Ganho no semestre foi de 1,2 bi de euros
MADRI – As recentes turbulências na América Latina não impediram o Banco Santander Central Hispano (BSCH), o maior da Espanha, de obter na região um polpudo resultado no primeiro semestre de 2003. Ontem, em Madri, a instituição divulgou lucro líquido de 1,293 bilhão de euros no período. Grande parte desse valor – 53,9% – veio das operações latino-americanas. No Brasil, os ganhos foram de 343 milhões de euros, 26,5% do total mundial. Para fins de balanço, porém, o Santander desconta os valores gastos em amortizações de compras realizadas nos últimos anos, como a do Banespa. Por esse critério, o resultado brasileiro equivale a 14,8% do total e o latino-americano, a 32,7%.
Os números da região seriam ainda melhores não fosse a desvalorização cambial generalizada ocorrida no segundo semestre do ano passado. Para ter uma idéia do que isso significa, basta dizer que o lucro líquido no Brasil cresceu, em euros, 0,6% em relação ao primeiro semestre de 2002. Descontados os efeitos da oscilação cambial (que também inclui a valorização do euro frente ao dólar), o crescimento foi de 39,2%.
No primeiro trimestre do ano, os ganhos do BSCH alcançaram 612 milhões de euros. Nos três meses seguintes, foram 680 milhões de euros, a melhor marca trimestral da história da instituição. O objetivo é encerrar 2003 com um lucro líquido de 2,5 bilhões de euros. No Brasil, a expectativa é ganhar 800 milhões de euros. Para chegar a essa projeção no país, o banco espanhol trabalha com um dólar a R$ 3,40 no fim do ano. O departamento de economia da instituição prevê ainda que a América Latina crescerá, em média, 1,9% este ano.
Para manter os altos níveis de rentabilidade no Brasil, o BSCH terá um grande desafio pela frente: a provável queda consistente da taxa básica de juros. Hoje, uma fatia razoável dos resultados do grupo Santander Banespa advém das operações com títulos públicos. Explica-se: como a maioria dos bancos estatais, o Banespa tinha grande parcela dos seus ativos aplicada em papéis do governo federal. Embora os espanhóis venham reduzindo esse montante, os títulos do governo correspondiam a 38% dos ativos no fim do primeiro trimestre de 2003, segundo dados da ABM Consulting. Se o juro de fato cair, como esperam economistas e analistas do mercado financeiro, os ganhos com esse tipo de operação tendem a reduzir-se.
O conselheiro-delegado (uma espécie de diretor de relações com investidores) do BSCH, Alfredo Sáenz, reconhece o desafio, mas diz que a instituição está preparada para essa mudança de ambiente.
– Essa não é uma experiência nova para nós – afirma.
Analistas locais lembram que a Espanha, há cerca de duas décadas, tinha uma situação macroeconômica semelhante à do Brasil hoje, com taxas de juros elevadas. O sistema financeiro local migrou gradativamente (e com sucesso) para o atual cenário, mais estável.
Leandro Modé
Da Forbes Brasil
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Por Mhais• 30 de julho de 2003• 13:51• Sem categoria
BRASIL REPRESENTA 14% DO LUCRO DO SANTANDER
Ganho no semestre foi de 1,2 bi de euros
MADRI – As recentes turbulências na América Latina não impediram o Banco Santander Central Hispano (BSCH), o maior da Espanha, de obter na região um polpudo resultado no primeiro semestre de 2003. Ontem, em Madri, a instituição divulgou lucro líquido de 1,293 bilhão de euros no período. Grande parte desse valor – 53,9% – veio das operações latino-americanas. No Brasil, os ganhos foram de 343 milhões de euros, 26,5% do total mundial. Para fins de balanço, porém, o Santander desconta os valores gastos em amortizações de compras realizadas nos últimos anos, como a do Banespa. Por esse critério, o resultado brasileiro equivale a 14,8% do total e o latino-americano, a 32,7%.
Os números da região seriam ainda melhores não fosse a desvalorização cambial generalizada ocorrida no segundo semestre do ano passado. Para ter uma idéia do que isso significa, basta dizer que o lucro líquido no Brasil cresceu, em euros, 0,6% em relação ao primeiro semestre de 2002. Descontados os efeitos da oscilação cambial (que também inclui a valorização do euro frente ao dólar), o crescimento foi de 39,2%.
No primeiro trimestre do ano, os ganhos do BSCH alcançaram 612 milhões de euros. Nos três meses seguintes, foram 680 milhões de euros, a melhor marca trimestral da história da instituição. O objetivo é encerrar 2003 com um lucro líquido de 2,5 bilhões de euros. No Brasil, a expectativa é ganhar 800 milhões de euros. Para chegar a essa projeção no país, o banco espanhol trabalha com um dólar a R$ 3,40 no fim do ano. O departamento de economia da instituição prevê ainda que a América Latina crescerá, em média, 1,9% este ano.
Para manter os altos níveis de rentabilidade no Brasil, o BSCH terá um grande desafio pela frente: a provável queda consistente da taxa básica de juros. Hoje, uma fatia razoável dos resultados do grupo Santander Banespa advém das operações com títulos públicos. Explica-se: como a maioria dos bancos estatais, o Banespa tinha grande parcela dos seus ativos aplicada em papéis do governo federal. Embora os espanhóis venham reduzindo esse montante, os títulos do governo correspondiam a 38% dos ativos no fim do primeiro trimestre de 2003, segundo dados da ABM Consulting. Se o juro de fato cair, como esperam economistas e analistas do mercado financeiro, os ganhos com esse tipo de operação tendem a reduzir-se.
O conselheiro-delegado (uma espécie de diretor de relações com investidores) do BSCH, Alfredo Sáenz, reconhece o desafio, mas diz que a instituição está preparada para essa mudança de ambiente.
– Essa não é uma experiência nova para nós – afirma.
Analistas locais lembram que a Espanha, há cerca de duas décadas, tinha uma situação macroeconômica semelhante à do Brasil hoje, com taxas de juros elevadas. O sistema financeiro local migrou gradativamente (e com sucesso) para o atual cenário, mais estável.
Leandro Modé
Da Forbes Brasil
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