A economia brasileira pode ter interrompido sua trajetória de queda. Alguns sinais positivos foram divulgados nas últimas semanas, como o crescimento do comércio em julho em relação a junho e a elevação da produção de automóveis. Junho talvez tenha sido o fundo do poço, mas o que não se sabe é se estes indicadores já representam o início de uma recuperação mais consistente.
Segundo o economista-chefe do Citibank, Carlos Kawall, o cenário econômico ainda é “pouco conclusivo”. Ele diz que a certeza sobre a retomada da atividade só vai ser obtida em setembro; dados de agosto sobre produção e consumo poderão trazer ainda surpresas desagradáveis.
No entanto, o economista observa que a confiança do consumidor tem surpreendido por permanecer em alta. Segundo levantamento da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, a confiança esteve, em julho, 7,7% superior ao mesmo período do ano passado. “Com um cenário de juros em queda e confiança do consumidor em alta há condições para uma recuperação nos próximos meses”, analisa Kawall.
Os dados sobre as vendas do comércio em julho, divulgados pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), também têm sugerido a economistas que o ambiente pode estar melhorando. As vendas feitas a crédito, já dessazonalizadas, cresceram 1,2% em julho na comparação com o mês anterior. Já as vendas à vista, subiram 3,7%.
O diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Paulo Levy, explica que a elevação no varejo pode ser reflexo de acontecimentos pontuais, como o adiantamento do reajuste dos aposentados de julho para junho e o adiantamento da devolução do FGTS. Na sua opinião são ainda pequenos os indícios de recuperação. “Só saberemos da retomada quando estivermos nela”, diz o pesquisador
De toda forma, a perspectiva é da volta do crescimento, frisa Levy. Em julho, os dados do IBGE devem mostrar incremento na produção industrial graças à melhora no setor automotivo e à volta da utilização da capacidade total da indústria de extração mineral, e gradualmente a redução dos juros deve beneficiar outros setores. O Ipea espera um crescimento de 1,6% do PIB.
O economista do Unibanco Andrei Spacov acredita que a indústria de bens duráveis já está colhendo frutos da redução do juros no mercado. A média móvel de três meses captada na pesquisa de junho sobre produção industrial mostra um aumento de 2,6% no ramo de bens duráveis. Outros segmentos, contudo, como bens intermediários e bens de capital ainda estariam sofrendo os efeitos das altas taxas de juros praticadas no fim do ano. Na média a produção caiu 2,1% em junho, segundo o IBGE.
Spacov também destaca que o total de subsetores (são 61 medidos pelo IBGE) em crescimento aumentou de 30% entre março e maio para 50,4% em junho. “Isso mostra que a retração está menos espalhada”, pondera o economista. A expectativa do Unibanco é de que no último trimestre, a indústria atinja um crescimento anualizado de 3%.
O diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida, enxerga um cenário econômico com pequenas variações, positivas e negativas, até o próximo mês. Alguma recuperação só poderia ser sentida no fim do ano. De acordo com ele, é preciso observar que neste segundo semestre o crescimento dependerá mais do mercado interno, uma vez que se prevê uma redução nas exportações agrícolas. “Juros, queda no compulsório e microcrédito terão efeito, mas não agora, só daqui a alguns meses.”
Gustavo Faleiros, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 13 de agosto de 2003• 09:33• Sem categoria
ECONOMIA PODE TER PARADO DE CAIR, MAS CRESCIMENTO AINDA É INCERTO
A economia brasileira pode ter interrompido sua trajetória de queda. Alguns sinais positivos foram divulgados nas últimas semanas, como o crescimento do comércio em julho em relação a junho e a elevação da produção de automóveis. Junho talvez tenha sido o fundo do poço, mas o que não se sabe é se estes indicadores já representam o início de uma recuperação mais consistente.
Segundo o economista-chefe do Citibank, Carlos Kawall, o cenário econômico ainda é “pouco conclusivo”. Ele diz que a certeza sobre a retomada da atividade só vai ser obtida em setembro; dados de agosto sobre produção e consumo poderão trazer ainda surpresas desagradáveis.
No entanto, o economista observa que a confiança do consumidor tem surpreendido por permanecer em alta. Segundo levantamento da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, a confiança esteve, em julho, 7,7% superior ao mesmo período do ano passado. “Com um cenário de juros em queda e confiança do consumidor em alta há condições para uma recuperação nos próximos meses”, analisa Kawall.
Os dados sobre as vendas do comércio em julho, divulgados pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), também têm sugerido a economistas que o ambiente pode estar melhorando. As vendas feitas a crédito, já dessazonalizadas, cresceram 1,2% em julho na comparação com o mês anterior. Já as vendas à vista, subiram 3,7%.
O diretor do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Paulo Levy, explica que a elevação no varejo pode ser reflexo de acontecimentos pontuais, como o adiantamento do reajuste dos aposentados de julho para junho e o adiantamento da devolução do FGTS. Na sua opinião são ainda pequenos os indícios de recuperação. “Só saberemos da retomada quando estivermos nela”, diz o pesquisador
De toda forma, a perspectiva é da volta do crescimento, frisa Levy. Em julho, os dados do IBGE devem mostrar incremento na produção industrial graças à melhora no setor automotivo e à volta da utilização da capacidade total da indústria de extração mineral, e gradualmente a redução dos juros deve beneficiar outros setores. O Ipea espera um crescimento de 1,6% do PIB.
O economista do Unibanco Andrei Spacov acredita que a indústria de bens duráveis já está colhendo frutos da redução do juros no mercado. A média móvel de três meses captada na pesquisa de junho sobre produção industrial mostra um aumento de 2,6% no ramo de bens duráveis. Outros segmentos, contudo, como bens intermediários e bens de capital ainda estariam sofrendo os efeitos das altas taxas de juros praticadas no fim do ano. Na média a produção caiu 2,1% em junho, segundo o IBGE.
Spacov também destaca que o total de subsetores (são 61 medidos pelo IBGE) em crescimento aumentou de 30% entre março e maio para 50,4% em junho. “Isso mostra que a retração está menos espalhada”, pondera o economista. A expectativa do Unibanco é de que no último trimestre, a indústria atinja um crescimento anualizado de 3%.
O diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento da Indústria (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida, enxerga um cenário econômico com pequenas variações, positivas e negativas, até o próximo mês. Alguma recuperação só poderia ser sentida no fim do ano. De acordo com ele, é preciso observar que neste segundo semestre o crescimento dependerá mais do mercado interno, uma vez que se prevê uma redução nas exportações agrícolas. “Juros, queda no compulsório e microcrédito terão efeito, mas não agora, só daqui a alguns meses.”
Gustavo Faleiros, De São Paulo
Fonte: Valor Econômico
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