O fraco desempenho da economia brasileira no primeiro semestre poderá afetar o nível de emprego de outras áreas da indústria, além do setor automotivo. Nas conversas entre fabricantes de bens de capital, a palavra demissão é cada vez mais freqüente. A maioria das empresas contabiliza queda de 20% nos negócios esse ano. A ociosidade também começa a subir, chegando em alguns casos a 40%. E o chão de fábrica pode não ser o único afetado. A ameaça começa a chegar às equipes técnicas montadas pelas empresas.
Alguns fornecedores da cadeia produtiva, ligados à geração e transmissão de energia, já começam a falar também na criação de bancos de horas e redução da jornada de trabalho em um dia.
“A paralisação dos investimentos começa a chegar ao chão da fábrica”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), José Augusto Marques.
Nas contas da entidade, o fluxo tanto interno quanto externo de recursos no setor de infra-estrutura vai sofrer uma grande redução em relação ao planejado anteriormente. Previa-se a aplicação de US$ 14 bilhões esse ano. Agora a projeção é de investimentos de US$ 10 bilhões.
Uma das maiores empregadoras do país, a construção civil também vive situação difícil. Nos 12 meses encerrados em abril desse ano, o segmento fechou 60 mil vagas no Brasil. Em São Paulo, um dos principais centros da área, nos 12 meses encerrados em maio, o fechamento de postos de trabalho chega a 12 mil, segundo dados do Sindicato da Indústria de Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP).
O setor eletroeletrônico é outro que enfrenta situação delicada. As vendas no primeiro semestre registraram queda de 14%. A ociosidade, linhas paradas de produção, já chega a 35%. “A crise não vem de agora, já estamos trabalhando ajustados há muito tempo. Mas, se esse quadro difícil persistir por mais tempo, vai ser impossível manter os quadros”, destaca o presidente da associação dos fabricantes de eletroeletrônicos, Paulo Saab.
Segundo ele, algumas empresas já estão adotando algumas medidas, como férias coletivas e paralisação de turnos. “Para impedir esse quadro, é fundamental que haja uma retomada agora, que os juros caiam mais, o crédito fique mais abundante e a renda do trabalhador comece a se recuperar”, afirma Saab.
Roberto Rockmann, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 25 de julho de 2003• 09:11• Sem categoria
INDÚSTRIA PODE AUMENTAR DEMISSÕES
O fraco desempenho da economia brasileira no primeiro semestre poderá afetar o nível de emprego de outras áreas da indústria, além do setor automotivo. Nas conversas entre fabricantes de bens de capital, a palavra demissão é cada vez mais freqüente. A maioria das empresas contabiliza queda de 20% nos negócios esse ano. A ociosidade também começa a subir, chegando em alguns casos a 40%. E o chão de fábrica pode não ser o único afetado. A ameaça começa a chegar às equipes técnicas montadas pelas empresas.
Alguns fornecedores da cadeia produtiva, ligados à geração e transmissão de energia, já começam a falar também na criação de bancos de horas e redução da jornada de trabalho em um dia.
“A paralisação dos investimentos começa a chegar ao chão da fábrica”, afirma o presidente da Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), José Augusto Marques.
Nas contas da entidade, o fluxo tanto interno quanto externo de recursos no setor de infra-estrutura vai sofrer uma grande redução em relação ao planejado anteriormente. Previa-se a aplicação de US$ 14 bilhões esse ano. Agora a projeção é de investimentos de US$ 10 bilhões.
Uma das maiores empregadoras do país, a construção civil também vive situação difícil. Nos 12 meses encerrados em abril desse ano, o segmento fechou 60 mil vagas no Brasil. Em São Paulo, um dos principais centros da área, nos 12 meses encerrados em maio, o fechamento de postos de trabalho chega a 12 mil, segundo dados do Sindicato da Indústria de Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP).
O setor eletroeletrônico é outro que enfrenta situação delicada. As vendas no primeiro semestre registraram queda de 14%. A ociosidade, linhas paradas de produção, já chega a 35%. “A crise não vem de agora, já estamos trabalhando ajustados há muito tempo. Mas, se esse quadro difícil persistir por mais tempo, vai ser impossível manter os quadros”, destaca o presidente da associação dos fabricantes de eletroeletrônicos, Paulo Saab.
Segundo ele, algumas empresas já estão adotando algumas medidas, como férias coletivas e paralisação de turnos. “Para impedir esse quadro, é fundamental que haja uma retomada agora, que os juros caiam mais, o crédito fique mais abundante e a renda do trabalhador comece a se recuperar”, afirma Saab.
Roberto Rockmann, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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