CRISTIANO MACHADO
Free-lance para a Agência Folha, em Rosana(SP)
Temendo desgastes por conta da repercussão negativa das declarações feitas por João Pedro Stedile, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), nas palavras de João Paulo Rodrigues _outra expressão nacional do movimento_, vai amenizar o seu discurso, mas não vai interromper as ondas de invasões.
Na mesma ocasião, integrantes da CPT (Comissão Pastoral da Terra), por outro lado, mantiveram o tom das declarações dadas por Stedile no Rio Grande do Sul.
“Aumentará o cuidado em relação às nossas falas. Agora, em relação à nossa prática, não muda nada, pois acreditamos que estamos no caminho certo”, disse Rodrigues, 23, em evento em Rosana (extremo oeste de São Paulo).
De acordo com o líder sem-terra, “proprietário [rural] que não cumprir função social vai ser denunciado, para o Estado fazer reforma agrária”. “As denúncias virão de todas as formas, entre elas, a ocupação de terra.”
Rodrigues acredita na existência de “uma tentativa explícita de criminalizar o MST”. Na sua opinião, o objetivo é atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Isso é um grande equívoco. O MST é independente. O Lula é uma coisa e o Estado, outra. O PT e o MST também.”
Sobre as declarações de Stedile, Rodrigues afirmou que houve má interpretação da imprensa. “Em momento nenhum João Pedro [Stedile] pediu para os mil [sem-terra] atacarem um [fazendeiro]. Pelo contrário. Estamos pedindo que o Estado faça isso: tirar a terra desse um e passar para os mil. É disso que o Brasil precisa.”
O recuo retórico do MST se dá depois que o Planalto deflagrou uma operação envolvendo vários ministros para rebater as declarações de Stedile. Na sexta-feira, o ministro José Dirceu (Casa Civil) disse que o governo não iria tolerar abusos contra a lei e emendou: “Não duvidem da autoridade do governo”.
Acabar com os latifúndios
Se, por um lado, o MST anunciou a nova atitude moderada nas palavras, por outro, dois membros da CPT foram duros nos discursos. O bispo dom Maurício Grotto de Camargo, da diocese de Assis, defendeu “invasões pacíficas” a terras devolutas ou improdutivas. “A ocupação organizada e pacífica de terras devolutas ou improdutivas não fere o Estado de Direito democrático.
Também não se trata de violência. Trata-se de um grito angustiado daqueles que são vítimas da violência, da fome, da falta de moradia digna, do desemprego, do subemprego e do trabalho escravo”, afirmou.
Para ele, as “ocupações cruelmente violentas” são “as do dinheiro público, feitas por políticos inescrupulosos”.
Já o coordenador estadual da CPT, padre Fernando Doren, foi mais enérgico: “Não vamos dormir e não vamos ficar em paz enquanto não acabarmos com os latifúndios”. As declarações foram dadas durante a 7ª Romaria pela Terra, Água e Pão, promovida pelo MST e pela CPT, que reuniu aproximadamente 3.500 pessoas, segundo a Polícia Militar.
Rainha
Depois de acompanhar o início da romaria, onde afirmou que a elite tenta desestabilizar o governo Lula atingindo o MST, o deputado estadual e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) visitou ontem o líder José Rainha Jr., preso desde o dia 11 na penitenciária de segurança máxima de Presidente Venceslau (SP).
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Por Mhais• 28 de julho de 2003• 10:02• Sem categoria
MST MUDA DISCURSO, MAS SEGUE COM INVASÕES
CRISTIANO MACHADO
Free-lance para a Agência Folha, em Rosana(SP)
Temendo desgastes por conta da repercussão negativa das declarações feitas por João Pedro Stedile, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), nas palavras de João Paulo Rodrigues _outra expressão nacional do movimento_, vai amenizar o seu discurso, mas não vai interromper as ondas de invasões.
Na mesma ocasião, integrantes da CPT (Comissão Pastoral da Terra), por outro lado, mantiveram o tom das declarações dadas por Stedile no Rio Grande do Sul.
“Aumentará o cuidado em relação às nossas falas. Agora, em relação à nossa prática, não muda nada, pois acreditamos que estamos no caminho certo”, disse Rodrigues, 23, em evento em Rosana (extremo oeste de São Paulo).
De acordo com o líder sem-terra, “proprietário [rural] que não cumprir função social vai ser denunciado, para o Estado fazer reforma agrária”. “As denúncias virão de todas as formas, entre elas, a ocupação de terra.”
Rodrigues acredita na existência de “uma tentativa explícita de criminalizar o MST”. Na sua opinião, o objetivo é atingir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Isso é um grande equívoco. O MST é independente. O Lula é uma coisa e o Estado, outra. O PT e o MST também.”
Sobre as declarações de Stedile, Rodrigues afirmou que houve má interpretação da imprensa. “Em momento nenhum João Pedro [Stedile] pediu para os mil [sem-terra] atacarem um [fazendeiro]. Pelo contrário. Estamos pedindo que o Estado faça isso: tirar a terra desse um e passar para os mil. É disso que o Brasil precisa.”
O recuo retórico do MST se dá depois que o Planalto deflagrou uma operação envolvendo vários ministros para rebater as declarações de Stedile. Na sexta-feira, o ministro José Dirceu (Casa Civil) disse que o governo não iria tolerar abusos contra a lei e emendou: “Não duvidem da autoridade do governo”.
Acabar com os latifúndios
Se, por um lado, o MST anunciou a nova atitude moderada nas palavras, por outro, dois membros da CPT foram duros nos discursos. O bispo dom Maurício Grotto de Camargo, da diocese de Assis, defendeu “invasões pacíficas” a terras devolutas ou improdutivas. “A ocupação organizada e pacífica de terras devolutas ou improdutivas não fere o Estado de Direito democrático.
Também não se trata de violência. Trata-se de um grito angustiado daqueles que são vítimas da violência, da fome, da falta de moradia digna, do desemprego, do subemprego e do trabalho escravo”, afirmou.
Para ele, as “ocupações cruelmente violentas” são “as do dinheiro público, feitas por políticos inescrupulosos”.
Já o coordenador estadual da CPT, padre Fernando Doren, foi mais enérgico: “Não vamos dormir e não vamos ficar em paz enquanto não acabarmos com os latifúndios”. As declarações foram dadas durante a 7ª Romaria pela Terra, Água e Pão, promovida pelo MST e pela CPT, que reuniu aproximadamente 3.500 pessoas, segundo a Polícia Militar.
Rainha
Depois de acompanhar o início da romaria, onde afirmou que a elite tenta desestabilizar o governo Lula atingindo o MST, o deputado estadual e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) visitou ontem o líder José Rainha Jr., preso desde o dia 11 na penitenciária de segurança máxima de Presidente Venceslau (SP).
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