O banco Santander Banespa está lançando dois programas de crédito, ambos para incentivar o setor produtivo da economia. O que os diferencia é o destino dos recursos. Um dos programas é de microcrédito, que vai atender moradores de comunidades carentes. Na outra ponta está o programa de financiamento às empresas que estão começando a exportar ou precisando de recursos para aumentar sua atuação no exterior, batizado de Programa Exportar pela própria coordenadora do projeto, a ex-ministra Dorothéa Werneck.
A linha de microcrédito vai oferecer empréstimos iniciais que variam entre R$ 200 e R$ 1 mil, podendo chegar a R$ 50 mil. A concessão vai depender de dois critérios: o sucesso do negócio e o histórico de pagamento das parcelas anteriores. Os juros são de 2% ao mês.
Segundo José de Paiva Ferreira, vice-presidente corporativo do Santander, essa taxa não é rentável para o banco, mas acredita que será em um horizonte de dois anos. Por dois motivos: até lá o montante de crédito concedido deve permitir ganhos de escalas, além da queda da taxa de juros. “Com a Selic mais baixa, esses 2% podem ser razoáveis para o banco”, diz Ferreira. Ele lembra que o Santander tem programas de microcrédito semelhantes a esse no Chile e na Venezuela, com taxas também bastante baixas mas que são rentáveis. Só no Chile o banco tem 700 mil clientes em microcrédito. “Existe potencial de termos mais do que isso no Brasil”, diz o vice-presidente, que evitou fazer projeções objetivas.
Apesar de os juros serem iguais ao percentual máximo que os bancos poderão cobrar dos 2% de seus depósitos à vista que serão destinados ao microcrédito, essa linha do Santander não entra nessa conta. “Estamos estudando outros instrumentos de financiamento para atender a exigência do Conselho Monetário Nacional”, diz Ferreira. Esse percentual dos depósitos à vista do banco representam R$ 60 milhões.
O crédito só é liberado depois que agentes (moradores da própria comunidade contratados pelo Santander) analisarem a viabilidade do negócio. Os próprios moradores, antes de tomarem o crédito, passarão por uma espécie de curso para identificar se realmente necessitam dos recursos.
A linha de microcrédito estreou na semana passada, em São Mateus, na zona Leste. A próxima será em Mauá. Nessa primeira semana, 60 pessoas procuraram os agentes do banco na comunidade e apenas 20 continuaram interessadas em tomar o crédito depois do curso.
Já o Programa Exportar, como o próprio nome já diz, vai conceder financiamento às empresas exportadoras. O banco vai conceder linhas desde capital de giro, passando pelo tradicional crédito à exportação, até financiamento de novos investimentos, como o aumento da capacidade de produção. Assim como o microcrédito, o programa terá agentes que vão diagnosticar todas as necessidades e deficiências da empresa.
Nessa primeira etapa, o foco é atender empresas de São Paulo, exportadoras de máquinas e equipamentos, alimentos e bebidas, e do Rio Grande do Sul, dos setores calçadista e moveleiro.
Dorothéa tem metas ambiciosas: “Em seis meses, teremos concedido financiamento a 500 empresas de São Paulo e 300 do Sul”, diz a ex-ministra. Em uma semana de projeto 65 empresas estão sendo visitadas pelos agentes.
Pela segunda vez Dorothéa trabalha em um banco. “A primeira experiência foi frustrante”, referindo-se à sua passagem no Excel Econômico meses antes de o banco quebrar.
Daniele Camba, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 11 de agosto de 2003• 10:13• Sem categoria
SANTANDER CRIA LINHAS DE MICROCRÉDITO E EXPORTAÇÃO
O banco Santander Banespa está lançando dois programas de crédito, ambos para incentivar o setor produtivo da economia. O que os diferencia é o destino dos recursos. Um dos programas é de microcrédito, que vai atender moradores de comunidades carentes. Na outra ponta está o programa de financiamento às empresas que estão começando a exportar ou precisando de recursos para aumentar sua atuação no exterior, batizado de Programa Exportar pela própria coordenadora do projeto, a ex-ministra Dorothéa Werneck.
A linha de microcrédito vai oferecer empréstimos iniciais que variam entre R$ 200 e R$ 1 mil, podendo chegar a R$ 50 mil. A concessão vai depender de dois critérios: o sucesso do negócio e o histórico de pagamento das parcelas anteriores. Os juros são de 2% ao mês.
Segundo José de Paiva Ferreira, vice-presidente corporativo do Santander, essa taxa não é rentável para o banco, mas acredita que será em um horizonte de dois anos. Por dois motivos: até lá o montante de crédito concedido deve permitir ganhos de escalas, além da queda da taxa de juros. “Com a Selic mais baixa, esses 2% podem ser razoáveis para o banco”, diz Ferreira. Ele lembra que o Santander tem programas de microcrédito semelhantes a esse no Chile e na Venezuela, com taxas também bastante baixas mas que são rentáveis. Só no Chile o banco tem 700 mil clientes em microcrédito. “Existe potencial de termos mais do que isso no Brasil”, diz o vice-presidente, que evitou fazer projeções objetivas.
Apesar de os juros serem iguais ao percentual máximo que os bancos poderão cobrar dos 2% de seus depósitos à vista que serão destinados ao microcrédito, essa linha do Santander não entra nessa conta. “Estamos estudando outros instrumentos de financiamento para atender a exigência do Conselho Monetário Nacional”, diz Ferreira. Esse percentual dos depósitos à vista do banco representam R$ 60 milhões.
O crédito só é liberado depois que agentes (moradores da própria comunidade contratados pelo Santander) analisarem a viabilidade do negócio. Os próprios moradores, antes de tomarem o crédito, passarão por uma espécie de curso para identificar se realmente necessitam dos recursos.
A linha de microcrédito estreou na semana passada, em São Mateus, na zona Leste. A próxima será em Mauá. Nessa primeira semana, 60 pessoas procuraram os agentes do banco na comunidade e apenas 20 continuaram interessadas em tomar o crédito depois do curso.
Já o Programa Exportar, como o próprio nome já diz, vai conceder financiamento às empresas exportadoras. O banco vai conceder linhas desde capital de giro, passando pelo tradicional crédito à exportação, até financiamento de novos investimentos, como o aumento da capacidade de produção. Assim como o microcrédito, o programa terá agentes que vão diagnosticar todas as necessidades e deficiências da empresa.
Nessa primeira etapa, o foco é atender empresas de São Paulo, exportadoras de máquinas e equipamentos, alimentos e bebidas, e do Rio Grande do Sul, dos setores calçadista e moveleiro.
Dorothéa tem metas ambiciosas: “Em seis meses, teremos concedido financiamento a 500 empresas de São Paulo e 300 do Sul”, diz a ex-ministra. Em uma semana de projeto 65 empresas estão sendo visitadas pelos agentes.
Pela segunda vez Dorothéa trabalha em um banco. “A primeira experiência foi frustrante”, referindo-se à sua passagem no Excel Econômico meses antes de o banco quebrar.
Daniele Camba, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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