Líder do mercado de gestão, com R$ 83 bilhões de ativos administrados, a BB DTVM prepara-se para realizar uma grande reestruturação em sua prateleira de fundos e nas estratégias de alocação de ativos. O objetivo é dar mais foco ao crédito privado e estruturar principalmente fundos de recebíveis (créditos a receber de empresas privadas) focados nos setores mais competitivos e promissores da economia, como infra-estrura e exportações.
O presidente da distribuidora, Nelson Rocha Augusto, também quer aumentar a parcela investida em debêntures, para onde deverá direcionar cerca de US$ 1 bilhão. “Quando a taxa de juros começar a cair significativamente, já teremos todas essas alternativas estudadas”, diz ele. “Somos líderes e não podemos deixar passar o momento certo.” Para ele, tudo indica que a economia entrará em um novo ciclo e que, após a retomada da estabilidade, o país irá buscar o desenvolvimento sustentado.
O processo de realocação de ativos tem três motivos básicos: demanda dos clientes grandes dos fundos exclusivos, necessidade de encontrar alternativa para um cenário de taxas de juro menor e intenção de contribuir para o desenvolvimento da indústria de fundos. “Temos estudado os setores e pode-se abrir um grande espaço para investir em crédito privado quando os juros estiverem mais baixos” afirma. Mas Augusto ressalta que se não houver um bom projeto e um bom prêmio na operação, não haverá produto. “Não vamos fazer caridade”, esclarece. Ele lembra, no entanto, que quando há bom negócio, não existe falta de investidor. “Um bom exemplo disso é a captação que a Marcopolo fez no ano passado, no auge da crise dos mercados e conseguiu captar R$ 100 milhões”, lembra .
Ao se referir à expectativa de boa parte dos analistas, de que a economia deverá entrar num ciclo mais virtuoso a partir do último trimestre do ano, o presidente da BB DTVM chega a brincar: “Estamos nos preparando para quando o carnaval chegar, só que no nosso caso, ele deve chegar em outubro”.
Para esses fundos de recebíveis, Augusto afirma que já existe uma grande demanda de clientes, mas ainda é preciso estudar o que seria mais apropriado e rentável para cada perfil. Para isso, promoveu uma reorganização nas equipes da distribuidora que irão estudar os setores. A expectativa é de que o potencial no mercado esteja majoritariamente nos segmentos de infra-estrutura, de óleo e gás e também de exportação. “Estamos em busca de bons negócios, mas se não houver os pré-requisitos necessários, não vamos investir”, reforça o presidente.
Outro estudo da BB DTVM é sobre a competitividade internacional de alguns segmentos. Segundo Augusto, estão sendo estudadas áreas que teoricamente teriam mais potencial nisso mas que não deslancharam. A tarefa dos analistas é descobrir se isso ocorreu por falta de empreendedorismo, de investimento ou outro fator. Caso seja concluído o problema foi exclusivamente de financiamento – e que nos demais aspectos os negócios têm excelente potencial – alguns produtos podem ser estruturados com esse foco.
Nelson Rocha Augusto lembra que para alguns clientes pode-se concluir que o fundo de recebíveis não seja o produto mais adequado. Nestes casos, poderiam ser estruturadas operações específicas com compra diretas de títulos. Ele ressalta que todas essas novidades são voltadas para os clientes de grande porte, que têm demandas específicas, e não para o investidor de varejo.
As Cédulas do Produtor Rural (CPRs) são outro instrumento de crédito privado que entra nos planos da distribuidora. “A indústria de fundos hoje manipula um terço do PIB do país, sendo 80% do total aplicado em títulos públicos”, diz. Segundo ele, com as medidas adequadas, seria possível elevar a participação do crédito no PIB dos atuais 23% para 35% ou 40% num espaço de doze meses.
Além disso, Augusto quer promover uma otimização na prateleira de fundos que já existe no BB. Na análise dele, há hoje quase 50 fundos que têm duplicidade ou características muito parecidas desnecessariamente. “Esse número pode ser bem inferior a isso para que possamos aperfeiçoar as operações”, diz.
Segundo o presidente da distribuidora, o perfil dos fundos do banco oferecidos ao varejo é muito eficiente e não deve ser mudado. “Hoje, o investidor pode encontrar exatamente o produto que se adequa às suas necessidades no Banco do Brasil. Só não temos “hedge funds”, porque não houve essa demanda por parte dos clientes”, explica.
Por Catherine Vieira, do Rio
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 21 de julho de 2003• 09:33• Sem categoria
CRÉDITO PRIVADO NA MIRA DO BB
Líder do mercado de gestão, com R$ 83 bilhões de ativos administrados, a BB DTVM prepara-se para realizar uma grande reestruturação em sua prateleira de fundos e nas estratégias de alocação de ativos. O objetivo é dar mais foco ao crédito privado e estruturar principalmente fundos de recebíveis (créditos a receber de empresas privadas) focados nos setores mais competitivos e promissores da economia, como infra-estrura e exportações.
O presidente da distribuidora, Nelson Rocha Augusto, também quer aumentar a parcela investida em debêntures, para onde deverá direcionar cerca de US$ 1 bilhão. “Quando a taxa de juros começar a cair significativamente, já teremos todas essas alternativas estudadas”, diz ele. “Somos líderes e não podemos deixar passar o momento certo.” Para ele, tudo indica que a economia entrará em um novo ciclo e que, após a retomada da estabilidade, o país irá buscar o desenvolvimento sustentado.
O processo de realocação de ativos tem três motivos básicos: demanda dos clientes grandes dos fundos exclusivos, necessidade de encontrar alternativa para um cenário de taxas de juro menor e intenção de contribuir para o desenvolvimento da indústria de fundos. “Temos estudado os setores e pode-se abrir um grande espaço para investir em crédito privado quando os juros estiverem mais baixos” afirma. Mas Augusto ressalta que se não houver um bom projeto e um bom prêmio na operação, não haverá produto. “Não vamos fazer caridade”, esclarece. Ele lembra, no entanto, que quando há bom negócio, não existe falta de investidor. “Um bom exemplo disso é a captação que a Marcopolo fez no ano passado, no auge da crise dos mercados e conseguiu captar R$ 100 milhões”, lembra .
Ao se referir à expectativa de boa parte dos analistas, de que a economia deverá entrar num ciclo mais virtuoso a partir do último trimestre do ano, o presidente da BB DTVM chega a brincar: “Estamos nos preparando para quando o carnaval chegar, só que no nosso caso, ele deve chegar em outubro”.
Para esses fundos de recebíveis, Augusto afirma que já existe uma grande demanda de clientes, mas ainda é preciso estudar o que seria mais apropriado e rentável para cada perfil. Para isso, promoveu uma reorganização nas equipes da distribuidora que irão estudar os setores. A expectativa é de que o potencial no mercado esteja majoritariamente nos segmentos de infra-estrutura, de óleo e gás e também de exportação. “Estamos em busca de bons negócios, mas se não houver os pré-requisitos necessários, não vamos investir”, reforça o presidente.
Outro estudo da BB DTVM é sobre a competitividade internacional de alguns segmentos. Segundo Augusto, estão sendo estudadas áreas que teoricamente teriam mais potencial nisso mas que não deslancharam. A tarefa dos analistas é descobrir se isso ocorreu por falta de empreendedorismo, de investimento ou outro fator. Caso seja concluído o problema foi exclusivamente de financiamento – e que nos demais aspectos os negócios têm excelente potencial – alguns produtos podem ser estruturados com esse foco.
Nelson Rocha Augusto lembra que para alguns clientes pode-se concluir que o fundo de recebíveis não seja o produto mais adequado. Nestes casos, poderiam ser estruturadas operações específicas com compra diretas de títulos. Ele ressalta que todas essas novidades são voltadas para os clientes de grande porte, que têm demandas específicas, e não para o investidor de varejo.
As Cédulas do Produtor Rural (CPRs) são outro instrumento de crédito privado que entra nos planos da distribuidora. “A indústria de fundos hoje manipula um terço do PIB do país, sendo 80% do total aplicado em títulos públicos”, diz. Segundo ele, com as medidas adequadas, seria possível elevar a participação do crédito no PIB dos atuais 23% para 35% ou 40% num espaço de doze meses.
Além disso, Augusto quer promover uma otimização na prateleira de fundos que já existe no BB. Na análise dele, há hoje quase 50 fundos que têm duplicidade ou características muito parecidas desnecessariamente. “Esse número pode ser bem inferior a isso para que possamos aperfeiçoar as operações”, diz.
Segundo o presidente da distribuidora, o perfil dos fundos do banco oferecidos ao varejo é muito eficiente e não deve ser mudado. “Hoje, o investidor pode encontrar exatamente o produto que se adequa às suas necessidades no Banco do Brasil. Só não temos “hedge funds”, porque não houve essa demanda por parte dos clientes”, explica.
Por Catherine Vieira, do Rio
Fonte: Valor Econômico
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