O Bradesco e o Itaú já asseguraram vaga na reta final para disputar a compra dos ativos do banco inglês Lloyds TSB no Brasil. Segundo o Valor apurou, na sexta-feira passada os dois bancos foram avisados da pré-qualificação para continuar no processo.
Além dos dois maiores bancos privados do país, também apresentaram propostas indicativas, em 25 de julho, o Unibanco, o Citibank, o HSBC e o BNP Paribas. O mais provável é que apenas mais duas instituições – além de Bradesco e Itaú – continuem no processo e tenham acesso ao “data room” do Lloyds.
A surpresa ficou por conta do HSBC. Em 2002, a instituição inglesa esteve muito perto de fechar a aquisição da financeira do Lloyds. Mas, desta vez, o HSBC foi um dos últimos a demonstrar seu interesse.
Bradesco e Itaú saíram na frente por terem entregue as duas melhores propostas financeiras indicativas. O holandês ABN-AMRO, que sinalizara interesse, acabou não fazendo uma oferta.
O principal ativo do Lloyds é mesmo a financeira Losango, com 14 milhões de clientes e uma carteira de empréstimos de R$ 2 bilhões. Além disso, fazem parte do pacote ofertado as atividades de corporate banking e de tesouraria. Se obtiver um preço satisfatório por seus negócios, o Lloyds, o estrangeiro mais antigo no Brasil, deixará o país após 140 anos de história por aqui.
Fontes ligadas ao Itaú e ao Bradesco dizem que o portfólio da Losango, bastante focado em Crédito Direto ao Consumidor e financiamento em lojas, seria complementar às suas atividades. Tanto a Fináustria, adquirida pelo Itaú, quando a Finasa, comprada pelo Bradesco, têm mais força no financiamento de automóveis.
Uma fonte do Unibanco avalia que a financeira do grupo, a Fininvest, tem uma posição bastante forte nos segmentos em que a Losango atua, o que significa uma sobreposição maior de atividades.
Citibank e HSBC, por seu lado, indicaram, recentemente, ter interesse em crescer no ramo de financiamento ao consumo. Para eles, a compra da Losango representaria um grande impulso. No entanto, ambos têm sido bastante tímidos em seus investimentos no Brasil. “Além disso, Itaú e Bradesco têm condições de oferecer valores maiores porque gerariam uma sinergia de negócios maior ao comprar a Losango”, avalia um experiente banqueiro.
A expectativa é que o processo de venda do Lloyds no Brasil, que está sendo assessorado pelo JP Morgan, seja concluído dentro de dois a três meses.
Vanessa Adachi, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
Deixe um comentário