SÃO PAULO – A redução de 1,5 ponto percentual na Selic, de 26% para 24,5% ao ano, pode levar os bancos a reduzirem o juro ao consumidor em percentuais maiores do que o efeito direto causado pela mudança na taxa básica. Esta é a avaliação de Miguel de Oliveira, presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Para o economista, o juro poderá cair mais porque a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) indica uma tendência para os próximos meses. Além disso, há uma gordura muito grande nas taxas cobradas pelos bancos, que chegam a 165% ao ano ao consumidor.
Cálculo feito pela Anefac mostra que o impacto direto da redução de hoje no juro ao consumidor é de apenas 0,10 ponto percentual. Portanto, a taxa média cobrada do consumidor cairia de 8,45% para 8,35% ao mês. A taxa ano seria reduzida de 164,7% para 161,79%. Para as empresas, o impacto seria o mesmo, com a taxa sendo reduzida de 5,12% para 5,02% ao mês (de 82,06% para 80%, pela ordem).
Para exemplificar o efeito direto, a Anefac cita a compra de uma geladeira, cujo preço à vista é R$ 800. Com o juro médio anterior, que era de 6,73% no comércio, o consumidor pagaria doze parcelas de R$ 99,28 (total de R$ 1.191,36). Se a taxa cair apenas 0,10 ponto percentual e ficar em 6,63% ao mês, a prestação vai baixar para R$ 98,74. A economia na prestação será de apenas R$ 0,54 e, preço total do bem, de R$ 6,48.
Oliveira acredita que o Banco Central continuará reduzindo o juro e, para ele, o benefício maior do próprio governo, que vai economizar com o pagamento dos juros dos títulos públicos.
O COPOM – A decisão foi unânime entre os membros do comitê. Apesar de ser considerado conservador, o corte é o maior desde 19 de maio de 1999, quando o BC derrubou a taxa de 27% para 23,5%. No comunicado divulgado ao fim da reunião os integrantes do Copom justificaram a baixa de 1,5 ponto percentual afirmando que “as projeções de inflação continuam a indicar convergência para a trajetória das metas” de inflação.
Cleide Carvalho – GloboNews.com
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Por Mhais• 24 de julho de 2003• 16:22• Sem categoria
ANEFAC: QUEDA DA SELIC LEVARÁ BANCOS A CORTAR GORDURA E REDUZIR OS JUROS
SÃO PAULO – A redução de 1,5 ponto percentual na Selic, de 26% para 24,5% ao ano, pode levar os bancos a reduzirem o juro ao consumidor em percentuais maiores do que o efeito direto causado pela mudança na taxa básica. Esta é a avaliação de Miguel de Oliveira, presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). Para o economista, o juro poderá cair mais porque a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) indica uma tendência para os próximos meses. Além disso, há uma gordura muito grande nas taxas cobradas pelos bancos, que chegam a 165% ao ano ao consumidor.
Cálculo feito pela Anefac mostra que o impacto direto da redução de hoje no juro ao consumidor é de apenas 0,10 ponto percentual. Portanto, a taxa média cobrada do consumidor cairia de 8,45% para 8,35% ao mês. A taxa ano seria reduzida de 164,7% para 161,79%. Para as empresas, o impacto seria o mesmo, com a taxa sendo reduzida de 5,12% para 5,02% ao mês (de 82,06% para 80%, pela ordem).
Para exemplificar o efeito direto, a Anefac cita a compra de uma geladeira, cujo preço à vista é R$ 800. Com o juro médio anterior, que era de 6,73% no comércio, o consumidor pagaria doze parcelas de R$ 99,28 (total de R$ 1.191,36). Se a taxa cair apenas 0,10 ponto percentual e ficar em 6,63% ao mês, a prestação vai baixar para R$ 98,74. A economia na prestação será de apenas R$ 0,54 e, preço total do bem, de R$ 6,48.
Oliveira acredita que o Banco Central continuará reduzindo o juro e, para ele, o benefício maior do próprio governo, que vai economizar com o pagamento dos juros dos títulos públicos.
O COPOM – A decisão foi unânime entre os membros do comitê. Apesar de ser considerado conservador, o corte é o maior desde 19 de maio de 1999, quando o BC derrubou a taxa de 27% para 23,5%. No comunicado divulgado ao fim da reunião os integrantes do Copom justificaram a baixa de 1,5 ponto percentual afirmando que “as projeções de inflação continuam a indicar convergência para a trajetória das metas” de inflação.
Cleide Carvalho – GloboNews.com
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