E PREVÊ UM 4º TRIMESTRE MELHOR
SÃO PAULO – Os analistas do mercado financeiro afirmaram que o Comitê de Política Monetária (Copom) investiu na credibilidade a o tomar uma decisão mais conservadora em relação a Selic. Nesta quarta-feira, o BC anunciou o corte de 1,5 ponto percentual na taxa. Há, entre os analistas, quem garanta, inclusive, que a economia poderá retomar sua força a partir de outubro, quando devem ser sentidos os primeiros efeitos do cortes na Selic iniciados no mês passado.
A economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, achava que a Selic poderia baixar até dois pontos, mas considerou acertada a cautela do BC.
– Tem espaço para cair muito mais. Mas tem de ser feito de forma coerente. Não pode atuar de forma a gerar choques. Estamos em uma fase final de choques – disse ela.
Sandra acredita que, até o fim do ano, a Selic pode cair para até 20%, mas chegará a isso com o mesmo gradualismo que marcou sua ascensão.
– Assim como a subida, a volta será numa escadinha – definiu a economista.
A decisão do Copom foi conservadora diante das evidências de desaquecimento econômico, mas foi acertada. Essa é a opinião de Alexandre Bassoli, economista-chefe do HSBC Investment. Para Bassoli, o Banco Central (BC) fez um “investimento em credibilidade e vai ganhar dividendos no futuro, com quedas maiores nos juros”.
O corte 1,5 ponto ficou dentro das previsões do economista. Para ele, mantida a política de reduções graduais da Selic, a economia poderá apresentar sinais claros de recuperação a partir do quarto trimestre deste ano.
– Do ponto de vista do custo do crédito, mais importante que a Selic são os juros de longo prazo, referência para essas operações. Essas taxas já vêm caindo desde o segundo trimestre deste ano e devem continuar em declínio. Acredito que os primeiros sinais claros serão vistos no último trimestre – disse Bassoli.
MAIS EMPREGO – O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, acredita que o afrouxamento da política monetária terá os primeiros reflexos positivos no aquecimento econômico a partir do último trimestre de 2003. Segundo ele, o Natal de 2003 pode ser melhor que o dos últimos anos.
– O Banco Central acertou ao reduzir os juros de forma mais conservadora, porque a batalha contra a inflação ainda não está ganha. Com isso, ganha credibilidade e mostra que conduz a política monetária de forma técnica. É isso que se espera de um Banco Central – disse Rosa.
O economista afirma que o desaquecimento econômico visto hoje, com deflação e desemprego recorde, ainda é reflexo do aperto monetário promovido no ano passado, por conta da crise de credibilidade. Esse trabalho ainda não acabou, afirma ele. Já o início do afrouxamento permitirá à economia iniciar um processo de reação já no curto prazo, acredita.
– Com juros mais baixos, o crédito estará mais barato e as empresas precisarão produzir mais, para atender a demanda. Certamente haverá impacto positivo no nível de emprego e provavelmente teremos um Natal melhor este ano – afirma o economista.
Paula Dias – GloboNews.com
Valor Online
Notícias recentes
- Governo Lula vai registrar a menor inflação da história, diz Haddad
- Trabalhador se mantém na luta coletiva, aponta pesquisa, segundo Sérgio Nobre
- Congresso aprova Orçamento para 2026
- Após adiamentos, Banco Central desiste de regular Pix Parcelado
- Bolsa supera os 164 mil pontos e bate terceiro recorde seguido
Comentários
Por Mhais• 23 de julho de 2003• 16:58• Sem categoria
MERCADO FINANCEIRO ELOGIA OPÇÃO DO BC PELA CREDIBILIDADE.
E PREVÊ UM 4º TRIMESTRE MELHOR
SÃO PAULO – Os analistas do mercado financeiro afirmaram que o Comitê de Política Monetária (Copom) investiu na credibilidade a o tomar uma decisão mais conservadora em relação a Selic. Nesta quarta-feira, o BC anunciou o corte de 1,5 ponto percentual na taxa. Há, entre os analistas, quem garanta, inclusive, que a economia poderá retomar sua força a partir de outubro, quando devem ser sentidos os primeiros efeitos do cortes na Selic iniciados no mês passado.
A economista-chefe do BES Investimento, Sandra Utsumi, achava que a Selic poderia baixar até dois pontos, mas considerou acertada a cautela do BC.
– Tem espaço para cair muito mais. Mas tem de ser feito de forma coerente. Não pode atuar de forma a gerar choques. Estamos em uma fase final de choques – disse ela.
Sandra acredita que, até o fim do ano, a Selic pode cair para até 20%, mas chegará a isso com o mesmo gradualismo que marcou sua ascensão.
– Assim como a subida, a volta será numa escadinha – definiu a economista.
A decisão do Copom foi conservadora diante das evidências de desaquecimento econômico, mas foi acertada. Essa é a opinião de Alexandre Bassoli, economista-chefe do HSBC Investment. Para Bassoli, o Banco Central (BC) fez um “investimento em credibilidade e vai ganhar dividendos no futuro, com quedas maiores nos juros”.
O corte 1,5 ponto ficou dentro das previsões do economista. Para ele, mantida a política de reduções graduais da Selic, a economia poderá apresentar sinais claros de recuperação a partir do quarto trimestre deste ano.
– Do ponto de vista do custo do crédito, mais importante que a Selic são os juros de longo prazo, referência para essas operações. Essas taxas já vêm caindo desde o segundo trimestre deste ano e devem continuar em declínio. Acredito que os primeiros sinais claros serão vistos no último trimestre – disse Bassoli.
MAIS EMPREGO – O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, acredita que o afrouxamento da política monetária terá os primeiros reflexos positivos no aquecimento econômico a partir do último trimestre de 2003. Segundo ele, o Natal de 2003 pode ser melhor que o dos últimos anos.
– O Banco Central acertou ao reduzir os juros de forma mais conservadora, porque a batalha contra a inflação ainda não está ganha. Com isso, ganha credibilidade e mostra que conduz a política monetária de forma técnica. É isso que se espera de um Banco Central – disse Rosa.
O economista afirma que o desaquecimento econômico visto hoje, com deflação e desemprego recorde, ainda é reflexo do aperto monetário promovido no ano passado, por conta da crise de credibilidade. Esse trabalho ainda não acabou, afirma ele. Já o início do afrouxamento permitirá à economia iniciar um processo de reação já no curto prazo, acredita.
– Com juros mais baixos, o crédito estará mais barato e as empresas precisarão produzir mais, para atender a demanda. Certamente haverá impacto positivo no nível de emprego e provavelmente teremos um Natal melhor este ano – afirma o economista.
Paula Dias – GloboNews.com
Valor Online
Deixe um comentário