestão de fundos ao adquirir a carteira da LAM.

O Lloyds é o 19º maior banco do país por ativos, com um total de R$ 8,09 bilhões ao final do primeiro trimestre, segundo o Banco Central. A notícia da venda de suas operações brasileiras chega a causar estranheza em pessoas próximas ao banco, já que a rentabilidade exibida é elevada. No ano passado, com um lucro de R$ 346 milhões, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido foi de 37,7%.

Os motivos que levaram à decisão de deixar o país seriam mesmo outros. Desde o colapso argentino, os bancos com exposição na região têm sido penalizados pelos investidores. Segundo uma fonte que acompanha o processo, o Lloyds teria concluído que, embora muito rentável, a operação brasileira é pequena dentro do conglomerado para justificar o desgaste. Maior instituição de varejo britânica, o banco registrou um lucro global antes dos impostos de 2,6 bilhões de libras em 2002.

Um analista brasileiro de um banco europeu considera que a compra da Losango teria mais valor para uma instituição que ainda não tenha uma operação forte de crédito ao consumidor. “Isso porque a tendência é que seja atribuído um preço à marca da financeira, que é reconhecida”, diz o analista.

Ele cita que o Bradesco incorporou a Finasa, outra marca tradicional na área, quando adquiriu o Banco Mercantil de São Paulo, enquanto o Itaú ficou com a Fináustria, que pertencia ao BBA. O Unibanco tem a Fininvest e o ABN, a Aymoré.

Por outro lado, tanto o Citibank quanto o HSBC decidiram explorar o segmento de “consumer finance” este ano. Em abril o Citi abriu a Citifinancial, começando do zero. O raciocínio pode ser válido, mas, quando se trata de ganhar “market share” no setor bancário, nem sempre a lógica tem predominado.

Vanessa Adachi, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico

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