Para o presidente Márcio Cypriano, a expansão da carteira de clientes e dos negócios nas áreas agrícola e exportadora e garantiu os bons números
O Bradesco anunciou ontem que fechou o segundo trimestre com um lucro líquido consolidado de R$ 519 milhões, totalizando R$ 1,027 bilhão no semestre. O número é 13,58% superior aos R$ 904,2 milhões dos primeiros seis meses de 2002. O resultado surpreendeu alguns analistas. A Merrill Lynch, por exemplo, esperava R$ 456 milhões no segundo trimestre.
Apesar disso, as ações preferenciais do banco caíram 4% para R$ 11,23 o lote de mil em um dia em que o índice Bovespa recuou 1,4%. O ajuste dos papéis ao pagamento de dividendos explica parte da queda.
O retorno anualizado diminuiu de 18,7% para 17% porque o patrimônio líquido cresceu 23,75%, para R$ 12,5 bilhões em conseqüência dos aumentos de capital realizados por conta da compra do Banco Mercantil de São Paulo em 2002 e das operações brasileiras do espanhol Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA).
O presidente do Bradesco, Márcio Cypriano, afirmou que o banco compensou a estagnação da carteira de crédito com o aumento da base de clientes, da receita de serviços e dos negócios na área agrícola e financiamento ao comércio exterior. Do resultado total, a área financeira contribuiu com 70%; e a seguradora, 25%.
A carteira de crédito ficou estável em R$ 53 bilhões, enquanto os ativos totais aumentaram 23,89%, de R$ 124,7 bilhões para R$ 154,489 bilhões. Mas, se for excluído o impacto nesses números causado pela aquisição do BBV Banco, verifica-se que o crédito até encolheu porque só o banco espanhol possuía uma carteira de R$ 3,992 bilhões e ativos totais de R$ 10 bilhões. A receita com crédito teve uma diminuição de 18%.
Cypriano disse que a procura por crédito está estagnada, mas ele conta com uma recuperação da demanda por recursos no segundo semestre, que fará a carteira fechar o ano com 11% a 12% de crescimento. A expectativa é baseada na melhoria sazonal da demanda e na previsão de que o Produto Interno Bruto (PIB) vai fechar o ano com variação de 1,5% a 1,7%. Para o final do ano, informou o vice-presidente José Acar, o Bradesco projeta com uma taxa básica de juro de 19% a 20% e um dólar entre R$ 3 e R$ 3,15.
O banco está preparado para uma eventual expansão do crédito: as despesas com provisões para devedores duvidosos ficaram praticamente estáveis, somando R$ 1,395 bilhão no semestre e levando o saldo para R$ 4,1 bilhões no balanço consolidado, dos quais R$ 817 milhões são excedentes, apesar de a inadimplência ter diminuído de 5,9% para 5,4% da carteira.
A receita com títulos e valores mobiliários caiu bastante, 28,95%, para R$ 2,786 bilhões, em parte pela valorização do real. Somente nos investimentos no exterior, o Bradesco teve uma perda de R$ 654 milhões com a valorização do real. As provisões de R$ 504 milhões cobriram a maior parte, reduzindo a perda líquida de Imposto de Renda a R$ 150 milhões.
Cypriano ressaltou os ganhos com a segmentação, que engrossaram a receita de serviços em 17,19% para R$ 2 bilhões. O faturamento com cartões aumentou 35,8% para R$ 7,349 bilhões. O banco tem 30,4 milhões de cartões de débito e 6,5 milhões de crédito. A área de consórcio, implantada neste ano, faturou R$ 1 bilhão com a venda de 31 mil cotas.
O número de contas correntes cresceu 7,8% para 13,8 milhões. A meta é chegar ao final do ano com 15 milhões de correntistas.
Somente o Banco Postal está com 600 mil contas ativas e realiza 5 milhões de transações por ano. O Bradesco pretende, através do Banco Postal, cumprir a exigência do governo de canalizar 2% dos depósitos à vista para o microcrédito. No caso do maior banco privado brasileiro, isso significa de R$ 200 milhões a R$ 240 milhões. Cypriano disse que o juro de 2% fixado pelo governo para essas operações, considerado baixo pelo setor financeiro em geral, só não causam perda ao Bradesco porque a estrutura do Banco Postal tem custo reduzido. “Este é um apelo social do governo e vamos contribuir”.
Maria Christina Carvalho, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
Deixe um comentário