fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 15:20 Notícias

TENSÃO NO MERCADO

Boato sobre a demissão do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e rebaixamento da qualidade dos títulos da dívida brasileira pela corretora Merryl Lynch reforçam pessimismo dos investidores sobre a situação do país
A incerteza sobre a aprovação da reforma da Previdência e o rebaixamento da nota dos títulos brasileiros trouxeram mais um dia de pessimismo ao mercado financeiro. Com forte oscilação, o dólar encerrou o dia negociado por R$ 3,07, uma alta de 1,32%, a maior desde abril. A Bolsa de Valores de São Paulo enfrentou mais um dia de negócios em baixa — queda de 1,45%. A tensão no mercado ainda teve espaço para a propagação de um boato de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, estava deixando o governo.
O ritmo de negócios foi definido logo cedo, com a decisão da corretora norte-americana, Merrill Lynch, de rebaixar a nota dos títulos da dívida brasileira, de acima da média do mercado (overweight) para na média (marketweight). Na prática, os investidores interpretam essa decisão como um aviso da corretora aos clientes para que reduzam a quantia de dinheiro aplicado nos títulos do país.
O resultado da operação foi instantâneo (veja quadro). O C-bond, título da dívida externa mais negociado no exterior, caiu 1,98%. O risco-país do Brasil subiu 4,92%. Ao longo do dia, chegou a 900 pontos. De acordo com a Merrill Lynch, o rebaixamento foi relacionado ao movimento de alta dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, o que atrai mais compradores para esse mercado. A instituição também sinalizou que está de olho no andamento das reformas tributária e da Previdência do Brasil. Mas fez questão de ressaltar que o rebaixamento foi um ‘‘movimento técnico’’, ou seja, não considerou qualquer avaliação negativa sobre a tramitação das reformas.
A incerteza no mercado sobre os rumos do país é inevitável, explica o economista-chefe do Banco Garantia, Rodrigo Azevedo. ‘‘Desde quinta-feira, a dúvida sobre a condução das reformas e a intensificação no conflito com os sem-terra têm ampliado os ruídos e contribuíram para esse ambiente’’, avalia Azevedo. ‘‘O problema ganha força nesta semana quando todo o esforço do governo em torno da reforma da Previdência será avaliado, com a votação nesta quarta-feira’’, completa.
Boato
O economista acredita que, passada a votação na Câmara dos Deputados, o ruído será dissipado e a calmaria retornará ao mercado. Dessa maneira, boatos como o que surgiu sobre a demissão do ministro da Fazenda, por divergências com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, vão desaparecer. Mas antes do boato ter sido desmentido por um batalhão de petistas ao longo do dia, os rumores da saída de Palocci, considerado a âncora de segurança da economia brasileira, preocuparam investidores fora do país.
Analistas de bancos com sede em Londres e em Nova York passaram o dia tranqüilizando seus clientes depois de se certificarem de que era mentira. O economista Ricardo Amorim, chefe, em Nova York, do Departamento de Pesquisas Econômicas para a América Latina da consultoria IDEAGlobal, revela que o dia em Wall Street foi cercado de preocupações. ‘‘O boato da demissão chegou rapidamente aqui e foi visto com muita preocupação. É ruim para o país que enfrenta nesta semana a votação da reforma da Previdência. Esse tema é acompanhado dia-a-dia pelos investidores’’, conta.
O presidente da República não teve pressa em desmentir a suposta demissão. No início da noite de ontem, com o mercado já fechado, e por meio do porta-voz André Singer, Lula classificou como ‘‘boatos’’ as possíveis divergências entre os dois ministros. ‘‘Só podem ter partido de especuladores’’, disse Singer. Lula fez questão de exaltar a importância dos dois e preferiu não citar a palavra demissão no caso de Palocci. ‘‘O presidente reafirma que os ministros contam com a sua inteira confiança e que cada um cuida, com muita competência, da sua respectiva área’’, disse o porta-voz. Palocci não quis comentar o boato.
Dramatização
Em Belo Horizonte, num encontro com empresários mineiros na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tentou minimizar o clima de tensão. Ele qualificou os movimentos de alta do dólar e do risco-país de naturais, acrescentando que eles não devem ser dramatizados. Para o presidente do BC, o governo deve continuar fazendo seu dever de casa, com a aprovação das reformas tributária e da Previdência. O diretor do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica da Unicamp, Ricardo Carneiro, é enfático ao definir que todo o pessimismo de ontem no mercado não tem origem na dúvida sobre as reformas. ‘‘Isso é secundário’’. A valorização do dólar e a redução dos negócios na Bovespa, afirma, são resultado do preço que o país paga por ter economia excessivamente aberta a capitais de curto prazo. ‘‘A mudança de percepção dos investidores teve como causa a valorização dos títulos americanos que sugou parte dos capitais de países emergentes. O resto que se diz é pura figuração.’’
Andrea Cordeiro
Da equipe do Correio

Por 15:20 Sem categoria

TENSÃO NO MERCADO

Boato sobre a demissão do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e rebaixamento da qualidade dos títulos da dívida brasileira pela corretora Merryl Lynch reforçam pessimismo dos investidores sobre a situação do país

A incerteza sobre a aprovação da reforma da Previdência e o rebaixamento da nota dos títulos brasileiros trouxeram mais um dia de pessimismo ao mercado financeiro. Com forte oscilação, o dólar encerrou o dia negociado por R$ 3,07, uma alta de 1,32%, a maior desde abril. A Bolsa de Valores de São Paulo enfrentou mais um dia de negócios em baixa — queda de 1,45%. A tensão no mercado ainda teve espaço para a propagação de um boato de que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, estava deixando o governo.

O ritmo de negócios foi definido logo cedo, com a decisão da corretora norte-americana, Merrill Lynch, de rebaixar a nota dos títulos da dívida brasileira, de acima da média do mercado (overweight) para na média (marketweight). Na prática, os investidores interpretam essa decisão como um aviso da corretora aos clientes para que reduzam a quantia de dinheiro aplicado nos títulos do país.

O resultado da operação foi instantâneo (veja quadro). O C-bond, título da dívida externa mais negociado no exterior, caiu 1,98%. O risco-país do Brasil subiu 4,92%. Ao longo do dia, chegou a 900 pontos. De acordo com a Merrill Lynch, o rebaixamento foi relacionado ao movimento de alta dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, o que atrai mais compradores para esse mercado. A instituição também sinalizou que está de olho no andamento das reformas tributária e da Previdência do Brasil. Mas fez questão de ressaltar que o rebaixamento foi um ‘‘movimento técnico’’, ou seja, não considerou qualquer avaliação negativa sobre a tramitação das reformas.

A incerteza no mercado sobre os rumos do país é inevitável, explica o economista-chefe do Banco Garantia, Rodrigo Azevedo. ‘‘Desde quinta-feira, a dúvida sobre a condução das reformas e a intensificação no conflito com os sem-terra têm ampliado os ruídos e contribuíram para esse ambiente’’, avalia Azevedo. ‘‘O problema ganha força nesta semana quando todo o esforço do governo em torno da reforma da Previdência será avaliado, com a votação nesta quarta-feira’’, completa.

Boato
O economista acredita que, passada a votação na Câmara dos Deputados, o ruído será dissipado e a calmaria retornará ao mercado. Dessa maneira, boatos como o que surgiu sobre a demissão do ministro da Fazenda, por divergências com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, vão desaparecer. Mas antes do boato ter sido desmentido por um batalhão de petistas ao longo do dia, os rumores da saída de Palocci, considerado a âncora de segurança da economia brasileira, preocuparam investidores fora do país.

Analistas de bancos com sede em Londres e em Nova York passaram o dia tranqüilizando seus clientes depois de se certificarem de que era mentira. O economista Ricardo Amorim, chefe, em Nova York, do Departamento de Pesquisas Econômicas para a América Latina da consultoria IDEAGlobal, revela que o dia em Wall Street foi cercado de preocupações. ‘‘O boato da demissão chegou rapidamente aqui e foi visto com muita preocupação. É ruim para o país que enfrenta nesta semana a votação da reforma da Previdência. Esse tema é acompanhado dia-a-dia pelos investidores’’, conta.

O presidente da República não teve pressa em desmentir a suposta demissão. No início da noite de ontem, com o mercado já fechado, e por meio do porta-voz André Singer, Lula classificou como ‘‘boatos’’ as possíveis divergências entre os dois ministros. ‘‘Só podem ter partido de especuladores’’, disse Singer. Lula fez questão de exaltar a importância dos dois e preferiu não citar a palavra demissão no caso de Palocci. ‘‘O presidente reafirma que os ministros contam com a sua inteira confiança e que cada um cuida, com muita competência, da sua respectiva área’’, disse o porta-voz. Palocci não quis comentar o boato.

Dramatização
Em Belo Horizonte, num encontro com empresários mineiros na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, tentou minimizar o clima de tensão. Ele qualificou os movimentos de alta do dólar e do risco-país de naturais, acrescentando que eles não devem ser dramatizados. Para o presidente do BC, o governo deve continuar fazendo seu dever de casa, com a aprovação das reformas tributária e da Previdência. O diretor do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica da Unicamp, Ricardo Carneiro, é enfático ao definir que todo o pessimismo de ontem no mercado não tem origem na dúvida sobre as reformas. ‘‘Isso é secundário’’. A valorização do dólar e a redução dos negócios na Bovespa, afirma, são resultado do preço que o país paga por ter economia excessivamente aberta a capitais de curto prazo. ‘‘A mudança de percepção dos investidores teve como causa a valorização dos títulos americanos que sugou parte dos capitais de países emergentes. O resto que se diz é pura figuração.’’

Andrea Cordeiro
Da equipe do Correio

Close