O Banco do Brasil (BB) prepara a maior contratação de uma rede multisserviço já feita no país. É esperado para esta semana a minuta do edital da licitação do serviço de transmissão de dados da instituição, marcando a segunda etapa de um processo aguardado com ansiedade pelos candidatos, dados os valores envolvidos. Ninguém comenta números, mas a quantidade de pontos a serem interligados do BB dá uma idéia da grandiosidade do negócio. São 10 mil, entre agências, centros de processamentos e postos. O volume é maior do que o total de pontos atendidos pela Telefônica Empresas, que tem como clientes instituições como Santander/Banespa, Itaú e BBV.
Da primeira etapa do processo – uma tomada de informações por parte do banco junto aos potenciais candidatos -, participaram nove empresas, segundo o gerente-geral de tecnologia da informação do BB, José Francisco Alvarez Raya. Foram todas as concessionárias locais, de longa distância e espelhos, além da AT&T Latin America e da PrimeSys. “Imaginamos que cinco empresas mantenham o interesse”.
O porte do negócio deve resultar na formação de consórcios, que concorrerão com a Embratel, única que tem uma rede capaz de atender sozinha ao BB. Por conta disso, a operadora defendeu que não fossem permitidos consórcios, mas foi voto vencido. “Aceitamos consórcios para estimular a concorrência”, explica Raya. Existe a possibilidade de as empresas se apresentarem sozinhas, para depois subcontratarem parte da rede. O mercado também não descarta a participação de empresas que não participaram da primeira fase.
O BB dividiu toda sua rede em dois lotes iguais. A opção por dois vencedores assegura redundância em caso de falha. Cada lote inclui as agências de maior volume de dados e principais sedes administrativas, assim como pontos de menor movimento e de localização remota. Assim, cada vencedor terá que atender tanto áreas nobres do BB quanto agências nos confins do país.
O contrato terá prazo de cinco anos. Na avaliação de Raya, qualquer que seja o vencedor, haverá um investimento grande na modernização da atual rede. O edital não prevê nenhum montante, mas estabelece expansão nas atuais capacidades de transmissão de dados, de forma a obrigar o vencedor a aportar recursos na melhoria da rede. Só no ano passado, o BB gastou R$ 40 milhões em atualização. “A preocupação maior da licitação não é economizar em relação aos gastos atuais de comunicação, mas assegurar uma melhor qualidade dos serviços prestados e evolução da rede”, explica Raya.
Como exemplo de expansão, ele cita que as principais agências do banco deverão ser atendidas com 1 megabit por segundo, contra os atuais 256 kilobits por segundo que predominam na maior parte destas agências.
A expectativa do BB é que os vencedores da licitação sejam conhecidos ainda este ano, para que as melhorias comecem a ser implementadas ao longo de 2004. Por força da lei, o BB é obrigado a levar a consulta pública o edital que será divulgado esta semana. “Faremos uma audiência pública sobre o edital ainda em agosto e o texto definitivo deve sair, no máximo, no início de setembro”, prevê Raya. Hoje, o serviço de dados do BB usa equipamentos próprios da instituição, mas a rede de transmissão é contratada de quatro concessionárias – Embratel, Telefônica, Brasil Telecom e Telemar.
Marineide Marques, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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