O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que, em seu governo, a política vai se sobrepor à economia. Depois de ouvir o economista Celso Furtado criticar o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a “obsessão economicista” do governo anterior, Lula seguiu o mesmo caminho no ato político que marcou a recriação da Sudene.
“A visão eminentemente economicista do Brasil é um equívoco porque acho que a política efetivamente é que tem que determinar os passos econômicos que vamos dar”, afirmou o presidente na parte improvisada de seu discurso. No trecho lido, voltou ao tema da esperança, muito usado durante a campanha eleitoral.
“Nessa máquina de moer esperanças, o acelerador da riqueza tem ao mesmo tempo acionado o freio da distribuição de renda. É preciso desmontar esse mecanismo perverso que se torna uma armadilha contra a própria sociedade”, disse Lula.
Lembrando seu antecessor, que criticava a “fracassomania” que julgava reinante no país, o presidente disse que, quando vê o pessimismo estampado nos jornais, vai para casa “dormir com a certeza de que vamos provar que a História deste país vai ser diferente”. “A gente vai voltar a crescer, vai gerar os empregos necessários e vai fazer as obras que forem prioritárias”, prometeu Lula.
No discurso, ele elogiou o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. “A criação da Sudene foi apenas uma demonstração de Ciro ao meu governo: a de que ele trabalha, trabalha e trabalha para servir ao país e ao Nordeste”. Em seguida, Lula chamou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) de “meu amigo”, elogiou a “coragem” do deputado José Pimentel (PT-CE), relator da reforma da previdência, e a “competência” de Tânia Bacellar, assessora de Ciro responsável pelos estudos que resultaram na recriação da Sudene.
O presidente informou que a Sudene, extinta em 2001 pelo governo Fernando Henrique, renascerá com um orçamento três vezes superior ao da Adene, a agência de desenvolvimento do Nordeste criada para suceder a Sudene. Disse também que ela nascerá imune à corrupção, uma vez que o risco das operações passará a ser dos agentes financeiros, privados ou estatais, dos investimentos.
Lula anunciou também que a Sudam será recriada e que a região Centro-Oeste ganhará uma agência de desenvolvimento. “Se alguém roubar, vamos fechar o ladrão na cadeia porque a instituição tem que funcionar”, disse, referindo-se à Sudam, fechada pelo governo anterior por causa de corrupção. O presidente também mencionou que o governo retomará o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.
Presente à cerimônia de lançamento da Sudene, o economista Celso Furtado, criador da primeira Sudene em 1959, disse que, 40 anos depois, são “poucas” as idéias novas sobre os problemas do Nordeste. “Há muito o que fazer”, afirmou. “O que o governo já sabe é que os desafios são políticos. É preciso liberar o Estado da obsessão economicista.”
Dos nove governadores do Nordeste, apenas dois não compareceram à cerimônia de ontem. O do Piauí, Wellington Dias (PT), não foi devido à morte da deputada Francisca Trindade. O do Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, alegou que estava em viagem no exterior, mas, nos bastidores, informou-se que ele não compareceu por não concordar que a cerimônia fosse realizada em Fortaleza, em vez de na capital pernambucana, sede da antiga e da nova Sudene.
Cristiano Romero, De Fortaleza
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 29 de julho de 2003• 09:19• Sem categoria
APÓS A SUDENE, LULA PROMETE VOLTA DA SUDAM E AGÊNCIA PARA O CENTRO-OESTE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que, em seu governo, a política vai se sobrepor à economia. Depois de ouvir o economista Celso Furtado criticar o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a “obsessão economicista” do governo anterior, Lula seguiu o mesmo caminho no ato político que marcou a recriação da Sudene.
“A visão eminentemente economicista do Brasil é um equívoco porque acho que a política efetivamente é que tem que determinar os passos econômicos que vamos dar”, afirmou o presidente na parte improvisada de seu discurso. No trecho lido, voltou ao tema da esperança, muito usado durante a campanha eleitoral.
“Nessa máquina de moer esperanças, o acelerador da riqueza tem ao mesmo tempo acionado o freio da distribuição de renda. É preciso desmontar esse mecanismo perverso que se torna uma armadilha contra a própria sociedade”, disse Lula.
Lembrando seu antecessor, que criticava a “fracassomania” que julgava reinante no país, o presidente disse que, quando vê o pessimismo estampado nos jornais, vai para casa “dormir com a certeza de que vamos provar que a História deste país vai ser diferente”. “A gente vai voltar a crescer, vai gerar os empregos necessários e vai fazer as obras que forem prioritárias”, prometeu Lula.
No discurso, ele elogiou o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. “A criação da Sudene foi apenas uma demonstração de Ciro ao meu governo: a de que ele trabalha, trabalha e trabalha para servir ao país e ao Nordeste”. Em seguida, Lula chamou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) de “meu amigo”, elogiou a “coragem” do deputado José Pimentel (PT-CE), relator da reforma da previdência, e a “competência” de Tânia Bacellar, assessora de Ciro responsável pelos estudos que resultaram na recriação da Sudene.
O presidente informou que a Sudene, extinta em 2001 pelo governo Fernando Henrique, renascerá com um orçamento três vezes superior ao da Adene, a agência de desenvolvimento do Nordeste criada para suceder a Sudene. Disse também que ela nascerá imune à corrupção, uma vez que o risco das operações passará a ser dos agentes financeiros, privados ou estatais, dos investimentos.
Lula anunciou também que a Sudam será recriada e que a região Centro-Oeste ganhará uma agência de desenvolvimento. “Se alguém roubar, vamos fechar o ladrão na cadeia porque a instituição tem que funcionar”, disse, referindo-se à Sudam, fechada pelo governo anterior por causa de corrupção. O presidente também mencionou que o governo retomará o projeto de transposição das águas do Rio São Francisco.
Presente à cerimônia de lançamento da Sudene, o economista Celso Furtado, criador da primeira Sudene em 1959, disse que, 40 anos depois, são “poucas” as idéias novas sobre os problemas do Nordeste. “Há muito o que fazer”, afirmou. “O que o governo já sabe é que os desafios são políticos. É preciso liberar o Estado da obsessão economicista.”
Dos nove governadores do Nordeste, apenas dois não compareceram à cerimônia de ontem. O do Piauí, Wellington Dias (PT), não foi devido à morte da deputada Francisca Trindade. O do Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, alegou que estava em viagem no exterior, mas, nos bastidores, informou-se que ele não compareceu por não concordar que a cerimônia fosse realizada em Fortaleza, em vez de na capital pernambucana, sede da antiga e da nova Sudene.
Cristiano Romero, De Fortaleza
Fonte: Valor Econômico
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