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MERCADO PREVÊ TAXA SELIC EM 24,5%

O mercado financeiro acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) será mais agressivo no corte da taxa básica de juros (Selic) na reunião da próxima semana do que foi no mês passado. Para oito dos doze economistas consultados pelo Valor, a redução do juro deverá ser de 1,5 ponto percentual levando a Selic para 24,5% ao ano. Dois economistas são mais conservadores e esperam uma diminuição de apenas um ponto; e os outros dois acham que possa chegar a dois pontos.

Embora acredite que o Copom optará por um corte mais conservador, entre 1,5 ponto e 2 pontos, o diretor do Banco Itaú e ex-integrante do Banco Central (BC), Sérgio Werlang, afirma que uma redução de 4 pontos não impediria o cumprimento da meta de inflação. A receita de Werlang inclui um corte grande agora, congelamento da Selic até setembro e cortes graduais depois desse prazo, para que a taxa seja de 19% em dezembro. As reduções poderiam continuar até que, ao final de 2004, a Selic estivesse em 15% e a inflação próxima dos 5,5%. “A subida foi rápida, a descida também pode ser”, avalia. A redução do limite para depósito compulsório à vista não tem, segundo Werlang, o mesmo peso do corte da Selic, mas não é contra-indicado, já que aumentaria a demanda por crédito.

O economista-chefe do Banco Schahin, Cristiano Oliveira, está junto com a média e acredita no corte de 1,5 ponto por causa da desaceleração, mais forte que a projetada, do IPCA, a menor volatilidade do real em relação ao dólar e o arrefecimento da inércia inflacionária dos preços de bens não comercializáveis. O Banco Schahin aposta que o Copom fará um corte de 3 pontos nas próximas duas reuniões, seguido de redução 5 pontos entre e dezembro, levando a taxa a 15% no final do ano.

O economista-chefe do ABN AMRO Real, Hugo Penteado, defende um corte de 2 pontos percentuais devido à “surpresa favorável da inflação no mês de junho, que deve seguir em julho e agosto”. Além da questão inflacionária, Penteado elenca uma série de motivos para um corte mais amplo dos juros: a ausência de pressão macroeconômica, a excelente política fiscal e o mercado de trabalho mais frouxo. A redução do limite dos depósitos compulsórios – que para os bancos são um dos vilões do alto spread bancário – também pode acontecer, já que o patamar de 60% é elevado, mas os efeitos práticos demorariam ainda mais para aparecer.

O chefe da mesa de operações do Banco Santos, Rodrigo Boulos, prevê corte de 1,5 ponto na próxima reunião do Copom. “É o mais razoável, se considerarmos a forma como o Banco Central vem atuando.” Segundo ele, o BC deve adotar uma linha gradualista até o final do ano. Boulos estima que a taxa de juros básica deve chegar em dezembro em 21%.

O diretor da Nix Asset Management, Francisco Petros, defende uma queda de dois pontos percentuais na taxa Selic. Considera que a desaceleração da economia brasileira atingiu uma dimensão que torna assimiláveis os riscos associados a uma eventual volta da inflação.

Já para o economista-chefe da Itaú Corretora, Marcelo Carvalho, o Copom deveria manter uma política monetária ortodoxa, cortando o juro básico em apenas um ponto para não ter de voltar a subir as taxas no caso do surgimento de algum contratempo interno ou externo. Na sua opinião, é sempre preferível ter “alguma gordura” a ser usada em crises emergenciais.

Para o economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate, existe uma ótima oportunidade para o Copom reduzir a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual na semana que vem, sem colocar em risco o controle da inflação. “Menos do que isso pode ser visto como excesso de cautela diante das informações disponíveis que afetam potencialmente a inflação”, diz Abate. A política monetária praticada pelo BC no primeiro semestre do ano serviu, segundo Abate, não só para mostrar que a autoridade monetária tem credibilidade como também para impedir que a inflação fugisse ao controle. “Ponto para o BC, mas agora é hora de flexibilizar a política monetária”, acredita o economista.

Para alguns economistas, o corte dos juros neste momento só não será maior pela indefinição sobre a reforma da previdência. A economista do banco UBS Warburg, Victória Werneck, acredita que há espaço para um corte de até dois pontos percentuais, mas dificilmente será realizado pela falta de clareza da reforma da Previdência que será afinal aprovada.

“Não adianta cortar muito os juros agora e ter que aumentar daqui a alguns meses se o cenário ficar conturbado dependendo do andamento das discussões sobre a reforma”, diz Aldo Ramos, analista financeiro do Banif Primus Asset Management. Ele acredita em um corte de apenas um ponto percentual por essas incertezas políticas. Já pelo lado econômico, haveria condição de cortar até mais de dois pontos. Uma taxa de juros de 26,5% ao ano, com uma previsão de inflação de 8% nos próximos 12 meses, significa juros reais acima de 16%. “Isso é no mínimo exagerado para a realidade econômica atual”, diz Ramos.

Daniele Camba, Patrícia Fortunato e Luiz Sérgio Guimarães, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico

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MERCADO PREVÊ TAXA SELIC EM 24,5%

O mercado financeiro acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) será mais agressivo no corte da taxa básica de juros (Selic) na reunião da próxima semana do que foi no mês passado. Para oito dos doze economistas consultados pelo Valor, a redução do juro deverá ser de 1,5 ponto percentual levando a Selic para 24,5% ao ano. Dois economistas são mais conservadores e esperam uma diminuição de apenas um ponto; e os outros dois acham que possa chegar a dois pontos.
Embora acredite que o Copom optará por um corte mais conservador, entre 1,5 ponto e 2 pontos, o diretor do Banco Itaú e ex-integrante do Banco Central (BC), Sérgio Werlang, afirma que uma redução de 4 pontos não impediria o cumprimento da meta de inflação. A receita de Werlang inclui um corte grande agora, congelamento da Selic até setembro e cortes graduais depois desse prazo, para que a taxa seja de 19% em dezembro. As reduções poderiam continuar até que, ao final de 2004, a Selic estivesse em 15% e a inflação próxima dos 5,5%. “A subida foi rápida, a descida também pode ser”, avalia. A redução do limite para depósito compulsório à vista não tem, segundo Werlang, o mesmo peso do corte da Selic, mas não é contra-indicado, já que aumentaria a demanda por crédito.
O economista-chefe do Banco Schahin, Cristiano Oliveira, está junto com a média e acredita no corte de 1,5 ponto por causa da desaceleração, mais forte que a projetada, do IPCA, a menor volatilidade do real em relação ao dólar e o arrefecimento da inércia inflacionária dos preços de bens não comercializáveis. O Banco Schahin aposta que o Copom fará um corte de 3 pontos nas próximas duas reuniões, seguido de redução 5 pontos entre e dezembro, levando a taxa a 15% no final do ano.
O economista-chefe do ABN AMRO Real, Hugo Penteado, defende um corte de 2 pontos percentuais devido à “surpresa favorável da inflação no mês de junho, que deve seguir em julho e agosto”. Além da questão inflacionária, Penteado elenca uma série de motivos para um corte mais amplo dos juros: a ausência de pressão macroeconômica, a excelente política fiscal e o mercado de trabalho mais frouxo. A redução do limite dos depósitos compulsórios – que para os bancos são um dos vilões do alto spread bancário – também pode acontecer, já que o patamar de 60% é elevado, mas os efeitos práticos demorariam ainda mais para aparecer.
O chefe da mesa de operações do Banco Santos, Rodrigo Boulos, prevê corte de 1,5 ponto na próxima reunião do Copom. “É o mais razoável, se considerarmos a forma como o Banco Central vem atuando.” Segundo ele, o BC deve adotar uma linha gradualista até o final do ano. Boulos estima que a taxa de juros básica deve chegar em dezembro em 21%.
O diretor da Nix Asset Management, Francisco Petros, defende uma queda de dois pontos percentuais na taxa Selic. Considera que a desaceleração da economia brasileira atingiu uma dimensão que torna assimiláveis os riscos associados a uma eventual volta da inflação.
Já para o economista-chefe da Itaú Corretora, Marcelo Carvalho, o Copom deveria manter uma política monetária ortodoxa, cortando o juro básico em apenas um ponto para não ter de voltar a subir as taxas no caso do surgimento de algum contratempo interno ou externo. Na sua opinião, é sempre preferível ter “alguma gordura” a ser usada em crises emergenciais.
Para o economista-chefe do Lloyds TSB, Odair Abate, existe uma ótima oportunidade para o Copom reduzir a taxa básica de juros em 1,5 ponto percentual na semana que vem, sem colocar em risco o controle da inflação. “Menos do que isso pode ser visto como excesso de cautela diante das informações disponíveis que afetam potencialmente a inflação”, diz Abate. A política monetária praticada pelo BC no primeiro semestre do ano serviu, segundo Abate, não só para mostrar que a autoridade monetária tem credibilidade como também para impedir que a inflação fugisse ao controle. “Ponto para o BC, mas agora é hora de flexibilizar a política monetária”, acredita o economista.
Para alguns economistas, o corte dos juros neste momento só não será maior pela indefinição sobre a reforma da previdência. A economista do banco UBS Warburg, Victória Werneck, acredita que há espaço para um corte de até dois pontos percentuais, mas dificilmente será realizado pela falta de clareza da reforma da Previdência que será afinal aprovada.
“Não adianta cortar muito os juros agora e ter que aumentar daqui a alguns meses se o cenário ficar conturbado dependendo do andamento das discussões sobre a reforma”, diz Aldo Ramos, analista financeiro do Banif Primus Asset Management. Ele acredita em um corte de apenas um ponto percentual por essas incertezas políticas. Já pelo lado econômico, haveria condição de cortar até mais de dois pontos. Uma taxa de juros de 26,5% ao ano, com uma previsão de inflação de 8% nos próximos 12 meses, significa juros reais acima de 16%. “Isso é no mínimo exagerado para a realidade econômica atual”, diz Ramos.
Daniele Camba, Patrícia Fortunato e Luiz Sérgio Guimarães, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico

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