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CLT É A BOLA DA VEZ

Reforma trabalhista não deve acabar com direitos básicos, como 13º salário e férias. Mas a forma de consegui-los pode mudar
Marinho, da CUT, conversa com Lula, observado pelo vice Alencar na abertura de fórum que oferecerá subsídios para a reforma trabalhista
O governo começou ontem a moldar a reforma Trabalhista com a abertura oficial do Fórum Nacional do Trabalho. O principal objetivo é discutir as mudanças nas leis trabalhistas e a flexibilização de direitos dos trabalhadores. O primeiro passo para isso é fortalecer os sindicatos, que teriam uma papel mais importante na negociação com os patrões e, assim, desatolariam a Justiça do Trabalho.
A intenção é que o fórum, reunindo trabalhadores, patrões e governo, seja encerrado em outubro, para, até o final deste ano, o governo apresentar um projeto de reforma Trabalhista ao Congresso. A dificuldade, no entanto, será aprovar uma reforma polêmica em 2004, ano de eleições municipais, na opinião do professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Jorge Arbache. ‘‘A reforma não trará mais empregos e pode alterar direitos básicos dos trabalhadores’’, afirma.
Um dos pontos discutidos é incorporar à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) os acordos já negociados por sindicatos e patrões. Os direitos básicos, como 13º salário e férias, estariam garantidos, mas a forma de obtê-los poderia variar. Em um acordo com o trabalhador, o patrão pagaria o 13º, por exemplo, em parcelas mensais. ‘‘Dessa forma, o 13º praticamente desaparecia e o trabalhador nem perceberia esse dinheiro. A longo prazo, o direito não existiria mais’’, comenta. Na hora de falar nas alterações da CLT, o governo prefere esperar. ‘‘Teremos nossas opiniões depois das discussões no fórum’’, diz o ministro do Trabalho e Emprego, Jaques Wagner.
A mudança mais urgente na reforma é na esfera sindical. O imposto sindical, valor correspondente a um dia de serviço pago obrigatoriamente pelo trabalhador todo mês de março, seria abolido gradualmente. A proposta do deputado Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, presidente da Comissão Especial da Reforma Trabalhista e membro da comissão do governo no Fórum Nacional do Trabalho, é de baixar o valor do imposto em 20% ao ano. Assim, os sindicatos pouco atuantes e que sobrevivem dessa verba deixariam de existir. ‘‘Os outros sindicatos que atuam mais ficariam com mais sócios e teriam mais força e respeito junto aos patrões.’’
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava presente ontem na abertura do fórum, no Palácio do Planalto, é preciso democratizar a relação entre os sindicatos e os trabalhadores. ‘‘Muita vezes acontece acordo neste país em que o sindicato aprova e, quando chega lá, a categoria não quer e não cumpre. Esse tipo de movimento sindical não interessa a ninguém e é isso que queremos mudar’’, diz Lula.
Mas as mudanças anunciadas por Lula ontem não agradaram a todos. Grijalbo Coutinho, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), diz que o presidente está anunciando inverdades sobre a Justiça e as mudanças na CLT. ‘‘Lula tem frases de efeito dizendo que a Justiça do Trabalho é contra ao contrato coletivo. Isso não é verdade, queremos sim que os sindicatos tenham mais força.’’
Coutinho afirma também que os trabalhadores de micro e pequenas empresas podem ser prejudicados com a reforma Trabalhista, já que haveria a possibilidade de as empresas negociarem alguns direitos da CLT para ter menos custos com contratação e diminuir a informalidade. ‘‘Teríamos trabalhadores de terceira categoria dessa forma. O desemprego se resolve com menos tributos e não com mudanças na CLT’’, diz.
Lula tem frases de efeito dizendo que a Justiça é contra o contrato coletivo. Isso não é verdade, queremos sim que os sindicatos tenham mais força
Grijalbo Coutinho, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra)
Ellen Nogueira
Da equipe do Correio
Sergio Amaral

Por 12:52 Sem categoria

CLT É A BOLA DA VEZ

Reforma trabalhista não deve acabar com direitos básicos, como 13º salário e férias. Mas a forma de consegui-los pode mudar

Marinho, da CUT, conversa com Lula, observado pelo vice Alencar na abertura de fórum que oferecerá subsídios para a reforma trabalhista

O governo começou ontem a moldar a reforma Trabalhista com a abertura oficial do Fórum Nacional do Trabalho. O principal objetivo é discutir as mudanças nas leis trabalhistas e a flexibilização de direitos dos trabalhadores. O primeiro passo para isso é fortalecer os sindicatos, que teriam uma papel mais importante na negociação com os patrões e, assim, desatolariam a Justiça do Trabalho.

A intenção é que o fórum, reunindo trabalhadores, patrões e governo, seja encerrado em outubro, para, até o final deste ano, o governo apresentar um projeto de reforma Trabalhista ao Congresso. A dificuldade, no entanto, será aprovar uma reforma polêmica em 2004, ano de eleições municipais, na opinião do professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Jorge Arbache. ‘‘A reforma não trará mais empregos e pode alterar direitos básicos dos trabalhadores’’, afirma.

Um dos pontos discutidos é incorporar à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) os acordos já negociados por sindicatos e patrões. Os direitos básicos, como 13º salário e férias, estariam garantidos, mas a forma de obtê-los poderia variar. Em um acordo com o trabalhador, o patrão pagaria o 13º, por exemplo, em parcelas mensais. ‘‘Dessa forma, o 13º praticamente desaparecia e o trabalhador nem perceberia esse dinheiro. A longo prazo, o direito não existiria mais’’, comenta. Na hora de falar nas alterações da CLT, o governo prefere esperar. ‘‘Teremos nossas opiniões depois das discussões no fórum’’, diz o ministro do Trabalho e Emprego, Jaques Wagner.

A mudança mais urgente na reforma é na esfera sindical. O imposto sindical, valor correspondente a um dia de serviço pago obrigatoriamente pelo trabalhador todo mês de março, seria abolido gradualmente. A proposta do deputado Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, presidente da Comissão Especial da Reforma Trabalhista e membro da comissão do governo no Fórum Nacional do Trabalho, é de baixar o valor do imposto em 20% ao ano. Assim, os sindicatos pouco atuantes e que sobrevivem dessa verba deixariam de existir. ‘‘Os outros sindicatos que atuam mais ficariam com mais sócios e teriam mais força e respeito junto aos patrões.’’

Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estava presente ontem na abertura do fórum, no Palácio do Planalto, é preciso democratizar a relação entre os sindicatos e os trabalhadores. ‘‘Muita vezes acontece acordo neste país em que o sindicato aprova e, quando chega lá, a categoria não quer e não cumpre. Esse tipo de movimento sindical não interessa a ninguém e é isso que queremos mudar’’, diz Lula.

Mas as mudanças anunciadas por Lula ontem não agradaram a todos. Grijalbo Coutinho, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), diz que o presidente está anunciando inverdades sobre a Justiça e as mudanças na CLT. ‘‘Lula tem frases de efeito dizendo que a Justiça do Trabalho é contra ao contrato coletivo. Isso não é verdade, queremos sim que os sindicatos tenham mais força.’’

Coutinho afirma também que os trabalhadores de micro e pequenas empresas podem ser prejudicados com a reforma Trabalhista, já que haveria a possibilidade de as empresas negociarem alguns direitos da CLT para ter menos custos com contratação e diminuir a informalidade. ‘‘Teríamos trabalhadores de terceira categoria dessa forma. O desemprego se resolve com menos tributos e não com mudanças na CLT’’, diz.

Lula tem frases de efeito dizendo que a Justiça é contra o contrato coletivo. Isso não é verdade, queremos sim que os sindicatos tenham mais força

Grijalbo Coutinho, presidente da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra)

Ellen Nogueira
Da equipe do Correio
Sergio Amaral

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