CRISTIANO MACHADO
da Agência Folha, em Presidente Prudente
O segundo vice-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Adalberto Denser de Sá, negou hoje pedido de habeas corpus em favor dos líderes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) no Pontal do Paranapanema José Rainha Jr. e Felinto Procópio dos Santos, o Mineirinho.
Eles foram presos no último dia 11, em Teodoro Sampaio, sob a acusação de furto e formação de quadrilha durante invasão na fazenda Santa Maria, em 2000.
A mulher de Rainha, Diolinda Alves de Souza, disse que haverá “reação” à decisão, com novos protestos. “Quanto mais [tempo] presos, vai ser pior.”
Anteontem, Diolinda comandou 1.500 sem-terra numa passeata em Presidente Epitácio (655 km a oeste de São Paulo) pedindo a liberdade de Rainha.
Ela afirmou que a coordenação do MST iria se reunir ontem à noite para definir novas ações.
Diolinda voltou a cogitar –como havia feito anteontem– da realização de uma marcha de 35 km pela rodovia Raposo Tavares de Presidente Epitácio até a penitenciária Maurício Guimarães, em Presidente Venceslau, onde Rainha e Mineirinho estão presos.
Em Presidente Epitácio, Rainha comandava um acampamento do MST que tem, segundo o movimento, quase 4.000 famílias inscritas.
Um dos advogados de Rainha, Hamilton Belloto Henriques, disse que tentará agora novo pedido de habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Ontem, o governador Geraldo Alckmin participou à tarde, no Palácio dos Bandeirantes, de uma cerimônia com o ministro Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) na qual foi assinado um convênio de R$ 35,4 milhões para a reforma agrária.
O recursos foram anunciados na segunda-feira por Rossetto durante visita a assentados em Teodoro Sampaio. Do total, R$ 5,8 milhões são verbas do governo estadual, dadas em contrapartida.
Reintegração
A Rede Ferroviária Federal S/A ingressou anteontem, no fórum de Rosana (extremo oeste de São Paulo), com pedido de reintegração de posse de área invadida pelo MST. Cerca de 150 famílias estão no local desde maio.
Ontem, a empresa enviou a Pirapozinho (584 km a oeste de São Paulo) um engenheiro para vistoriar outra área invadida pelo MST na terça-feira.
Caso o técnico comprove que a área é da empresa, a RFFSA vai pedir a reintegração de posse.
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