QUE DEVE FAVORECER EMISSÕES DE EMPRESAS E GOVERNO
A troca de bônus da dívida externa brasileira deverá manter o otimismo dos investidores com a economia brasileira e contribuir positivamente para a continuidade da emissão de papéis de bancos e empresas brasileiras no exterior. De acordo com os analistas, o governo deve ter facilidade na operação, que ajudará o país a economizar recursos e aumentar as reservas cambiais.
O Banco Central (BC) anunciou uma operação de troca de títulos brady por bônus globais. Serão trocados bradies PAR, Discount e C-Bond por bônus com vencimento em 2011 e 2024. A operação inicial é de US$ 500 milhões para cada título novo. Além da troca, o BC também admite a emissão líquida de títulos. Os bradies são títulos da dívida externa renegociada e por isso sofrem restrições no mercado internacional.
Alguns fundos estrangeiros, por exemplo, não compram títulos dessa natureza. Com a troca, o governo alonga os prazos da dívida e ainda melhora sua qualidade.
Segundo o economista-chefe do ING, Marcelo Salomon, com a troca de PAR e Discount por bônus globais, o governo brasileiro poderá também se desfazer de títulos americanos. O governo brasileiro é obrigado a manter em títulos americanos 30% do valor de bônus PAR e Discount que mantém no mercado.
– O governo vai economizar, com certeza, mas o valor só será conhecido quando soubermos qual o valor dos papéis trocados. Além disso, vai tirar liquidez do mercado de C-Bond, que é um papel de curto prazo, para colocar em bônus de prazo mais longo. E alongar o perfil da dívida é sempre positivo para o país – disse ele.
Salomon afirmou que também as reservas brasileiras serão aumentadas com a emissão que deverá acompanhar a operação. O dinheiro, explicou, irá direto para as reservas e não terá impacto imediato na cotação do dólar. Em contrapartida, ao favorecer a emissão de agentes privados, o governo age para evitar um aumento na cotação da moeda americana, já que as captações de bancos e empresas têm impacto direto no mercado de câmbio.
O diretor de mercados emergentes da corretora López & León, Felipe Brandão, acrescentou que o governo terá facilidade em promover a troca de pelo menos US$ 1 bilhão em títulos da dívida externa brasileira. Segundo o analista, no entanto, é improvável que o governo repita a performance de agosto de 2000, quando US$ 5,22 bilhões em bradies foram trocados por US$ 5,15 bilhões em Global 40.
Felipe Brandão afirma que a avaliação técnica é de que este é um bom momento para a realização do chamado “swap” da dívida. Isso porque o C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, atingiu um patamar bastante alto.
– O anúncio não estava sendo esperado no mercado e gerou um rali de investidores estrangeiros, em busca de cobrir posições vendidas. Houve bastante agitação no mercado no momento do anúncio e até um certo nervosismo. Os investidores ainda avaliam as condições da operação, mas há grande chance de ela ser vantajosa para o país – disse Brandão.
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Por Mhais• 25 de julho de 2003• 18:32• Sem categoria
ANALISTAS APLAUDEM MEDIDA
QUE DEVE FAVORECER EMISSÕES DE EMPRESAS E GOVERNO
A troca de bônus da dívida externa brasileira deverá manter o otimismo dos investidores com a economia brasileira e contribuir positivamente para a continuidade da emissão de papéis de bancos e empresas brasileiras no exterior. De acordo com os analistas, o governo deve ter facilidade na operação, que ajudará o país a economizar recursos e aumentar as reservas cambiais.
O Banco Central (BC) anunciou uma operação de troca de títulos brady por bônus globais. Serão trocados bradies PAR, Discount e C-Bond por bônus com vencimento em 2011 e 2024. A operação inicial é de US$ 500 milhões para cada título novo. Além da troca, o BC também admite a emissão líquida de títulos. Os bradies são títulos da dívida externa renegociada e por isso sofrem restrições no mercado internacional.
Alguns fundos estrangeiros, por exemplo, não compram títulos dessa natureza. Com a troca, o governo alonga os prazos da dívida e ainda melhora sua qualidade.
Segundo o economista-chefe do ING, Marcelo Salomon, com a troca de PAR e Discount por bônus globais, o governo brasileiro poderá também se desfazer de títulos americanos. O governo brasileiro é obrigado a manter em títulos americanos 30% do valor de bônus PAR e Discount que mantém no mercado.
– O governo vai economizar, com certeza, mas o valor só será conhecido quando soubermos qual o valor dos papéis trocados. Além disso, vai tirar liquidez do mercado de C-Bond, que é um papel de curto prazo, para colocar em bônus de prazo mais longo. E alongar o perfil da dívida é sempre positivo para o país – disse ele.
Salomon afirmou que também as reservas brasileiras serão aumentadas com a emissão que deverá acompanhar a operação. O dinheiro, explicou, irá direto para as reservas e não terá impacto imediato na cotação do dólar. Em contrapartida, ao favorecer a emissão de agentes privados, o governo age para evitar um aumento na cotação da moeda americana, já que as captações de bancos e empresas têm impacto direto no mercado de câmbio.
O diretor de mercados emergentes da corretora López & León, Felipe Brandão, acrescentou que o governo terá facilidade em promover a troca de pelo menos US$ 1 bilhão em títulos da dívida externa brasileira. Segundo o analista, no entanto, é improvável que o governo repita a performance de agosto de 2000, quando US$ 5,22 bilhões em bradies foram trocados por US$ 5,15 bilhões em Global 40.
Felipe Brandão afirma que a avaliação técnica é de que este é um bom momento para a realização do chamado “swap” da dívida. Isso porque o C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, atingiu um patamar bastante alto.
– O anúncio não estava sendo esperado no mercado e gerou um rali de investidores estrangeiros, em busca de cobrir posições vendidas. Houve bastante agitação no mercado no momento do anúncio e até um certo nervosismo. Os investidores ainda avaliam as condições da operação, mas há grande chance de ela ser vantajosa para o país – disse Brandão.
Valor Online
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