Pelo menos 47% das categorias profissionais representadas por 49 sindicatos filiados à CUT não conseguiram sequer repor as perdas da inflação nas negociações salariais do primeiro semestre deste ano. O resultado faz parte de pesquisa que envolve 30 categorias profissionais –ou 1 milhão de trabalhadores paulistas– e foi divulgada ontem pela Secretaria de Política Sindical da central.
Em relação ao primeiro semestre do ano passado, houve crescimento de sete pontos percentuais no número de categorias que não conseguiram zerar a inflação nos salários. O índice usado para comparar o reajuste negociado e a inflação acumulada nos 12 meses anteriores a cada data-base é o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do IBGE.
Enquanto 60% das categorias negociaram reajustes iguais ou acima da inflação de janeiro a junho de 2002, 25% conseguiram o mesmo resultado em igual período deste ano. A CUT também informa que 26,5% das categorias continuam em negociação.
Mesmo os reajustes que ficaram acima da variação do INPC em 2003, se localizam num intervalo de ganho real que não chega a dois pontos percentuais –o melhor resultado obtido foi de 1,69 acima da inflação.
“A inflação, que cresceu no final do segundo semestre e só foi controlada a partir de abril, e as incertezas da política econômica do novo governo dificultaram as negociações salariais do primeiro semestre”, afirma Flávio de Souza Gomes, secretário da CUT-SP. “Com o dólar instável e o risco Brasil crescendo, o governo Lula tomou medidas restritivas à produção. Isso pesa na hora de negociar aumento salarial.” Para evitar desempenho ainda mais desfavorável, os sindicatos negociaram abonos salariais e aceitaram parcelamento de reajustes em até três vezes. Caso dos metroviários, trabalhadores do setor de calçados de Franca, eletricitários, motoristas do setor de cargas de Jundiaí, entre outros. Com informações da FolhaNews. No segundo semestre, a central informa que vai intensificar as campanhas salariais para conseguir melhores resultados nas negociações, diz Gomes. “O cenário mudou. A inflação sob controle e os sinais de que a Selic [taxa de juros básica] vai baixar devem contribuir para que os sindicatos consigam melhores resultados”.
Os metalúrgicos, por exemplo, –categoria com data-base em novembro– vão reunir amanhã 200 representantes de 14 sindicatos de São Paulo para aprovar a pauta de reivindicações da campanha salarial deste ano. No Estado de São Paulo, são 260 mil metalúrgicos ligados à CUT.
Fonte Correio Braziliense
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