Pela primeira vez em nove meses, os juros bancários caíram para as empresas em junho. Foi um recuo de meio ponto percentual em relação à taxa praticada em maio. Conforme o Banco Central, no mês passado a média apurada ficou em 38,6% ao ano para as pessoas jurídicas. Para as pessoas físicas, pelo terceiro mês consecutivo, os juros voltaram a cair, saindo, em média, de 83,7% para 81,4% ao ano.
Em algumas modalidades de crédito a pessoas jurídicas, a queda foi mais acentuada do que a média. Os juros das operações de ” hot money ” (crédito de curtíssimo prazo), por exemplo, saíram de 59,4% para 57,4% ao ano. Nas linhas de desconto de promissórias, a taxa recuou de 64% para 62,9% ao ano. O financiamento de bens para as empresas também ficou mais barato: a taxa saiu de 39,7% para 38,8% ao ano.
Nas operações com pessoas físicas, o destaque foi para as linhas de financiamento de veículos, cuja taxa caiu de 47,5% para 45,1% ao ano. A taxa do crédito pessoal passou de 98,1% para 96,6% ao ano. No cheque especial, a queda foi menor e taxa recuou de 177,6% para 177% ao ano.
Os dados foram divulgados ontem pelo BC e, mais do que a decisão em si, refletem a expectativa que o mercado tinha em relação ao corte de juros básicos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no último dia 22. Mesmo antes de o Copom reduzir a taxa Selic de 26% para 24,5% ao ano, os juros do mercado futuro se ajustaram à expectativa de queda, fazendo cair o custo de captação das instituições financeiras em junho, explicou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
O motivo da queda dos juros ao tomador final, no entanto, não se limitou a isso. Além de repassar a queda verificada no seu custo de captação, os bancos também reduziram margens de lucro, praticando ” spreads ” menores. Nas operações com pessoas físicas, por exemplo, a diferença entre as taxas de captação e aplicação recuou de 60 para 58,5 pontos percentuais. Ou seja, da queda total de 2,3 pontos detectada na taxa média do crédito às famílias, mais de dois terços foram conseqüência da redução do ” spread ” bancário.
Nas operações com empresas, o ” spread ” caiu de 14,8 para 14,6 pontos percentuais, o que ajudou a reduzir a taxa final de juros também neste segmento . Antes desta, a última vez que o BC observou redução nos juros do crédito livre a empresas foi em setembro do ano passado. Já os juros das operações com pessoas físicas retomaram a trajetória de queda em abril deste ano, após seis meses sucessivos de alta.
Na avaliação de Lopes, se o mercado financeiro continuar apostando na queda da taxa básica de juro, como vem acontecendo, a tendência é de que os juros bancários também continuem caindo. Isso porque, explicou ele, as expectativas do mercado afetam os juros dos contratos futuros que, por sua vez, afetam o custo de pago pelas instituições para captar recursos.
Lopes também espera queda dos ” spreads ” , o que reforçaria a tendência de redução continuada das taxas finais. O comportamento estável da taxa de inadimplência, acrescentou ele, contribui para que não haja novas elevações de ” spreads ” .
Nos quatro primeiros meses deste ano, a taxa de inadimplência do crédito bancário livre subiu, passando de 7,7% para 8,8%. Mas, desde então está estacionada neste patamar. O BC considera inadimplentes as operações com parcelas em atraso a partir 15 dias. Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência anda na casa dos 15,5%. Já nas operações dos bancos com as empresas, o percentual é menor, situando-se em 4,7%.
Mônica Izaguirre, De Brasília
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 30 de julho de 2003• 09:37• Sem categoria
JURO COMEÇA A CEDER COM TENDÊNCIA DE CORTE DA SELIC E QUEDA DO SPREAD
Pela primeira vez em nove meses, os juros bancários caíram para as empresas em junho. Foi um recuo de meio ponto percentual em relação à taxa praticada em maio. Conforme o Banco Central, no mês passado a média apurada ficou em 38,6% ao ano para as pessoas jurídicas. Para as pessoas físicas, pelo terceiro mês consecutivo, os juros voltaram a cair, saindo, em média, de 83,7% para 81,4% ao ano.
Em algumas modalidades de crédito a pessoas jurídicas, a queda foi mais acentuada do que a média. Os juros das operações de ” hot money ” (crédito de curtíssimo prazo), por exemplo, saíram de 59,4% para 57,4% ao ano. Nas linhas de desconto de promissórias, a taxa recuou de 64% para 62,9% ao ano. O financiamento de bens para as empresas também ficou mais barato: a taxa saiu de 39,7% para 38,8% ao ano.
Nas operações com pessoas físicas, o destaque foi para as linhas de financiamento de veículos, cuja taxa caiu de 47,5% para 45,1% ao ano. A taxa do crédito pessoal passou de 98,1% para 96,6% ao ano. No cheque especial, a queda foi menor e taxa recuou de 177,6% para 177% ao ano.
Os dados foram divulgados ontem pelo BC e, mais do que a decisão em si, refletem a expectativa que o mercado tinha em relação ao corte de juros básicos pelo Comitê de Política Monetária (Copom) no último dia 22. Mesmo antes de o Copom reduzir a taxa Selic de 26% para 24,5% ao ano, os juros do mercado futuro se ajustaram à expectativa de queda, fazendo cair o custo de captação das instituições financeiras em junho, explicou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
O motivo da queda dos juros ao tomador final, no entanto, não se limitou a isso. Além de repassar a queda verificada no seu custo de captação, os bancos também reduziram margens de lucro, praticando ” spreads ” menores. Nas operações com pessoas físicas, por exemplo, a diferença entre as taxas de captação e aplicação recuou de 60 para 58,5 pontos percentuais. Ou seja, da queda total de 2,3 pontos detectada na taxa média do crédito às famílias, mais de dois terços foram conseqüência da redução do ” spread ” bancário.
Nas operações com empresas, o ” spread ” caiu de 14,8 para 14,6 pontos percentuais, o que ajudou a reduzir a taxa final de juros também neste segmento . Antes desta, a última vez que o BC observou redução nos juros do crédito livre a empresas foi em setembro do ano passado. Já os juros das operações com pessoas físicas retomaram a trajetória de queda em abril deste ano, após seis meses sucessivos de alta.
Na avaliação de Lopes, se o mercado financeiro continuar apostando na queda da taxa básica de juro, como vem acontecendo, a tendência é de que os juros bancários também continuem caindo. Isso porque, explicou ele, as expectativas do mercado afetam os juros dos contratos futuros que, por sua vez, afetam o custo de pago pelas instituições para captar recursos.
Lopes também espera queda dos ” spreads ” , o que reforçaria a tendência de redução continuada das taxas finais. O comportamento estável da taxa de inadimplência, acrescentou ele, contribui para que não haja novas elevações de ” spreads ” .
Nos quatro primeiros meses deste ano, a taxa de inadimplência do crédito bancário livre subiu, passando de 7,7% para 8,8%. Mas, desde então está estacionada neste patamar. O BC considera inadimplentes as operações com parcelas em atraso a partir 15 dias. Nas operações com pessoas físicas, a inadimplência anda na casa dos 15,5%. Já nas operações dos bancos com as empresas, o percentual é menor, situando-se em 4,7%.
Mônica Izaguirre, De Brasília
Fonte: Valor Econômico
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